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Garoto do Campo

12/10/2014

Pessoas que marcam lugares especiais

Todos sabem do meu amor pelas praias e pelo mar. Se fui algum animal em vidas passadas foi provavelmente um peixe, dado meu problema de asfixia que ainda me acomete, caso permaneça muito tempo longe da água. Mas, como vamos amadurecendo como um bom vinho, ultimamente tenho que admitir que o cenário campestre tem me chamado atenção e despertado meu apreço. Boa parte da culpa disso são as pessoas que vivem no campo e no interior, donas de um coração humilde, sorriso rápido e sotaque delicioso. É para essas pessoas que escrevo hoje ao som de ninguém menos que Lynyrd Skynyrd e essa pedrada do disco de 1975, "Nuthin' Fancy". Segue a letra:




Country Boy
(Collis/Van Zant)

New York City is a thousand miles away
And if you ask me, Ill tell you, Thats okay
Well, Im not trying to put The Big Apple down
They dont need a man like me in town

Well, I pick cotton down on the Dixie Line
I work all day just tryin to make a dime
But thats alright, thats okay by me
Cause thats the way that it was meant to be

Big city, hard times dont bother me
Im a country boy, Im as happy as I can be

I dont like smoke chokin up my air
And some of those city folks, well they dont care
I dont like cars buzzin' around
I dont even want a piece of concrete in my town

Well, I, I like sunshine, fresh clean air
Makes me feel like, well, you wouldnt care
But thats alright now, each to his own
But one smell from the city
And this country boy is gone

I said, big city, hard times never bother me
Im a country boy, Im as happy as I can be

Well, I dont wanna even read about it

Let me tell you somethin', let me tell you true
Whats right for me might not be right for you
Well, you live your way, Ill live mine
An' I hope that you're happy all the time

But I pick cotton down on the Dixie line
I work all day tryin to make a dime
But thats alright, thats okay by me
Cause thats the way it was supposed to be

Now big city, hard times never bother me
Im a country boy, Im as happy as I can be

Let me tell ya

I said, big city, hard times never bother me
Im a country boy, Im as happy as I can be

Ooh, thats my way, baby
I dont want you to even tell me about the big city
I dont want to read about it

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Viajar é bom. Todo mundo sabe. Ver paisagens novas, conhecer a cultura local e, principalmente, provar a comida típica da região são atividades que trazem alegria e muitas fotos à qualquer um. Mas o melhor de viajar, creio, é encontrar pessoas. Pessoas bonitas, pessoas engraçadas. Algumas são diferentes, outras estranhas. Umas riem muito, outras jamais. Uns falam rápido, pouco interessados se o ouvinte compreende o idioma. Outras falam com a calma e tranquilidade de um tradutor profissional. Umas são hospitaleiras, outras querem seu sangue. Alguns vendem coisas. Alguns realmente vendem muitas coisas. Umas senhoras são baixinhas e enrugadas. Já alguns dos jovens podem ser mais altos que seu amigo que você apelidava de "Yao-Ming". É possível encontrar gente na praia trabalhando mais do que os conhecidos da cidade. E há pessoas no campo mais estressadas que qualquer trabalhador urbano. O mundo é grande e a beleza está em todo lugar. As pessoas são parte do tesouro que é viajar. Em meio há tanta diferença, quem presta um pouco de atenção, se maravilhará ao encontrar tantas semelhanças em meio à gente que vive tão longe. É bonito de ver como, se olharmos bem dentro do olhos de um cidadão do outro lado do mundo, poderemos enxergar um amigo lá da rua de casa. No sorriso de um vendedor de bananas oculta-se o semblante do seu pai. É a prova viva de que somos todos uma grande família. O grande e velho ensinamento - e talvez um dos únicos que realmente importe - de que Deus é o pai e somos seus filhos, destinados à compartilhar essa grande escola chamada Terra. Nosso desafio é aceitar e respeitar as diferenças - tantas diferenças, mas que quando apreciadas com carinho tornam o desafio um verdadeiro delírio. Aprendi, assim, a gostar do campo, tanto quanto amo a praia e a não viver sem ele como não vivo sem a cidade.


No campo encontro pessoas tranquilas, atarefadas, cuidando de suas vidas, orgulhosas de suas terras. Subestimadas pela cidade, mas, no fundo, pouco interessadas em fazer parte do caos e da sujeira. Como o Lynyrd Skynyrd diz com suas guitarras sempre afiadíssimas e um balanço incrível: "Cidade grande, os problemas nunca me afetam. Sou um cara do campo e sou tão feliz como poderia ser". Cheio de si por seu lado caipira, Van Zant declama sobre as diferenças que tornam seu espaço tão especial. O trabalho duro no campo de algodão, o ar puro das árvores e a felicidade na simplicidade são coisas que ele não troca por nada. O cara da cidade também não troca por nada a mobilidade e a conveniência. Talvez os praieiros também não troquem por nada o pôr do sol no mar e a maresia. Já o viajante, o qual sina é estar em todos esses lugares por tempo suficiente para amá-los mas não o bastante para ser absorvido por eles, sabe olhar para tudo isso com a contemplação que cada situação merece. Ele olha, vê o amor do rosto de cada um que fala de sua cidade e compartilha seu carinho por um momento. O viajante talvez seja uma pessoa eternamente dividida, amante do todo ao invés do pedaço. Mas ele não se importa com isso. Quando a saudade bate, ele pega a estrada e vai encontrar lugares e pessoas que lhe farão tão bem naquele instante. E logo se vai de novo, renovado e feliz ;)

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