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[CONHEÇA] Naissius estreia com disco profundo e poético

13/11/2015

Uma viagem sonora cheia de reflexão e sutilezas


Tatola, o apresentador da 89 costuma dizer, quando coloca músicas novas pros ouvintes que eles têm que ouvir três vezes até gostar. No caso de "Síndrome do Pânico" me foi necessário ouvir apenas duas vezes para perceber o poder que emanava por trás de canções com um balanço suave e ao mesmo tempo sombrio e que combinavam em cheio com a voz profunda do vocalista e compositor Vinícius Lepore, também conhecido como Naissius.



Há discos que te conquistam pela levada. Há discos que te ganham por duas ou três canções mais chamativas. E há discos que se sobressaem pelas letras. É esse o caso de "Síndrome do Pânico", disco de estreia do músico que já está na estrada desde 2007, enquanto fazia parte da banda Limousine Rock e com a qual lançou 3 EPs.

Seguindo em carreira solo após o término do quarteto, Naissius optou por dar um tom mais confessional à sua música, criando um ambiente músical denso e de ritmo agradável para servir de fundo à uma poesia bonita e bem feita. Naissius é um poeta e como tal faz sua arte com o que tira do dia a dia dentro e fora de sua mente. Em "Síndrome do Pânico" há reflexão, há crise emocional, há insights de felicidade completa, há percepções raras da vida, ou seja, tudo o que normalmente se passa na cabeça de um sujeito comum. Da cerveja gelada à barba crescendo, são os detalhes aparentemente simples que fazem das canções algo memorável. O mérito do artista é justamente colocar tudo que passa no cotidiano em versos afiados e ritmados de tal forma a nos fazer sentir a força monstruosa da vida, com todos seus castigos e presentes à espreita em cada esquina.


Quase todas as faixas vêm acompanhadas de uma guitarrinha afiada e uma batida, mas há momentos chave em que somos presenteados com solos enfurecidos e trechos instrumentais altamente viajantes. É um disco de difícil classificação e é melhor que seja assim, afinal é um trabalho que consegue ser suave e pesado ao mesmo tempo. Transforma alegria em tristeza (e vice-versa) em questão de minutos. Há batidas rápidas e levadas poderosas seguidas da tranquilidade da voz e violão.

A produção, assinada por Raphael Bertazi, é outro ponto de destaque do trabalho. Do começo ao fim, "Síndrome do Pânico" envolve. O disco te faz mergulhar num emaranhado musical. É o tipo de álbum que preenche o ambiente, faz pulsar o ar à sua volta. E, como os detalhes que preenchem a poesia, aqui e ali percebemos pequenas sutilezas, seja um acordeon ao fundo, seja um efeito sonoro, que só contribui para uma obra com o peso que o disco tem.

Vale a pena mergulhar sem medo nesse oceano musical fascinante que é "Síndrome do Pânico".

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