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Salto no Asfalto

11/05/2015

Viajando no primeiro CD do Skank

Se tem uma banda do Brasil que eu prezo, essa banda é Skank. O grupo mineiro chamou minha atenção desde quando eu era garoto com suas letras poéticas e ritmos alegres e praianos. O que eu não sabia, porém, é que o primeiro disco dos caras era uma obra-prima. Se não acredita em mim dê o play e comece a leitura abaixo. Essa canção é do disco lançado em 1992. Segue a letra:




Salto no Asfalto
(Rosa/

Sabe mais do reino aonde vai
Viu peixe tubarão
Coisa que não era pra ver
Labirinto na cabeça
Se sufocou na multidão
Nem ao menos tentou
Se redimir dos erros
Não parou pra pensar
Se foi bom ou ruim
Inútil persistir, inútil desistir

Sentiu seu salto no asfalto
O vento na perna, embaixo da saia
A blusa meio aberta, branca
Sorriu, mas não sabe pra onde

Corre atrás do amor de bar em bar
Do céu de uma paixão
Ao inferno de um novo prazer
Mil ideias na cabeça
Pra sufocar a solidão
Nem ao menos tentou
Se redimir dos erros
Não parou pra pensar
Se foi bom ou ruim
Inútil persistir, inútil desistir

Sentiu seu salto no asfalto
O vento na perna, embaixo da saia
A blusa meio aberta, branca
Sorriu, mas não sabe pra onde
Sentiu seu salto no asfalto
O vento na perna, embaixo da saia
A blusa meio aberta, branca
Sorriu, mas não sabe pra onde

Sabe mais do reino aonde vai
Viu peixe tubarão
Coisa que não era pra ver
Labirinto na cabeça
Se sufocou na multidão
Sabe mais do reino aonde vai

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Como muitos brasileiros, conheci o Skank com seu segundo disco, o excelente "Calango", lançado em 1994 e dono das lendárias Jackie Tequila, Estivador e A Cerca. Depois daí, junto com a fama do Skank que crescia, fui me embebedando em "Siderado" (1998), viajando em "Maquinarama" (2000) e curtindo até exageradamente o "MTV ao Vivo" (2001). Depois dali, o Skank ficou comercial demais para os meus ouvidos acostumados com o reggae praiano de Beijo e a Reza e o rock psicodélico de Preto Damião, mas ainda, é claro, se deliciava com novos hits que o grupo vira e mexe lançava, como Vou Deixar e Vamos Fugir. Um dia, porém, estava caminhando pelo Centro de São Paulo quando encontrei um daqueles estabelecimentos que contribui para que a região seja um dos melhores lugares do mundo: uma loja de discos usados. Não era um sebo de CDs. Era uma loja cheia de coisas para quem ama música: discos, CDs, posteres, camisetas. Uma garagem aberta ao público com diversos tesouros em seu interior esperando para serem garimpados. Impossível resistir. Comecei a vasculhar os títulos de CDs velho e foi ali que encontrei o "Skank", primeiro disco da banda que eu tanto aprecio. Já tinha ouvido falar naquele álbum, mas nunca tinha visto à venda em lugar nenhum. O preço, quase simbólico. 10 reais foram suficientes para levá-lo pra casa e quando dei o play pela primeira vez, percebi que tudo que eu conhecia do Skank era apenas um reflexo de uma verdadeira obra de arte. As grandes bandas são assim. Lançam em seus primeiros discos algo fenomenal e carregam, desde então a sedutora, porém difícil tarefa de superarem a si próprios. Foi assim com Beatles, Pearl Jam, Living Colour e tantas outras. "Skank" é incrível. Um disco autoral, com balanço hipnótico e letras cheias de vida. Os metais que o Skank fez com tanta maestria, porém moderação em "Siderado" e "O Samba Poconé" (1996) permeiam seu primeiro disco com tanta naturalidade como se fossem o DNA de sua música. Imagino que eram mesmo, uma vez que até o nome da banda remete ao Ska, estilo musical antecessor ao Reggae e cuja alegria e energia é transmitida tão bem pelos instrumentos de sopro. Conforme a banda amadureceu sua música se consolidou numa base mais tradicional de bateria, baixo e guitarra e os metais foram sumindo. Uma pena. Naquele ano de 1992, a banda transbordava alegria e nos fazia viajar com os ritmos envolventes de Macaco Prego, Homem Q Sabia Demais somados à letras inteligentíssimas de Baixada News e Réu & Rei. Salto no Asfalto é o ponto máximo dessa obra-prima, com metais que criam uma hipnose sonora tão boa que ganhou versão instrumental ao final do disco com o nome de Caju Dub. Na versão original, Samuel Rosa declama sua poesia misteriosa e delirante enquanto os trompetes de João Vianna comem soltos ao fundo. O baixo de Lelo Zaneti é outro destaque não só da música, mas do disco todo. Ouvir "Skank" é conseguir um passaporte instantâneo para a praia. Os coqueiros verdes e o mar azul acompanham tão bem o disco quanto os metais davam uma identidade toda especial para o som do grupo. O som deles mudou, eu sei, e não sou ninguém para reclamar, até porque também admiro sua música atual, mas serve de consolo saber que há um disco inteiro recheado do que eles faziam de melhor: reforçar o ska do Skank ;)

4 comentários:

Kátia Perazza disse...

Adorei ler sobre o Skank porque é uma banda que amo muito. Sabia que tenho este CD também? Muito legal. Vou ouvi-lo com outros ouvidos agora. Bjs.

Felipe Perazza disse...

Ah vc tem muito bom gosto. Sabia que já teria essa pérola! Beijão tia, saudades!

corvolu3 disse...

Cara! Sou fã do skank desde esse CD... comprei na época e sempre considerei essa música (salto no asfalto) uma obra prima que "mais gente deveria conhecer", aí agora a pouco (eu sei, estou comentando mais de 2 anos depois da postagem) eu estava passeando com meu cachorro e vi uma moça bonita, de salto, saia, blusa meio aberta, branca e com um sorriso fino nos lábios... aí minha mente de escritor viajou completamente e voltei pra casa "sabe mais, do reino aonde vai, viu peixe, tubarão, coisa que não era pra ver..." talvez eu ainda escreva sobre ela haha

Muito boa sua análise! Sucesso e forte abraço!

Felipe Perazza disse...

Cara que legal! Essa música é sensacional e mais legal ainda você ter ido atrás logo depois de passar pela situação da letra. Obrigado pela visita e pelo comentário. Sucesso!

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