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Pequenina

23/12/2014

Vida curta, emoção grande

O Natal está novamente aí. Ainda que alguns digam que esta é uma festa capitalista e todo aquele papo conspiratório, é inegável que se trata de uma época de reflexão. Se a reflexão é movida pelo dinheiro, temos então que agradecer aos milhões de reais investidos por nos fazerem parar e pensar ao menos uma vez no ano. Essa canção é uma boa meditação para o momento. É do grupo Bajofondo, parte de seu disco "Mar Dulce" de 2007. Segue a letra:




Chiquilines
(Bajofondo/Rios)

Es que la gola se va
es qua la gola se va
es que la gola se va
hoy sólo quedan recuerdos

es que la gola se va
hoy sólo quedan recuerdos
tantas serenatas a la luna
es que la gola se va

chiquilines en la vida
hay que vivir el momento
que no se juegan descuentos
para sacar lo de adentro

aunque a veces todo duela
y hasta el alma se te casque
el corazón gana siempre
cuando por fin despertaste
la voz, los días, las penas
se van por la misma senda,
las penas que sean de otros
y la dicha del que aprenda

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Prepare-se para uma obra-prima. Essa é uma canção que, caso fosse uma pintura, merecia uma moldura majestosa e um lugar de destaque na melhor sala do museu. Se fosse um prato de comida seria aquele jantar à luz de velas na cobertura de um prédio na Europa, preparado por um cheff apaixonado pelo que faz. É uma canção nobre, requintada, delicada e apaixonante. A voz da cantora uruguaia Lágrima Rios é grande responsável por tudo isso. Essa senhora tem uma voz marcante, rouca e delirantemente envelhecida. Como diria Patrick Rothfuss, a voz bem cuidada é uma das poucas coisas que só melhora com o tempo. Rios tem uma voz que carrega dores e vitórias, saudades e amores. Ela é praticamente um Johnny Cash versão mulher latina. O tom nostalgico da cantora é o tempero secreto do cozinheiro. Ela canta como aquele personagem já bem vivido, talvez próximo da morte, mas que faz uma rápida análise da vida como um todo - sem expectativas, sem remorsos. Quanto mais velhos ficamos, creio, menos nos importamos com detalhes mesquinhos, outrora tão prioritários. O que importa no final é, como diriam os Beatles, "o amor que você ofereceu". Com isso em mente, nossa sábia mestra declama: "a voz de esvai e só ficam memórias". Ao fundo temos uma instrumentação incrivelmente bela, composta pelo piano, bateria e efeitos eletrônicos. A mistura entre o riff e a voz de Lágrima é algo digno de ficar horas ouvindo. Em certos momentos há ainda violinos que aparecem gloriosamente para dar ainda mais peso e força para a canção. Após um bom momento de viagem, Lágrima acrescenta mais uma frase emocionante: "Tantas serenatas para a lua". Podemos nos sentir quase fisicamente na pele desse personagem, sentado em sua poltrona, observando o fogo com um olhar perdido, imerso em momentos passados, numa glória de tempos idos e que deixaram uma vontade de viver ainda pairando enlouquecida. Os versos finais são um show à parte e merecem estar escritos permanentemente na pele ou na parede, para que sejam lidos todos os dias:

"Pequenina é a vida, temos que viver o momento
(...)
Embora as vezes tudo dói e até a alma se canse,
O coração deseja sempre quando por fim está desperto.
A voz, os dias, as lamentações se vão pelo mesmo caminho.
Que as lamentações sejam de outros
E a felicidade daquele que aprende"



Enquanto a marcante voz de Rios declama cada verso com paixão, a banda Bajofondo mantém a viagem em níveis celestiais e dignos de se tornarem eternos. Como dito antes, o Natal é uma época de reflexão, então vale a pena, assim com o grupo argentino, refletir sobre o que fizemos de bom e de mal neste ano. Que, potencializados pela voz de Lágrima Rios, possamos levar ao próximo ano apenas as felicidades e alegrias das nossas boas realizações. Já as más, devem ser analisadas e que sirvam de lição para que, no futuro, sejamos mais firmes contra nosso lado ruim. Reconhecer nossos erros é parte importante no caminho da felicidade. Mas deixar-se morrer pelo arrependimento é improdutivo. Não cultive lamentações. Remoer um erro passado é perda de tempo, uma vez que o passado não pode ser alterado. O que pode e deve persistir é o aprendizado que podemos tirar de cada situação vivida, seja boa ou ruim. E que essa experiência nos traga cada vez momentos mais felizes e proveitosos para o nosso bem e o bem do mundo como um todo ;)

Feliz Natal à Todos!

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