Mais um livro do Andarilho

[LANÇAMENTO] AC/DC's Rock or Bust

06/01/2015

Novo álbum do ACDC é mais do mesmo. Graças à Deus

Ano Novo, Rock and Roll novo. Sei que é raro encontrar bom Rock and Roll hoje em dia, principalmente nas novidades, mas se há uma banda que jamais - e digo esse "jamais" com a boca cheia de certeza e orgulho - irá nos decepcionar, essa banda é ACDC. Os caras lançaram seu último disco em novembro, passado. Nesses dois meses, tenho escutado bastante o álbum para discorrer sobre ele, mas a verdade é que desde a primeira audição, "Rock or Bust" não deixa a desejar, como jamais ACDC deixou. Segue a letra da canção título e abertura do álbum:




Rock or Bust
(Young/Young)

Hey, yeah
Are you ready?
We made a guitar band
We play across the land
Shootin’ up tonight
Goin’ keep you up all night
Hear the guitar sound
We play it nice and loud
Rock you to your knees
Goin’ make your destiny

In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock and roll we trust (it’s rock or bust)
Come on

We hear the siren scream
It sounds so really mean
We like to shake it down
No one to talk it down
We turn the amps up high
The crowd’s gonna hit the sky
Play it fast and loose ‘cos tonight
We’re gonna burn the fuse

In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock and roll we trust, (it’s rock or bust)
Hey, yeah
Somebody else is home?

In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock we trust (it’s rock or bust)
In rock and roll we trust, (it’s rock or bust)

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Muitas vezes falar de um novo disco de uma banda é algo complicado. Requer várias audições e, na maioria das vezes, precisamos até nos "acostumar" com algumas sonoridades estranhas, novas ou experimentais demais. É o caso, por exemplo do último disco do Daft Punk. Apesar de fã incondicional da dupla francesa de música eletrônica, confesso que demorei para gostar tanto de "Ramdom Access Memories" quanto gosto dos discos anteriores. Até hoje, tenho que admitir, há um ou dois trechos do álbum que não me agradam muito e meu preferido ainda é o convencional "Discovery". Isso não quer dizer que Daft Punk é pior que ACDC, de forma alguma. Considero ambos os maiores mestres de suas respectivas área: música eletrônica e hard rock, respectivamente. A questão que quero colocar é: quando há inovação e experimentação, nem sempre a coisa é 100% proveitosa. Quando bem feita é claro, não deixa dúvidas quanto à sua importância no tempo e tenho certeza que, em 50 anos, o disco do Daft Punk será considerado mais icônico do que o do ACDC, mas isso não tira o mérito do novo disco da banda australiana. ACDC é sinônimo de Rock and Roll - talvez a banda que mais consiga se aproximar desse nome enquanto conceito. ACDC tem um estilo próprio, desde seu primeiríssimo disco, o longínquo "High Voltage", lançado há exatos 40 anos atrás. Por todo esse tempo, tendo lançado 16 discos e sofrendo as diversas ações do tempo - baixas de integrantes e até mortes - o ACDC fez nada menos que Rock and Roll. Puro, legítimo. Nunca preocuparam-se em inovar demais ou criar a menor das experimentações alucinógenas. Tudo que eles sempre quiseram foi criar um riff poderoso com uma batida marcante e nos fazer sacudir a cabeça. E sempre conseguiram, isso é fato. Encontraram seu nicho e tudo o que fizeram, desde sempre foi bem feito e inspirador. Quando ouço ACDC sei bem o que quero. Quero a liberdade, a velocidade e a fúria do Rock em guitarras afiadas e vocais rasgados. Não escuto ACDC querendo descobrir o segredo da vida. Para eles o segredo foi revelado há 40 anos e desde então eles vem desfrutando disso, saboreando o poder da vida e a alegria de fazer o que amam: música boa. Digo isso para aqueles que pensam: "trata-se de mais um disco igual aos anteriores". Quem diz isso está certo, mas a questão é que, falando de ACDC temos 16 discos certamente parecidos por seu estilo rápido e enérgico, mas todos - sem exceção - em nível altíssimo de boa música. Eles se nivelaram por cima, sempre. E eu prefiro confiar em "mais um disco parecido " do ACDC do que ouvir o Rock que tenta se reinventar ou ressuscitar os anos 70 sem conseguir obter ao menos uma resga do mesmo brilho - ou um novo brilho próprio.


Gosto de colocar um disco do ACDC pela primeira vez e sentir as pedradas que dali saem, com uma nova forma, uma nova batida, mas que continuam pedradas tão familiares e queridas para mim. Foi assim que ouvi "Black Ice" (2009) pela primeira vez. É assim que ouço agora esse "Rock or Bust". A faixa título é explosiva como seu clipe ou a capa do álbum prometem. Podemos sentir a pulsação meteórica das pancadas combinadas com o riff. Mais um riff, sim, mas esse é o diferencial e o grande segredo do ACDC. Aponte-me uma banda que possui 3 riffs bons em toda a carreira e eu apontarei Angus Young que tem 6 riffs incríveis em cada disco. Um deles está nessa abertura, outro mais à frente em Get Some Rock and Roll Thunder e outro, melhor ainda na explosiva Rock the House. Temos também por todo o disco um Brian Johnson afinado como sempre, encarnando o Rock and Roll como um personagem cheio de atitude, orgulho e liberdade. Destaco a presença do vocalista, bem como dos backing vocals incríveis em Dogs of War, canção que poderia facilmente ser trilha sonora de algum outro filme de super herói, já que o Homem de Ferro 3 resolveu tirar a nossa alegria. A bateria de Phill Rudd e o baixo de Cliff Williams não perdem o entrosamento um segundo sequer e o sobrinho da família Young, Stevie, que entrou para substituir o membro fundador Malcolm Young por problemas de saúde, mostra que a música corre nas veias daqueles australianos que dominam a guitarra como poucos no mundo. O rapaz oferece uma guitarra base, limpa e segura, quase tão boa quanto à do tio. No fim das contas "Rock or Bust" é mais um momento de libertação e euforia provocados pelo ACDC. Não há ponto baixo no disco. Ele está todo em alta, poderoso e efervescente, recheado de solos agudos e pancadas violentas, assim como cada um dos discos anteriores. Sou especialmente suspeito para falar do disco "Stiff Upper Lip" (1996) e do anterior, "Black Ice" que se tornou um dos meus discos preferidos da vida, bem como um dos meus maiores arrependimentos por não poder acompanha-los em turnê quando vieram ao Brasil. Meu consolo é que "Rock or Bust" é quase tão bom quanto o anterior e igualmente bom - ou até melhor que alguns que vieram antes. Como tolo fã e mortal, aguardo agora uma redenção e um show deles no Brasil, quando finalmente poderei ver ao vivo uma das maiores lendas do Rock e da música. Ao invés de gritar "Rock and Roll Train", gritarei feliz e satisfeito: "In Rock and Roll we Trust, It's Rock or Bust!" ;)

"No Rock and Roll nós acreditamos
É sacudir ou arrebentar!"

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