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[SHOW] Galactic no Parque do Ibirapuera

01/09/2015

Banda encerrou o Bourbon Street Fest 2015, 30/08/2015


Num instante em que os grandes shows estão se tornando cada vez mais caros e exclusivistas, é bom saber que o Bourbon Street Fest continua carregando suas duas características fundamentais: o line-up de qualidade e a gratuidade.



O clima ajudou o festival, proporcionando um dia fresco e moderadamente quente em pleno inverno, de modo que o Parque do Ibirapuera, principal palco para quem curte qualquer tipo de esporte, estava tão lotado como poderia estar. Ao redor do palco do festival, montado próximo da Marquise, era possível encontrar gente com suas bicicletas estacionadas, skatistas e atletas misturados ao povo que foi apenas curtir os shows, tudo numa interessante harmonia, sem muvuca demais ou desordem. Aqui e ali era possível, ainda, ver pessoas que trouxeram cadeiras e estenderam na grama seus cobertores, criando um clima tipo Woodstock no evento.

Originalmente marcado para as 19h, foi com 1 hora e meia de atraso que o Galactic subiu ao palco para encerrar uma noite que já vinha sendo aquecida por Dawynie Dopsie & the Zydeco Helraisers e DJ Mark. A organização do festival alegou problemas técnicos que tiveram de ser resolvidos de última hora. Teria sido respeitoso por parte deles avisar isso logo e cara e não apenas justificar o atraso. Logo que cheguei, ao meu lado estava um senhor, aguardando pacientemente a banda principal e, após uma hora de espera, ele resolveu ir embora, desapontado (como eu também quase estava fazendo). O que dizer a um fã desses? Um aviso o teria preparado de início e não o feito de bobo.

Mas fora isso e o tenebroso cheiro de maconha e cigarro que, infelizmente, ainda insiste em preencher qualquer evento aberto, foi uma noite épica como era de se esperar.

Para entender melhor, ouça Church, do Galatic



Ouvindo esta peça já fica claro de que material estamos falando. Galatic é uma banda de monstros lá de New Orleans um dos berços musicais mais ricos do mundo e terra onde o Jazz é tão tradicional quanto o nosso Samba. Todos músicos do Galatic são monstros. Não tem um único integrante que não se destaque no que faz. O baterista Stanton Moore é cretinamente virtuoso, escondendo por trás de um par de óculos, um gênio enlouquecido capaz de fazer um solo de 10 minutos usando um pandeiro como baqueta e saltando do banco para ter mais força nas pauladas. Ouso dizer que o sujeito roubou de James Kotak, dos Scorpions, num show que vi há 10 anos, o melhor solo de bateria pude ter a graça de presenciar. O baixista, outra fera sob tênue controle no corpo aparentemente são de Robert Mercurio foi capaz de criar levadas poderosas e nos presentear com outro solo impecável.


Não por acaso bateria e baixo são os maiores pesos na banda, já que é aí que reside a alma do Blues, do Jazz e do Soul, o cerne onde gira a galáxia do grupo. Além dos cozinheiros a banda conta guitarra, teclado, vocal, trompete e saxofone, sendo estes dois últimos outros grande destaques na apresentação que mistura o Jazz com Funk, Música Eletrônica e Hip Hop.

Pire em Doo Rag


Mas não é só no virtuosismo que Galactic se sobressai. O mérito da banda está justamente na harmonia com que seus integrantes interagem. É como eu costumo façar em qualquer post dos Black Crowes: não basta ser bom, é preciso saber trabalhar em conjunto, sem querer passar por cima do outro e deixando espaço para cada um fazer o que faz de melhor.

A banda permeia números vocais com instrumentais e, sinceramente, não sei dizer qual é melhor. A banda faz tão bem suas jams e solos que, curiosamente, o vocal se torna apenas um detalhe - mais um instrumento dominado com perícia, certamente, mas nada que seja maior do que os demais. É o tipo de show para se escutar e viajar, curtir o som, dançar e entrar no emaranhado de acordes e cores que a música negra nos proporciona. Não é preciso conhecer o Galactic para apreciar o show. É preciso apenas apreciar a boa música e eles fazem o resto, te preenchendo de energia, suingue e alegria.

Curiosidade: Corey Glover, do Living Colour já excursionou com a banda. Confira Heart of Steel:


Mesmo sem conhecero grupo, eu não me importaria de ter pago para vê-los, mas numa época em que os shows são absurdamente dispendiosos, é bom saber que ainda há oportunidades de encerrar um domingo qualquer num ambiente tão querido quanto o Parque do Ibirapuera e acompanhado por uma banda tão envolvente ;)

Viva o Bourbon Street Fest!

2 comentários:

Renato disse...

Show de bola!
Vi eles no Bourbon Street, e foi sensacional!

Felipe Perazza disse...

Ainda não fui lá, mas é minha próxima meta. Valeu pelo comentário! Absss

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