Mais um livro do Andarilho

Só Diga Sim!

01/06/2017

Banda acostumada a falar de tristeza ensina com maestria o poder da resiliência

The Cure trazendo mais lições para a vida. Foto: Divulgação

The Cure é uma banda que, na maioria das vezes, enxerga o copo mais vazio do que cheio, se é que me entende. Eles são daquela linha alternativa dos anos 80 que encontrava na música uma forma de colocar pra fora toda sua mágoa, arrependimento, medo e desilusões da vida. Nada de ruim até aí. Afinal, quem não costuma, volta e meia, colocar um som mais melancólico para afinar os sentimentos?

É por isso que é tão interessante ouvir uma música do The Cure que seja exatamente o oposto do que estamos acostumados a ouvir. É o caso de Just Say Yes, canção lançada como single em 2001.

Vamos à andança



Você provavelmente já sentiu isso antes. Talvez você esteja até familiarizado com essa sensação. Ou pior: você até gosta dela. Aquela insegurança, aquele medo que parece bobo. Nada demais, você diz a si mesmo e arranja uma desculpa para não tentar. Estou cansado. Não estou com a roupa adequada. Esqueci de passar um perfume.

Você sabe que é tudo mentira. No fundo sabe. Tudo isso é uma encenação que cai como uma luva para você não se sentir mal ao encarar a verdade. A verdade é que você é um covarde. Você tem medo de não dar conta. Pensa que vão te achar um babaca. Acha que é pior do que o cargo que estão oferecendo. Ou que não vai conseguir segurar as pontas sozinho, naquela viagem.

Você é um bom ator. Age normalmente na frente dos outros. Consegue convencê-los de que te tudo sob controle.

Nenhum deles imagina o quanto você sofre quando ninguém está olhando.

E aí você coloca um The Cure, pois eles sabem, como nenhuma outra banda, como é se sentir pra baixo. Se sentir perdido, sozinho e angustiado.

Mas sem perceber você colocou Just Say Yes. E sentiu, ali, logo de cara, um ritmo diferente. Gritos femininos dando uma energizada no balanço que já era legal.

E eles, sim eles, afinal, trata-se de um dueto: Roberth Smith e Saffron, cantam juntos. Coisas bacanas. Coisas para cima. Coisas que você não estava preparado para ouvir, mas que despertam seu espírito como um bom e velho tapa na cara. A dor passa e o zumbido não fica. No lugar dele está o ritmo excepcional da música.

E você se pega acreditando, mais uma vez em si mesmo.

Se percebe capaz de qualquer coisa.

Se te pedissem agora para atravessar o oceano atlântico num barco a remo você iria. Se te desafiassem a cavar um túnel com uma colher, você tiraria de letra. Tudo isso por que a música fala coisas como:

Não diga talvez
Não diga não
Não diga espere
Não diga devagar
Não diga da próxima vez
Não diga quando
Não diga mais tarde
Não diga então
Não seja cauteloso
Não pense duas vezes
Não banque o seguro
Não o ponha no gelo
Não fique remoendo
Não chute prá lá e pra cá
Não espere e veja
Não tente resolver

Então não me diga
Que tudo podia estar errado
Não, não me diga
Que tudo podia estar confuso
Oh não me diga
Tudo podia ser uma perda de tempo

Apenas diga sim! Diga agora!
Se deixe levar!
Apenas salte! Não olhe!
Ou você nunca vai saber
Se você ama
Então venha e ame!

Apenas diga sim!

Essa é a força dessa música.

Você escuta é ela serve como aquela poção do Asterix. Você se torna poderoso. Maior e mais forte. Todo o medo e a mágoa ficam parecendo insetos pequenos e você nem mesmo tem vontade de esmagá-los por pura dó. Você sabe que tem domínio sobre eles. Não precisa da violência. Prefere lidar com eles do que simplesmente removê-los, como se isso fosse possível.

Então siga o conselho do Cure.

Pare de adiar. Pare de inventar desculpas. Pare de se reprimir. Pare de se preocupar.

Simplesmente tome uma atitude. Respire fundo, acredite em Deus e "salte sem olhar".

Aconteça o que acontecer, nada vai te tirar a adrenalina da "queda" e a glória de ter enfrentado o momento ;)

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