Viaje neste blog

Quando a música faz bem para a saúde. Conheça minha "Playlist da Cura"

07/04/2020

Como a música (e algumas outras coisas) me ajudaram a superar uma crise de ansiedade

Imagem de Pexels por Pixabay


Há alguns meses passei por um momento conturbado da vida.

Começou como um problema profissional. E, como geralmente acontece, acabou virando um problema de saúde.

Nada grave - já alerto - e agradeço a preocupação.

Apenas um pouco de ansiedade acima do normal.

Sabe como é. A gente trabalha, é responsável, quer fazer as coisas direito e bem feito. Às vezes até demais. Não sabemos dizer não. Queremos abraçar o mundo. Queremos mostrar para todos que somos capazes. Queremos provar para nós mesmos que conseguimos.

Que não somos fracassados.

Mas até que ponto isso é necessário?

No meu caso aprendi que, se eu não colocar um limite, o corpo colocará.



E ele colocou. Acelerou meu coração, hiperventilou, me deixou zonzo e desesperado. No começo, e como é comum entre as pessoas que passaram por algo parecido, achei que ia morrer. Pior: tinha certeza! Eu não sabia o que fazer com aquela falsa percepção do final da minha breve vida e quanto mais pensava naquilo, mais o desespero aumentava.

Eu rezava, mas parecia que ninguém estava ouvindo. Eu procurava ouvir músicas, mas não conseguia prestar atenção às melodias. Minha cabeça voava e não conseguia se desvencilhar das garras do pânico.

Achei que ia ficar louco.

Mas eu estava enganado.

Havia sim alguém ouvindo minhas preces.

Foi então que me agarrei com força aos ensinamentos que aprendi na vida. De Jesus a Buda. De Senhor dos Anéis ao Caminho do Guerreiro Pacífico.

E pouco a pouco - cada passo era um esforço colossal e cada dia pareciam eras - eu fui saindo daquele deserto assustador e retornando à minha casa: ao momento presente, onde a felicidade é plena e a alegria de viver raramente é esquecida.

Não foi um caminho fácil ou direto. Ao contrário, se assemelhava mais a um labirinto. Em muitos momentos achei que tinha chegado ao fim apenas para descobrir que, na verdade, me sentia muito próximo do estágio inicial. Mas eu tinha algumas cartas na manga. E Deus, que estava sim ouvindo tudo, colocou ali, alguns coringas também.

Usei todos os recursos que estavam ao meu dispor.

Alguns já eram ensinamentos antigos, guardados em algum local empoeirado da memória. Eu só precisava lembrar deles.

Outros foram ensinamentos reciclados, reconstruídos, adaptados ao novo momento da minha vida.

Alguns outros foram completamente novos, com novos mestres e novas formas de aprender e conhecer a mim mesmo. Enquanto os deuses me presenteavam com um punhado de novas e preciosas lições, mais uma vez, me vi escrevendo tudo que aprendia num caderninho de bolso, como fiz há muitos anos atrás.

E um desses antídotos que reaprendi a usar foi justamente esse.

Aqui.

Esse blog e tudo que em que ele se baseia: a alegria de ouvir uma boa música.

Depois de abandonar meu velho blog por pouco mais de 1 ano, retorno à casa apenas para descobrir - ou melhor: lembrar - que a música sempre foi um canal direto entre eu e o Supremo.

Imagem de Shahariar Lenin por Pixabay


Deus está em tudo, é claro.

Mas Ele se revela se formas diferentes para cada um, acredito. E sempre se revelou para mim na música.

Sempre.

Não foram poucos os milagres que presenciei enquanto tinha um fone no ouvido.

E, olhando agora, não consigo identificar ao certo em que momento deixei de prestar atenção aos versos.

O que importa agora é que percebi o quão longe estive do caminho.

E comecei a prestar atenção de novo.

Fui juntando e anotando as canções que me ajudavam. Que me faziam bem. Que me enchiam de coragem para vencer o medo. Que me enchiam de amor.

Como um colecionador aficionado por seu ofício, resgatei toda e qualquer canção que tinha o poder de me fazer escutar a voz dos deuses.

