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Meu sério problema com O Último Reino (Crônicas Saxônicas)

07/07/2020

Atualmente na quarta temporada (e com a quinta já confirmada), você talvez já tenha assistido ou pelo menos ouvido falar na série O Último Reino (The Last Kingdom).

A série conta a história de Uthred, filho de Uthred - como ele bem gosta de frisar - em sua jornada para reconquistar a fortaleza de Bebbanburg, usurpada por seu tio depois da morte de seu pai. A narrativa é banhada em fatos históricos e cobre boa parte do reinado de Alfredo, o Grande, um dos reis mais notórios da história da Inglaterra. Com ambientação medieval e trama que mistura aventura com política, a série certamente encontrou o caminho do coração de quem aprecia um bom épico, ao estilo de Vikings e Game of Thrones, trazendo muito da fotografia do primeiro e um pouco dos jogos de poder do segundo.



Entretanto, há um certo problema com a aventura de Uthred que não me deixa gostar dela tanto quanto eu gostaria normalmente de qualquer obra épica.

Eu simplesmente não consigo guardar a história na cabeça.

Pergunte-me o que aconteceu na primeira temporada. Não sei.

Na segunda? Nem ideia.

Terceira? Nada.

Simplesmente não guardo a história. Não sei o que acontece, mas acho que sei onde o problema começa.

11 Livros e Contando

O Último Reino é a adaptação literária de Crônicas Saxônicas, uma série de livros escrita por Bernard Cornwell que já está em seu décimo primeiro volume. Eu já o li e não traz o fim da história. Nele Uthred, já um senhor com uma idade considerável, principalmente para um soldado da Idade Média, continua lutando contra os nórdicos que teimam em invadir a Inglaterra mesmo após sucessivas derrotas.



Bernard Cornwell é um dos meus escritores favoritos e, certamente, o que eu mais li na vida. É dele a minha versão preferida do Rei Artur, na trilogia Crônicas de Artur e é dele outra excelente trilogia medieval: A Busca do Graal, além de uma porção de outras aventuras épicas. O cara escreve de um jeito ligeiro e empolgante e sabe te transportar para uma batalha como ninguém. Lendo suas páginas, é quase possível ouvir as flechas voando ao redor e sentir o cheiro das tripas arrancadas de algum coitado recém empalado.

Seus livros são bem escritos, equilibrados e o seu toque de mestre é o embasamento histórico. Ao final de cada exemplar o autor apresenta uma Nota Histórica, talvez um dos melhores momentos de cada livro onde você pode conferir o que é real e o que foi criado. Ou o que foi criado em cima de um fato meramente superficial. E o cara é um pesquisador ferrenho. Menciona poemas do século 5 e mapas desenhados por druidas como fonte de informação. Incrível.

Mas, diferente do que acontece com as Trilogias de Artur e do Graal, a história de Uthred não permanece na minha cabeça por muito tempo. Guardo alguns fatos chave, mas não em detalhes como faço com as grandes histórias. E acredito que isso seja culpa do grande número de volumes na coleção.

Desde o 4 ou 5 livro (não me pergunte qual exatamente, eu não sei), a história passa a ser muito repetitiva. Sempre começamos os livros com um Uthred em algum canto da Inglaterra, provavelmente em uma pequena guerra. Até que ele resolve ir para casa, mas no caminho descobre alguma trama de algum líder nórdico para tomar Wessex, o principal reino da época e a quem ele tem o destino interligado por conta de sua relação de admiração-e-ódio com Alfredo.



É sempre assim. A mesma estrutura. O pior é que, ao final de cada livro, Uthred vence o tão perigoso líder nórdico, mas quando começamos o próximo volume há outro desgraçado no lugar. Parece que os invasores ficavam apostando quem ia conseguir vencer Wessex sozinho ao invés de se unirem.

Sim, eu sei que são fatos históricos. E Cornwell escreve bem demais a ponto de eu continuar comprando os livros. É sempre uma leitura agradável e rápida que fazem as 300 e poucas páginas passarem voando.

