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Rock enquanto Grife é um negócio melhor do que o Rock enquanto Música

25/09/2015

Você ainda pode ganhar dinheiro com Rock. Só precisa saber onde investir

Pergunte a qualquer Roqueiro - esclarecido ou fechado - se ele está satisfeito com o Rock atual. Com a diferença de que o esclarecido culpará a falta de oportunidades que bandas novas têm no mercado e o fechado culpará o mundo em si, a resposta será a mesma: não. Qualquer ouvinte pode perceber que, há anos, o Rock vive em crise e à beira da morte.

É interessante notar isso num momento em que o Rock in Rio acontece em sua 6ª e muito bem sucedida edição, com ingressos esgotados mêses antes do evento e cobertura digna da visita do Papa ao Brasil. Mas a pergunta que paira no ar para aqueles com um pouco de reflexão é: se o Rock está em crise como pode um evento fundamentado no Rock continuar tão em alta?




Não aceito como argumentos clichês do tipo "Agora não é Rock. É Pop in Rio" ou "Até a Ivete Sangalo toca no Rock in Rio". Já faz um bom tempo que o evento deixou de ser focado unicamente no Rock (se é que foi algum dia) e ouso dizer que se houve alguma edição onde o Rock se destacou muito mais que o resto é porque o Rock era moda na época e haviam inúmeras bandas vivendo seus dias de glória, coisa que não se repete nos dias de hoje, infelizmente. Não vejo nada de errado na Katy Perry tocar no evento. Aliás, acho até produtiva essa mistura de sonoridades. Creio que quanto menos barreiras entre a boa música melhor. Além disso o Rock continua fortemente presente nos palcos principais. Com Metallica, System of a Down, Queen, Motley Crue, Paralamas, Faith No More, QOTSA, convenhamos, não dá pra chamar de Pop in Rio. Sem falar no espaço para bandas novas mostrarem a que vieram e talvez despontarem para a fama. Tenho motivos mais que suficientes para acreditar que o evento cumpre seu papel enquanto promoção do gênero e se ele abusa de astros queridinhos do Pop para se promover, não posso culpá-los.

Mas ainda assim: com o Rock em baixa nas últimas décadas, como é possível um evento do tipo movimentar milhões de forma tão natural? Isso me faz refletir, mais uma vez, sobre o poder do marketing para vender qualquer produto.

Recentemente estive em Curitiba, lar do único Hard Rock Café do Brasil e tive uma grande surpresa ao (tentar) visitar o local: uma fila de pelo menos 100 pessoas dispostas a esperar 3 horas para entrar no restaurante em pleno domingo à noite. Numa rápida conversa com meus amigos chegamos à conclusão para o motivo de tanta gente interessada em adentrar o recinto: não se trata de um restaurante qualquer: trata-se de uma Grife. E as pessoas consomem justamente para mostrar às outras que fazem parte daquela tribo. Não se trata de comer um hambúrguer. Trata-se de estar no recinto. O poder da marca é mais forte do que imaginamos.


O desejo que leva o público à comprar uma camiseta branca com os dizeres "Hard Rock Café Curitiba" (ou seja lá qual cidade for) por R$129 é o mesmo que leva milhares de pessoas a cruzarem o país para visitar a Cidade do Rock. O evento não trata do Rock em si, mas o usa o Rock como conceito para uma temática que envolve produto de qualidade (música boa, boa estrutura), valor agregado (roda gigante e afins) e o lado emocional ("Rock in Rio 2015 - Eu Fui"). Funciona com o Hard Rock Café. Funciona com o Rock in Rio. É uma estratégia de Marketing engenhosa, temos de admitir. E o fato de usarem uma temática em crise como o Rock só me faz tirar ainda mais o chapéu para Medina e companhia.

É ainda mais curioso notar como jornalistas populares capricham na cobertura do evento. Assistindo aos shows dos Hollywood Vampires e do Queens of The Stone Age ontem no Multishow pude ver como os caras citavam bandas, discos, influências e eventos como quem realmente sabe do que fala. Por um momento pensei estar de volta nos anos 90 quando as pessoas tinham orgulho de conversar abertamente sobre Rock na TV. Por quê isso não acontece diariamente? Por que é preciso um evento como esse para que pessoas influentes voltem a citar discos e bandas de cabeceira ou shows históricos que tiveram a honra de assistir? Afinal esse pessoal da mídia curte mesmo Rock ou são só mais um reflexo do poder do Rock enquanto Grife? Ao que parece esse poder é forte o bastante para fazê-los relembrar como o Rock - o gênero musical, não o status - é realmente bom e não deveria se sustentar em eventos deste porte para ganhar fôlego em horário nobre.

Você pode até pensar que isso é dor de cotovelo de um Roqueiro que nunca teve a oportunidade de ir ao Rock in Rio e é obrigado à acompanhar os shows pela TV e testemunhar como antigos VJs repentinamente voltaram a curtir o Rock. Isso não é verdade. Não tenho nada contra os jornalistas em questão. Fãs de verdade ou não, eles estão fazendo um ótimo trabalho. E tenho que admitir que eu, de fato, adoraria ir à Cidade do Rock, curtir algumas bandas e dizer que fui ao evento. Isso só mostra mais uma vez o quão forte é o marketing por trás do Rock in Rio.

A única lição que as bandas novas que sonham um dia fazer parte do Palco Mundo podem tirar disso tudo é: parem de investir em conhecimento e recursos e passem a investir em marketing. Esqueça horas e mais horas em conservatórios para aprender sobre música. Comprar uma guitarra melhor? Esqueça! Fazer composições e letras impecáveis? Pra quê? Use sua energia para o marketing. O sucesso a longo prazo é garantido. Afinal, ao contrário do Rock que agoniza lentamente, o Rock enquanto Grife se prova cada vez mais rentável ;)

3 comentários:

SEBASTIÃO ASSIS RIBEIRO disse...

Rock pra min sempre foi uma experiência de vida, uma vivência sem limites de meus mais íntimos sentidos. NADA MAIS ALÉM DISSO!!!!

SEBASTIÃO ASSIS RIBEIRO disse...

Rock pra min sempre foi uma experiência de vida, uma vivência sem limites de meus mais íntimos sentidos. NADA MAIS ALÉM DISSO!!!!

Felipe Perazza disse...

Cara, concordo 1000000% com vc. O problema é que nos dias de hoje há muito marketing e uma indústria por trás dessa arte... Absss!! Valeu pelo comentário!

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