Algumas foram fáceis de achar. Foi só pensar um pouco a respeito. Outras deram mais trabalho para serem localizadas. E algumas outras foram aparecendo na vida enquanto a coleção era montada. A coleção está longe do fim. Cada vez que identifico uma nova e poderosa canção, corro para o Spotify e a adiciono à lista.

Batizei-a de "Para Ouvir Todos os Dias às 7h". Uma forma bem didática de me lembrar de escutá-la ao máximo. Se possível pela manhã, para me preparar adequadamente ao dia. Para não me desviar do caminho. Para, como dizia Stephen King e seus pistoleiros, "não esquecer o rosto do meu pai".

Deixo aqui então à você, querido leitor, a minha Playlist da Cura. Não restrita a um gênero específico, ela inclui de Rocks modernos como Killers e Incubus a salsas icônicas de Célia Cruz e Marc Anthony. De O Rappa a Jason Mraz. E muitos outros portadores dos deuses. O ouvinte atento perceberá na lista uma presença maior de Jorge Ben. Não é por menos. Se existiu algum bardo que conhece a fundo a alegria de viver, só pode ter sido ele. E destaco também uma canção especial do Gabriel o Pensador, que parece ter sido escrita para todos que passaram pelo que passei.

Espero que essa Lista te faça tão bem quanto faz à mim.

Não se apegue à ela, porém. Pegue o que te servir e, se achar necessário, crie sua própria lista. Não se restrinja só à música também. Ela é apenas um canal. Preste atenção ao som da vida. Saiba admirar o silêncio de sua casa e o som majestoso da natureza. Encontre Deus na voz das pessoas que você ama e ame-se com todo o coração.

Boa viagem, todos os dias ;)

Os Dois Guerreiros

30/12/2019

Reflexão banhada a Incubus. Fica melhor se você der o play:



Dentro de mim existem 2 guerreiros.

Um é preocupado, amedrontado, pessimista, espera sempre pelo pior. Tem medo do desconhecido e acredita que nunca vai estar totalmente preparado para o que vier.

Ele não é necessariamente mau. Ele faz o que pode. Encara o medo, sua frio, fecha os olhos e se agarra num fiapo de esperança de que Deus exista, embora ele às vezes tenha suas dúvidas. Ele não acredita em si mesmo, acha que pode fraquejar a qualquer momento. Fica facilmente impressionado e se deixa abalar pela menor das más notícias. Ele é escravo da sua mente. Deixa que ela domine seus sentimentos e seu corpo.

Ele precisa ser liberto.

O outro guerreiro é alegre, sempre bem humorado. Aceita que não tem controle sobre a vida e recebe o que quer que o mundo lhe traga de braços abertos e com um sorriso no rosto. Ele não sente medo. Ou sente, mas não o suficiente para que ele mude a menor de suas decisões. Esse guerreiro tem fé no mecanismo e sabe que Deus está com ele, seja lá de qual forma Ele use. Ele não se sente um mestre, mas ousa acreditar que, de vez em quando, experimenta a iluminação. Ele sabe que não é responsável pelas mazelas do mundo, mas não é indiferente. Simplesmente faz a sua parte o melhor que pode. Ele é seu melhor amigo e tem sua mente sob controle. Ele não precisa entrar em nenhuma batalha, simplesmente porque ama o mundo, a paz e a vida e qualquer agressão seria uma afronta a essa grande Beleza.

Ele precisa libertar o outro guerreiro.

Não precisa matá-lo. Precisa treiná-lo. Precisa ensiná-lo a domar o medo. Tê-lo sob suas rédeas. Precisa mostrar a ele como libertar-se da insegurança da falta de controle. Precisa que ele entenda que o medo pode existir, mas nunca estar no comando. Precisa que ele entenda que nunca houve controle.

E ele fará isso.

Porque ele ama o outro guerreiro.

Ele sabe que, por mais diferentes que sejam, eles na verdade são o mesmo.

São parte do todo. São parte de tudo.

Os dois juntos, como tudo no mundo, são parte da grande Beleza.

