Viaje neste blog

Publicidade

Selva

19/08/2015

Uma hipnótica viagem movida à baixo e bateria

Até hoje um nunca tinha postado nenhuma viagenzinha sobre o Kiss. Apesar do ícone que é a banda de Paul Stanley e Gene Simmons eu nunca tinha me deixado levar por completo pelo som da banda. E como adentrar a um universo composto por nada menos que 20 discos de estúdio, 58 singles e 40 anos de estrada? Por qual disco começar? Qual década? Optei por iniciar-me da maneira que acho mais fácil: comprando uma coletânea. No caso do Kiss, teria de ser uma compilação dupla pelo menos e foi justamente o que achei: "Kiss 40 Years: Decades of Decibels", um álbum duplo com 40 músicas do quarteto. Foi aí que encontrei Jungle, canção originalmente lançada em 1997 no disco "Carnival of Souls". E foi aí que viajei como uma criança levada no banco de trás do carro para um fim de semana cheio de fortes emoções. Segue a letra:




Jungle
(Simmon/Culick/Cuomo)

Here I go
Down below

The sun is goin' down
A jungle comes alive
The beast is waking up
To take another life
I can't sleep
In too deep

The man with nothing left
Without a place to hide
Will take a final breath
And tumble in the night

Yeah
Someone's safe at home
Someone dies alone
Someone's fallen prey
Yeah
Some will take their fill
Like lions to the kill
Livin' day to day
Whoooaaaaaoooohhhh, The Jungle

Mothers mourn
Fathers groan The child takes a hit
And then he starts to cry
A mother never hears
Her baby's last goodbye

Yeah
Someone's safe at home
Someone dies alone
Someone's fallen prey
Yeah
Some will take their fill
Like lions to the kill
Livin' day to day
Whoooaaaaaoooohhhh, The Jungle

The sun is coming up
A city comes alive
The lamb will never see
A jungle in the sky

Yeah
Someone's safe at home
Someone dies alone
Someone's falling prey
Yeah
Some will take their fill
Like lions to the kill
Livin' day to day
Yeah
Someone dies alone
Someone's safe at home
All is flesh and bone
Whoooaaaaaoooohhhh, The Jungle

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à viagem:

O começo é, senão tudo, boa parte de uma canção. Muitas vezes é possível predizer se a canção será boa ou não simplesmente ouvindo sua introdução ou seu riff inicial. No caso de Jungle, é fácil ter certeza de que a obra será épica pelos seus primeiros 20 segundos. Há um motivo pelo qual chamamos o conjunto entre bateria e baixo de "cozinha". Isso porque, assim como numa casa, na banda a cozinha é fundamental. Sem baixo e bateria não há Rock. E quando há aquele raro entrosamento entre os músicos, a cozinha pode deixar de ser a base, e se tornar o diferencial e a razão de ser da obra. É como uma casa em que a cozinha é tão ampla, aconchegante e bonita que os visitantes preferem ficar ali do que ir para a sala. Esses primeiros 20 segundos mostram o puro balanço hipnótico e excitante de uma boa cozinha: a bateria arrebenta firme e o baixo cavalga pelos ouvidos com peso e profundidade criando o clima de suspense e terror tão atraentes quanto a própria selva que batiza a canção. O riff da guitarra, igualmente monstruoso apenas acrescenta potência na peça e chama a voz de Gene Simmons para o início da declamação. Ele começa seguindo a toada da introdução, cantando versos longos até que acelera, junto com a guitarra pesada, tornando a selva mais escura, densa, perigosa e, portanto, mais fascinante. Rodeado pelo desconhecido, suamos frio enquanto a canção acelera e a viagem fica cada vez mais envolvente. O refrão é uma pancada ainda maior - o bote da fera que estava à espreita - onde o vocalista grita com energia e a guitarra se torna ainda mais viva. E por mais que o peso e o ritmo, agora acelerados, te levem pra cima e pra baixo, a todo momento a cozinha está lá furiosa, incansável.


Jungle é o tipo de canção que poderia ficar sendo repetida o dia inteiro que você não se cansaria, sacudindo a cabeça e o corpo no ritmo das pancadas com a mesma alegria como se estivesse a escutando pela primeira vez. É a música que te faz tocar não uma Air Guitar, mas um Air Bass com as pernas devidamente aberta e o corpo encurvado à frente. Os dedos, abertos como garras apontando para baixo pinçam o ar com a mesma fúria que Gene Simmons. E as pancadas de Eric Singer nos pratos nos inspiram a arrebentar nossa bateria invisível com uma loucura que só melhores os bateristas conhecem.

Uma bela maneira de começar a conhecer o Kiss. Sem falar nas outras 39 músicas ;)

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...