Mais um livro do Andarilho

Estrangulamento

21/10/2014

Nunca ficar sem ar foi tão bom

Você sabe quem é Ted Nugent? Eu também não. Jamais havia ouvido falar no cidadão até o dia em que escutei a trilha sonora do filme "Rockstar", que por sinal é algo indispensável na prateleira de quem ama Rock and Roll. Pois bem, no meio da audição fui abduzido para uma dimensão paralela, cheia de jogos de luzes e cores. Quando voltei, meio desnorteado, descobri que o responsável tinha sido o tal Ted Nugent, um músico americano famoso por suas polêmicas envolvendo a caça e sua linha de pensamento tradicionalista, para não dizer misógino. Mas com relação ao seu lado guitarrista não há controvérsias: o cara é realmente bom. Essa canção faz parte do seu disco de estréia "Ted Nugent", lançado em 1975. Segue a letra:




Stranglehold
(Nugent/Holmes/Grange/Davies)

Here i come again now baby
like a dog in heat
tell it's me by the clamor now baby
i like to tear up the street

and i been smokin for so long
ya know im here to stay
got you in a stranglehold baby
you best get outta the way

road i cruise is a bitch now baby
but no you cant turn me round
and if a house gets in my way baby
ya know im tearing it down

you ran the night that you left me
you put me in my place
i got you in a stranglehold baby
you gonna cross your face
yeah

sometimes you wanna start higher
and sometimes you gotta start low
some people think they gonna die someday
i got news ya never got to go

c'mon c'mon up
c'mon c'mon c'mon c'mon baby
c'mon c'mon c'mon c'mon up
c'mon c'mon c'mon c'mon baby
c'mon c'mon c'mon

road i cruise is a bitch now
ya know ya cant turn me round
and if a house gets in my way
ya know im burnin it down

ya ran the night that you left me
you put me in my place
i got you in a stranglehold baby
you gonna cross your face

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

O lado bom dos anos 70 foi a criação do que chamamos hoje como "viagens" musicais. As bandas daquela época, seja movidas por drogas ou por um momento de elucidação coletiva resolviam colocar em notas e acordes todo o espírito de paz e amor, de luta contra as guerras, da loucura e da aceitação que permeavam aqueles anos. Stranglehold é um exemplo do que há de melhor nesses momentos em que apenas a música é capaz de contar o que há no coração e na mente. A canção começa com uma levada bem Hard Rock - um riff simples eficiente - como bem fazia o Led Zeppelin quando queria. Nugent declama versos sobre paixão, amor e o estrangulamento do título que é na verdade um ato desesperado de um jovem cheio de ânimos e hormônios à flor da pele de manter a garota amada por perto. A letra em si não é tão importante quando o que a banda faz. Após as primeiras estrofes - bem cantadas, é verdade - dá-se início à um momento de surrealismo sonoro. Não o tipo de surrealismo que criou os barulhos de Whole Lotta Love do Led Zeppelin ou Revolution 9 dos Beatles. É um tipo mais precioso e bonito de surrealismo, justamente porque mantém, ali numa das linhas escondidas uma harmonia absurdamente boa - o pano de fundo para a doideira que acomete à guitarra principal. É o tipo de momento único que, por exemplo, aparece em Do You Feel Like I Do de Peter Frampton, Ramble Tamble do Creedence ou Johnny the Fox do Thin Lizzy. Não por acaso todas essas bandas contam com um guitarrista altamente capaz, dono de uma mente pouco acostumada com os limites impostos pela caixa craniana. No caso de Stranglehold o clima denso e lento formado pelo baixo e bateria tornam a viagem mais pesada e envolvente, enquanto Nugent tira notas de sua guitarra capazes de fazer cego enxergar e surdo ouvir. Ou mais precisamente, faz aquele que está morrendo asfixiado voltar a respirar com facilidade. O solo termina com uma virada que traz um riff e uma bateria mais acelerada, apresentando assim a terceira e última parte da obra, onde o cantor repete versos apaixonados e raivosos e a pancadaria continua solta na bateria. É uma música tão boa quanto um sanduíche daquela velha hamburgueria tão querida no bairro. Os pães são bons, mas o que está no meio é o não deixa ninguém duvidar da maestria na cozinha do Seu Chico. Só cuidado para não engasgar, mas caso isso aconteça, o milagre de Stranglehold pode ainda te salvar ;)

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