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2015, um ano de loucuras. Para a música, ótimo. Para a realidade, uma pena!

28/12/2015

Balanço do ano mostra um ano virado do avesso. Confira as canções favoritas do blog em 2015 e nos ajude a torcer para que no Ano Novo a loucura continue apenas na música

Mais um ano que acaba. Ao contrário dos anos anteriores, 2015 encerra-se deixando um gosto levemente amargo na boca. Assim como aquele vinho ruim que demora pra ser digerido, vai ser difícil por para baixo o ano de 2015 e há quem diga que as consequências dessa má digestão poderão durar até 2017, talvez mais.

Alabama Shakes, um dos loucos bons de 2015


Acima de tudo foi um ano de avessos. Tudo em 2015 foi do louco ao inesperado, tanto para o lado bom quanto para o ruim.

Analisemos primeiro o mundo físico.

Outrora propagandeado como "a bola da vez", a máscara de Carnaval do Brasil finalmente caiu, revelando-se um país de risco para investidores internacionais. A economia que vinha bem se degradou. A inflação que avançava timidamente, resolveu dar saltos ornamentais.

O avesso atingiu também os deputados. Políticos que normalmente pouco fazem para o País, conseguiram fazer menos ainda, presos numa crise política que não deixa o país sequer tentar se consertar, tornando o "progresso" na nossa bandeira uma piada de mau gosto. Além disso, antigamente vista como motivo de chacota, a Justiça também se surpreendeu com 2015. Afinal, a operação Lava-Jato e o Juíz Sergio Moro mostraram que, afinal, o crime pode não mais compensar no Brasil. Alguns políticos graúdos já foram para o xilindró e é triste notar como isso soa estranho no nosso cotidiano.

Manifestações de 2015. Do impeachment ao não-impeachment

Dando lógica à loucura do ano, o povo, tristemente acostumado à não ter voz ou poder, decidiu ir às ruas em diversas ocasiões. Esbravejou contra a corrupção, contra a Dilma, contra Cunha, contra Temer, contra a Democracia e contra si mesmo. Obviamente, em nenhuma das ocasiões foi ouvido. Ao menos isso se manteve igual em 2015...

A Vale, empresa que gozava do posto de uma das maiores companhias do Brasil se viu, do dia para a noite, afundada até o pescoço no mar de lama que cobriu Mariana e matou o Rio Doce. A loucura aqui, além do crime ambiental é o fato de ninguém ter sido responsabilizado.

Lama em Mariana...

Atentos à tudo e à todos e munidos do Bom Samaritanismo Digital, os internautas vestiram o avesso para criticar qualquer coisa, até mesmo quem se solidarizou com o Ataque Terrorista na França e quem não se solidarizou com outras tragédias. Vai entender...

Apesar de todo esse cenário em que é normal ver porcos voarem e cidadãos comuns serem achados dentro das latas de lixo implorando por alcaçuz, no âmbito musical, entretanto 2015 revelou-se um ano inesquecível. A loucura que assolou o mundo real não foi capaz de abalar, pelo menos não negativamente, o mundo da música.

Baixas vieram, como sempre acontece. B.B. King se foi no começo do ano. Percy Weiss no meio. Júpiter Maçã e Scott Weiland no final. Até mesmo o lendário Lemmy se foi... Mas o show segue, pois a música continua, imparável como o cérebro dos gênios.

B.B. King, mais um dos gênios que se foi

Grandes shows aconteceram, com a loucura dessa vez embutida no preços dos ingressos. Foo Fighters, Slash, Kiss, Ozzy e Pearl Jam foram alguns dos nomes que passaram pelo Brasil para dar o ar da graça. David Gilmour, inclusive, tocou aqui pela primeira vez na vida - e provavelmente última também. Além disso mais um Rock In Rio marcou história (mais como marca do que como evento, diga-se de passagem).

Diversas bandas novas lançaram excelentes canções. Borns, Faith No More, Imagine Dragons, Alabama Shakes, City and Colour, Elle King, Florence and The Machine, George Ezra foram alguns dos destaques internacionais. Aqui no Brasil pudemos contar com um novo disco do Fernando Noronha & Black Soul, uma coletânea das Velhas Virgens, o primeiro do Gasoline Special e vários singles e novidades bacanas.

