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[LANÇAMENTO] Velhas Virgens: Todos os Dias a Cerveja Salva Minha Vida

06/04/2015

Algo mais a ser dito?

Já faz quase 1 ano que o disco veio à luz, mas o bom do universo do Rock é que o calendário ainda é contado de forma diferente, mais lenta e tranquila. Ao contrário do mundo Facebookiano atual, onde posts de uma semana atrás já são considerados fora de moda, no Rock os discos de um ou dois anos trás ainda são recentes e posso, sim, considerar este um texto atual sobre o "novo disco" das Velhas Virgens. A canção é a abertura do disco e carrega o título do mesmo. Foi lançado no ano passado. Segue a letra:




Balada para Charlie Harper (Todos os Dias a Cerveja Salva Minha Vida)
(Carvalho)

Eu sei que sou esse sujeito errado
Que bebe dia e noite e dirige embriagado
E sei que trato as mulheres
Como reles objeto, maridos são meus desafetos
E se com os dedos do piano é só pra ganhar dinheiro
Pra me embriagar de novo e frequentar novos puteiros
E se a solidão eventualmente invade as minhas noites vazias
Eu bebo goles grandes pra enfrentar a nostalgia

Ninguém tem nada com isso porque
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja nos salva

E quando nada mais me resta
Nem amigos nem lugar pra voltar
Nem terapia, nem sequer uma festa
Pro predador poder voltar atacar
O balcão do bar ainda me redime
E os garçons ainda ouvem meus lamentos
Sigo esperando jovens recém separadas
Vítimas tenras do meu fingimento

E a balada recomeça outra vez pois
Ninguém tem nada com isso porque
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja nos salva

Eu nunca tive vocação pra ser vítima
Sequer amigo muito menos honesto
E toda mentira que eu conto devia ser a ultima
Outras viram eu sei q não presto
Sigo dizendo pras moças o que elas querem escutar
E desejando suas carnes querendo tê-las pro jantar
Sigo bebendo na rua ate não parar mais em pé
Sigo brindando nos bares com outros amigos de fé

Eles são boêmios como eu e
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja salva minha vida
Todos os dias a cerveja nos salva

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Sou suspeito para falar das Velhas. Os caras são uma das minhas bandas preferidas de Rock, mas devo admitir que mesmo diante de uma grande discografia de qualidade, sempre acabei ouvindo mais o "Foi Bom Pra Você" (1995) e o "Vocês não Sabem como é Bom Aqui Dentro" (1996). Mania minha. Sempre acabo curtindo mais os primeiros discos de qualquer banda e isso vai de Beatles até Lynyrd Skynyrd. Mas quando coloquei o novo disco das Velhas - quando dei o play naquela primeiríssima vez - logo na primeira música, soube que estava diante de algo grandioso. Se você é como eu que ouve Rock and Roll desde pequeno, que acompanhou seus ídolos e os viu morrer, que sabe que a diferença entre a loucura e a genialidade é apenas uma canção, que ouviu músicas que mudaram sua vida todos os dias e que acha que nunca mais vai se surpreender com nada, pois o Rock, ainda que mágico e inspirador, parece estar dando seus últimos suspiros num mundo em que as bandas boas vão se aposentando e nenhuma outra parece disposta a carregar a bandeira, bem se você pensa assim também, vai entender o que eu quero dizer com estar diante de "algo grandioso" ao ouvir uma abertura de disco pela primeira vez. Isso já aconteceu diversas vezes na vida, você sabe. Mas o problema é que vem acontecendo cada vez mais raramente, até parecer que aquela empolgação toda tinha sido um apenas um sonho há muito esquecido. Lembro de ter sentido quando ouvi I Saw Her Standing There, a primeira do "Please Please Me" dos Beatles. Ou quando ouvi Knocking at Your Backdoor, a primeira do "Perfect Strangers" do Deep Purple. Quando ouvi a própria Só Pra Te Comer, das Velhas, tantos anos atrás, senti o mesmo. Mas o fato é que agora aconteceu de novo. Dei o play e meu queixo caiu,a inspiração veio, meus pés bateram o chão acompanhando a bateria poderosíssima e eu soube, depois de tanto tempo vivendo na neblina, que eu estava vivo. A névoa se dissipou e pude ver o horizonte bonito estendendo-se diante de mim. E segui, respirando fundo aquele ar fresco e delicioso, me juntando ao coro e cantando com Paulão que "todos os dias a cerveja salva minha vida". As guitarras ecoaram pelo ar com seu peso de Heavy Metal e pude, finalmente, fazer um solo no ar sem me sentir deslocado no mundo. Eu tinha um bom motivo e, assim como o Charlie Harper de Charlie Sheen em Two and a Half Men, eu estava curtindo minha vida sem pensar em mais nada, sem querer a opinião de ninguém e sem colocar minha felicidade na dependência de nada. E isso foi só na primeira vez que ouvi. Agora que sei a música de cor e ouço o disco todo repetidas vezes ao dia, a sensação de invencibilidade se tornou um padrão. A cerveja me salvou e os Velhas me resgataram. Só tenho a agradecer e brindar à eles todos os dias ;)

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