Mais um livro do Andarilho

[SHOW] Matanza e Rats, provas de que a música pode te surpreender para o bem e para mal

18/07/2016

Matanza Fest aconteceu em São Paulo, dia 16/07/2016

Quando alguém pensa que já viveu todas as possíveis variáveis que envolvem um show musical, o destino vem e mostra, implacável como sempre, que há sempre como se surpreender, seja positiva ou negativamente.

Achei que ia conseguir conferir pela primeira vez um show do Matanza, banda que, apesar de não estar entre as minhas favoritas, é uma que respeito bastante não só pelo lado musical em si como pela legião de fãs fiéis que ela conquistou ao longo da carreira.

Matanza. Foto: Divulgação


Hoje em dia ir em shows é algo complicado. Geralmente te pedem um pedaço do pâncreas para pagar o ingresso e isso somado às terríveis taxas de conveniência e à bebida à preço de ouro, tornam a experiência bastante cara. É por essas e outras que tenho evitado ir à shows grandes. Não vale mais a pena.

Há tempos optei por uma estratégia mais adequada: ir apenas em shows menores. São mais baratos, mais divertidos e você vê a banda bem mais próxima.

Descobrir, portanto, que o Matanza faria um show por R$50 foi um achado.

Era pegar ou largar.

E eu peguei. Para pagar o valor promocional era preciso levar 1 kg de alimento. Ótimo. Pago barato pelo ingresso e ainda ajudo a fazer caridade. Negócio fechado.

O problema é que o ingresso anunciava inicio do evento às 21h.

O problema é que, nesse contexto, você não imagina que o Matanza iria tocar as 4h.

Sério.

O show foi num local que eu não conhecia: Tropical Butantã, aparentemente famoso por "tocar forró em clima de paquera", como diz o Google. Até aí tudo bem. Sendo barato, está valendo!

Combinei com um amigo que é ainda mais fã do Matanza que eu. Fã à ponto de ter que jogar fora algumas camisetas da banda, porque tinha mais delas do que camisas para trabalhar. Fã à ponto de ter tatuada uma das capas dos discos da banda. Seria a primeira vez que nós dois veriamos os caras ao vivo.

Marcamos às 20h, ficamos tomando cerveja até as 21h30 e entramos. Logo percebemos a furada: a casa ainda estava vazia e praticamente todo mundo que tinha entrado na mesma roubada estava se aglomerando na fila para comprar bebida - o único conforto aparente para aquela armadilha. E daí completa-se o rebosteio com gente furando fila, gente que passou 30 minutos na fila mas não decidiu o que comprar e a casa, como era de esperar, cobrando preço abusivos como 6 paus numa lata de Skol e 10 numa Heineken.

Apenas às 22h a banda de abertura começou: Rats. Banda boa, fazendo um som firme e respeitável. Mandaram uma apresentação potente e entrosada que misturava rock pesado com música cigana. Rolou até um saudável bate-cabeça, como era de se esperar. Divertido. Ainda bem que foi assim, pois foi o único show que eu vi naquele dia.

Rats. Foto: Divulgação

Morador de Santana de Parnaíba, meu amigo precisou ir embora logo que o grupo acabou, por volta das 23h. Não foi daquela vez que veria o Matanza. Acabei ficando sozinho na batalha.

Tudo bem. Eu ainda tinha esperança de ver o grupo principal. Morador da zona sul de São Paulo, eu poderia contar com metrô até 1h naquele sábado.

Infelizmente, minha ideia foi logo desbaratada, pois as 23h30 outra banda começou a tocar: Zumbis do Espaço. Eu não conhecia, mas os caras tinham vários fãs ali, pelo que pude perceber. Eu não tinha nada contra eles (pelo contrário, poderia muito bem curtir o show em outras condições), mas tinha ido até ali para ver o Matanza e estava começando a ficar puto.

Um dos fãs me disse que, depois deles, haveria ainda uma terceira banda, Cólera, e então (e somente então) o Matanza tocaria. O calvário duraria até as 4h, quando Jimmy London e sua trupe finalmente dariam as caras. Imagino que seria pedir muito colocar essa programação no site da Ingresso Rápido para os desavisados se prepararem...

A batalha havia sido perdida. Era preciso admitir.

Sem saber, queimei a largada. Cheguei cedo demais e como precisava acordar cedo no domingo desisti de esperar.

Confesso que, quando peguei aquele metrô, quase 1h da manhã, estava bastante decepcionado com o Matanza. O esforço tinha sido em nome deles. Até 1 kg de alimento eu levei e nada... Depois de um tempo, porém, refleti sobre a noite e ela não tinha sido de todo ruim. Beber com os amigos é sempre bom, e ainda de quebra curtimos o show da Rats com bate cabeça e tudo.

Quando há música envolvida as surpresas nunca deixam de aparecer, seja pro lado bom, seja pro pior cenário possível ;)

Conheça Rats:

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...