O Grammy Latino trouxe diversos prêmios importantes para o Brasil e visibilidade para bandas daqui e dos países hermanos.

Heróis e Anônimos, o livro que nasceu do blog Músicas de Andarilho

Para o blog o ano foi ainda mais produtivo, pois foi o ano em que o Músicas de Andarilho virou livro! O sucesso do lançamento você confere nesse texto.

Além disso completamos 600 textos publicados com um tributo especial ao mestre Jack Johnson!

O Podcast À Todo Volume ressuscitou das cinzas com uma entrevista sensacional com o diretor do filme que homenageia Serguei. No programa que se seguiu, entrevistamos Micka para o lançamento da campanha para completar o documentário Brasil Heavy Metal.

Foi nesse ano também que eu trouxe da Argentina algumas canções selecionadas do Tango Eletrônico.

Bajofondo, um dos reis do Tango Eletrônico

Enfim, foi um ano excelente para a música e para o blog. Ao contrário do avesso e da loucura que assolam o mundo físico, no universo das notas, dos acordes, das hamornias e das viagens a coisa continua fluindo, como que percebendo que o paraíso nasce à cada minuto.

Há quem diga que não devemos fugir do mundo real. Dizem que devemos evitar mergulhar fundo demais em histórias e universos místicos, pois assim como sucedeu à Don Quixote, a loucura pode tornar difícil distinguir o real do irreal.

O que digo à essas pessoas, baseado principalmente nas atrocidades que aconteceram neste mundo em 2015, é o mesmo que o Don Quixote me cantou na peça Homem de La Mancha:

"Quando a vida em si parece lunática, quem pode dizer o que é loucura?
Talvez ser realista demais seja loucura.
Render-se aos sonhos talvez seja loucura.
Sanidade demais... Isso sim é loucura"


E já que somos todos loucos assumidos num mundo em que os normais constróem bombas, como diria Raul Seixas, vamos então celebrar as canções mais populares no player do Músicas de Andarilho no ano que passou:

Bomba Estereo - Feeling

Em 2015 tornei-me ainda mais fã da banda colombiana que mistura música eletrônica com Folk e Hip Hop e ganhou o Grammy Latino desse ano. Impossível resistir ao som inebriante dos caras e na voz hipnótica de Li Saumet. Confira o hit Feeling:



Jack Johnson - Tape Deck

Esse não podia faltar. Seu disco lançado em 2013 ainda ecoa forte no meu dia-a-dia com algumas das canções sendo tocadas no violão apenas como forma de agradecer ao músico por sua paz e luz. Confira Tape Deck, um dos hits do disco:



Alabama Shakes - Don't Wanna Fight

A canção dos Shakes que saiu este ano foi uma das que mais tocou na 89 FM e no player do Músicas de Andarilho. Seu ritmo envolvente e a voz matadora da cantora e guitarrista Brittany Howard são fatais.



Borns - Electric Love

O músico promissor americano realmente me fez viajar com sua canção que mistura música Eletrônica e Pop Rock. Seu ritmo delirante e a voz do cara afiada até o estômago fazem a diferença.



Orishas - Para Ya

Orishas foi a banda que encerrou o ano de 2013 no blog. Ainda assim o trio cubano persiste na minha playlist. Talvez sejam as lembranças que o som me traz, talvez seja seu poder de me levar para a América Central. Seja o que for, essa canção dos caras permeou meu player como poucas outras. Bônus: jamais saiu em qualquer disco.



Novos Baianos - Preta Pretinha

Com apenas 43 anos de atraso, em 2015, descobri os Novos Baianos e, desde então, os caras não saem do meu player. É ritmo demais, poesia demais, beleza demais e muita, mas muita viagem. Antes tarde do que nunca:



George Ezra - Blame it On Me

Mais um dos nomes promissores da música internacional, Goerge Ezra é um compositor inglês dono de uma voz grave inconfundível e de canções viajantes como esta:



Feliz Ano Novo!

Que 2016 seja um ano melhor do que 2015. Que o mundo real tenha um pouco menos dos avessos e um tanto mais de coerência e que o mundo da música seja tão louco e maravilhoso quanto sempre foi ;)

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