Mas a estrutura já me cansou. A ponto de que quando estou lendo um novo volume (eles saem a cada 2 ou 3 anos mais ou menos), eu já nem lembro o que havia acontecido no anterior. É comum o novo Uthred comentar como ele sente falta de tal personagem que morreu e eu me perguntar: "morreu? quando? onde?". Em certo ponto (talvez no livro 8 ou 9), Uthred briga de forma severa com seu filho por ele ter decidido virar padre. Li aquilo e falei: "de onde saiu isso?"

A história se repetiu tanto que eu já não guardo mais suas sutilezas na memória. Fica apenas um resumo bem superficial em meu cérebro entediado.

E o pior: eu trouxe a mesma sensação para a série. Assisto cada temporada inteira e, semanas depois, já não lembro do que vi.

Caso você me pergunte: vale a pena assistir ou ler. Minha resposta: sim, mas faça tudo de uma vez. Espere a série acabar e maratone tudo. Espere os livros acabarem e leia tudo na sequência.

Caso contrário você pode acabar como eu. Um leitor aprisionado em uma história que não consegue acompanhar.

Pra não ficar sem música:


Um novo prazer: Ler e Ouvir O Senhor dos Anéis

03/07/2020

Há alguns meses assisti, talvez pela décima vez, a trilogia O Senhor dos Anéis.

Sou grande fã da obra de J. R. R. Tolkien e tenho um carinho especial por esses filmes. Não apenas gosto da história ou dos personagens, mas me sinto realmente como um integrante da Terra Média quando o primeiro (e melhor, na minha opinião) filme começa.



Logo nos primeiros minutos, quando o velho Gandalf chega no Condado e encontra Frodo eu já quase consigo tocar as plantações de abóboras e sentir os pés na grama daquele lugar especial tão aconchegante.

Eu poderia citar dezenas de motivos pelos quais amo essa história. Poderia mencionar meu gosto pelo medievalismo e por jogos de RPG, poderia lembrar que li os livros pela primeira vez com uns 15 anos e pela segunda vez com 17. Poderia discorrer sobre minha visita à Nova Zelândia, onde eu procurei vários dos cenários usados no filme. Poderia passar horas engrandecendo essa obra e dizendo o quanto sou grato à ela por ela ter permitido deixar minha imaginação voar e aflorar. Mas para não deixar o texto longo e enfadonho, vou apenas relembrar que, das poucas vezes em que chorei depois de adulto, uma delas foi vendo As Duas Torres.

"Você não chorou no nosso casamento, mas chorou quando o Rei Theoden lamentou a morte do filho", minha esposa gosta de provocar. Eu dou aquele sorriso amarelo e fico sem resposta. É verdade, afinal.

O Rei Theoden chorou e eu chorei com ele. 3 lágrimas. Consegui contar.

Nessa última visita à Terra dos Hobbits, Elfos, Anões e Humanos decidi que queria ler os livros mais uma vez. Já fazia mais de 10 anos, afinal. Por que não mergulhar novamente na aventura literária que deu origem aos filmes que eu tanto aprecio?



Tirei então meu exemplar de 2002 da prateleira. Aquele com a capa ilustrada do Gandalf, quando o filme ainda nem tinha saído do papel. As páginas levemente amareladas só davam ainda mais charme para o livro.

Comecei a ler.

Agora, porém, o mundo era outro. Distante e diferente daquele 2004, quando eu havia deixado aquelas páginas de Tolkien pela última vez.

Agora o mundo tinha internet de alta velocidade e de forma constante. Praticamente como água encanada.

Agora o mundo tinha músicas à vontade em qualquer lugar, sem a necessidade de comprar discos ou aparelhos para reproduzi-los.

E assim descobri uma nova experiência: ler O Senhor dos Anéis e ouvir O Senhor dos Anéis. Como? Com essa ambientação criada pelo canal Ambient Worlds. O produtor dos vídeos, provavelmente tão medievalista quanto eu, pega as canções de filmes e games de fantasia e cria uma versão mais longa que ele mescla com delicadeza à sons ambientes de natureza, chuva, vento e por aí vai. A imersão fica ainda maior.