E o outro guerreiro - o covarde, porém esperançoso - vai aprender.

Vai se esforçar, vai resistir, mas vai aprender.

Vai andar um passo depois do outro. Vai viver um dia de cada vez.

E nunca vai desistir.

O guerreiro "mestre" será paciente. Vai sorrir a cada lição, como sempre faz. Se preciso, ele repetirá mil vezes cada lição. Mesmo que ele morra tentando ensinar seu amigo, ele sabe que terá valido a pena.

Vai dar certo. Sempre dá, ele sabe.

"Ultimamente, estou começando a achar
Que deveria seu eu atrás do volante.
O que quer que o amanhã traga
Estarei lá
De braços abertos e olhos abertos"
(Drive)

Lembrete importante: a vida é boa

11/12/2019

Reflexão banhada a Jorge Ben. Fica melhor se você der o play:



Eu sei, faz tempo que não escrevo aqui. Eu havia até sugerido que era o fim do blog.

Mas alguma coisa tem fim nessa vida? Eu acho que não. E mais tarde conto o que andei fazendo nesse meio tempo. Que músicas escutei, que shows eu fui. Mas antes preciso colocar um lembrete aqui. É mais um recado para mim mesmo, mas se servir para você, tanto melhor.

Antes de mais nada: a vida e boa.

Sempre que alguém - ou você mesmo - tentar te convencer do contrário, saiba que esse alguém - ou você mesmo - estão errados.

Puramente enganados.

Estão errados.

Não brigue com seu amigo revoltado ou com o mendigo elegante que tentar te fazer crer que o mundo é podre. Eles têm seus motivos para pensar assim. Mas você não precisa concordar.

Apenas não se deixe abalar.

Se estiver cansado, é só deixar os comentários deles entrarem e saírem. Não absorva nada.

Se estiver inspirado, transbordando alegria, tente você mudar a ideia deles.

Convença-os de que a vida é boa.

Mostre a ele que a vida é bela e linda, como diz Jorge Ben.

Se ele duvidar, toque um pouco de Jorge Ben. De preferência aquela antiga canção: Eu vou torcer (dê o play ali no alto).

Fale pra ele ouvir com calma. Para que ele seja levado pela voz suave do mestre. Pelo dedilhado na viola.

Para que ele percorra com o Zé Pretinho as ruas daquela maravilhosa Rio de Janeiro. Daquela República Livre de Ipanema. Torça com ele pela paz, pela alegria, pelo amor.

E pelas moças bonitas, é claro.

Eu vou torcer, eu vou.




A vida é boa.

O mundo está todo errado, eu sei. Não há como negar.

Mas há beleza na vida.

Seu amigo vai apontar pro mendigo (que ainda vai estar maldizendo o universo) e perguntar: "Cadê a beleza?"

E você vai ajudar o mendigo.

Pode ser com um trocado, e dane-se se é pra comida ou pra cachaça, a escolha é dele. Você dá a escolha. É muito mais do que ele costuma ter.

Se não tiver nada para dar, dê um sorriso. Isso já é bom o bastante.

Não enche a barriga, o amigo vai dizer. Mas enche o coração, pode apostar.

Faça isso e a beleza vai se mostrar.

Sorria mais.

Quanto mais você sorrir, mais vai perceber que a beleza existe.

Ouça mais musica.

Quanto mais você ouvir, mais você vai perceber que a beleza existe.

E que a vida é boa.

E é porque a vida é boa que vale a pena viver bem.

Vale a pena fazer as coisas com gosto. Vale a pena encontrar as pessoas. Rir com elas. Chorar de rir, se possível. Ajudar quem você puder, sem cobrança, sem stress.

E é para que eu não me esqueça do quão boa é essa vida que eu agora volto a escrever nesse espaço.

Depois de 1 ano e meio. Aqui estamos. De volta e com tudo.

Para cima, sempre para cima ;)

Que que eu quero mais?
Se eu sei que a vida é bela e linda?
Que que eu quero mais?
Se eu estou de bem com a vida?
Todinho de branco, lindo, esperando

Ela chegar...
(Jorge Ben - Magnólia)

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...