Gosto tanto dos vídeos desse canal que já se tornou um costume aqui em casa deixarmos uma das canções rolando enquanto tomamos café ou conversamos. É relaxante e inspirador.

Confesso que ler os livros de Tolkien com a trilha sonora estendida do Condado ao fundo tornou-se um novo prazer da vida. Daqueles mais simples e, portanto, mais especiais. Sempre que posso agora eu pego meu livro, sento na poltrona e deixo a trilha sonora magistral de Howard Shore complementar minha aventura ao lado de Gandalf, Aragorn, Frodo e meus outros heróis.

Não dá para ouvir e não se sentir acolhido pela alegria contagiante e pela ingenuidade bonita do povo do Condado. Experimente!


Alivie as preocupações com Blues Etílicos

07/05/2020

Para quem tem o espírito colecionador, plataformas como Spotify e Deezer trazem um novo prazer que, se não substitui por completo, ao menos alivia a ausência do antigo hábito de buscar discos pelas lojas hoje extintas: a criação de playlists.

A possibilidade e agrupar, organizar e classificar as canções favoritas oferece não apenas a certeza de uma boa audição, mas também ajuda a descobrir bandas e canções novas, como comentei nesse post do Gustavo Andrade.

Foi degustando esse novo hobbie que criei playlists que tocam semanalmente no meu player: Hard Rock B-Sides, com todas canções pesadas oitentistas que eu gosto e que não fizeram o mesmo sucesso (e também por isso não me enjoaram tanto como) os super-hits; Electro Swing, com várias canções desse novo gênero que mistura a maestria do jazz com o impulso eletrônico; Coletânea Oasis Studio, copiando música a música um CD gravado por um amigo na adolescência que me fez gostar demais da banda inglesa.

E por aí vai...

Uma das listas que criei compila as músicas que mais tenho apreciado dentro do cenário do Blues Nacional.

Recentemente, enquanto fazia uma nova curadoria na lista, encontrei essa canção do Blues Etílicos que eu ainda não conhecia. É do ótimo disco "Puro Malte".



Como normalmente ocorre com as Grandes Músicas dos Deuses, eu fui inicialmente bombardeado com frases interessantes e um ritmo energizante que me fizeram querer ouvir a canção de novo, dessa vez prestando atenção na letra.

Foi então que descobri uma música realmente boa. Daquelas sábias. Com palavras bonitas e de grande valor ao ouvinte. Esse tipo de canção é raro, mas quando a encontramos, tudo vale a pena, pois elas nos enchem de alegria e vontade de viver.

A lição ensinada aqui é a de abraçar o desconhecido. Não temer as mudanças. Saber desfrutar as novidades que a vida nos proporciona.

Saia da Rota traz aquele ritmo bluseiro impecável costumeiramente executado pelo grupo brasileiro. Há talvez um diferencial no groove, gerando uma melodia contagiante, positiva, como justamente a poesia precisa.

Na letra, o narrador conta como percebeu um "desvio na estrada" que o levou por um "lugar novo que eu não esperava". E em versos rápidos e certeiros ele descreve uma série de atividades que podem nos proporcionar um novo descobrimento pessoal:
A caminhar domingo com as paineiras
Abrir o apetite com Santa Teresa
Fazer um piquenique no meio do mato
Jogar fora o relógio, nadar pelado
Pular de asa-delta na Pedra Bonita
Saltar de paraquedas uma vez na vida
São ações ora banais, ora aventureiras, mas todas trazem aquele desafio de sair da zona de conforto, mas que nos trazem tanto aprendizado e emoções únicas.

Claro que o momento atual de confinamento e isolamento social não nos permite adentrar em algumas dessas experiências, mas podemos interiorizar o ensinamento para questões mais pessoais como a mudança de um emprego, o fim ou início de um relacionamento, ter um filho, ou um cachorro, enfim. A lição que fica é essa: não se fechar para os novos ventos.

Escute aqui:


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