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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Vida de Cigano

23/08/2014

Um amor de vida

Se a vida fosse um imenso jogo de RPG e você pudesse dizer à Deus, antes de nascer, que tipo de pessoa gostaria de ser, o que você escolheria? Colocaria alguns pontos em atributos físicos e seria um atleta olímpico profissional? Ou gastaria todo o cacife em inteligência para ser um astronauta ou cientista? Ou ainda, apelaria para o carisma para ser um líder nacional ou ator de Hollywood? No meu caso, por mais que opções tecnológicas ou de destaque na sociedade sejam tentadoras, iria acabar optando por algo simples. Simples como as melhores coisas da vida. Um cigano. O motivo você descobre ao ouvir a canção abaixo com atenção. É do Gypsy Kings, como poderia supor-se, parte do disco




Soy
(Chirino/Kings)

La mujer que me queria
No la puedo comparar
A la madre de mi nino
La que tanto amo yo
Yo le canto a mi familia
Con todo mi corazon
Y contento de cartarles
Vamonos

Y porque gitano soy
Como lo pienso voy
Es un amor
Mi vida

Eres tu todo mi vida
Eres todo mi illusion
La mujer que yo camelo
Es por ella que yo vivo

Es por eso yo te canto
Con todos mi corazon
La alegria de cantarle
Vamonos

Y porque gitano soy
Como lo pienso voy
Es un amor
Mi vida
Y porque gitano soy
Como lo pienso voy
Es un amor
Mi vida

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Viver como um cigano pode soar pouco convidativo à maioria das pessoas desse mundo, acostumadas com modernices como entrevistas de emprego e cartões de crédito. Mentes mais desapegadas podem ver na aparente probreza e falta de luxo uma beleza singular na vida. Ser um cigano, imagino eu, é valorizar mais as pessoas do que o status. Imagine. Você acorda todos os dias rodeado da sua família - uma grande e bonita família - cheia de primos, cunhados e agregados que formam seu pequeno povoado itinerante. Você ganha sua vida comercializando o que tem, como um bom e velho latoeiro, oferecendo suas habilidades místicas e esotéricas aos poucos que ainda acreditam na magia ou, se você for bom o bastante, fazendo música. E o melhor disso é: a cada semana você e seu círculo de amigos e familiares encerram os dias pousando os olhos em um horizonte diferente. Melhor ainda, o horizonte é permeado pelos seus cumparsas cantando e dançando e pela música cigana, rápida e intrépida - a trilha sonora de uma festa daquelas. Não uma festa normal com boa bebida e canções bacanas. Uma festa cigana é algo tão majestoso e especial que deve ser daí que se originou a palavra "festa". Todas as festas do mundo são apenas um reflexo do que seria uma festa cigana ao redor da fogueira. Está feito. Uma vida perfeita. Uma boa escolha para o seu jogo. Deus ficaria orgulhoso. Uma bom equilíbrio entre a espiritualidade, o misticismo e a crença na vida. Garanto que você não sentiria falta do Facebook, do celular ou do Imposto de Renda. Ciganos não tem luxúria. São imunes ao pecado da inveja, pois tudo o que têm é de todos. Não alimentam o ego, pois não precisam impressionar ninguém. Toda a família é por si só suficiente e completa. O que mais você precisaria? Caso meus argumentos não sejam convincentes o suficiente para abrir sua mente numa próxima encarnação, basta dar o play nessa obra do Gypsy Kings. As guitarras falam por si só com sua velocidade altíssima, comparável em poder somente à perícia do guitarrista. A técnica cigana de guitarra é um prato cheio: várias vozes, acordes rápidos e Rasgueos incríveis. Como se não bastasse, a voz de Nicolas Reyes declama uma poesia tocante e que exalta ainda mais o estilo de vida dos viajantes. Ele diz no refrão com sua voz rouca e passional: "E porque cigano eu sou. Por onde penso, vou. É um amor de vida". Não há forma de expressar melhor a liberdade intocável e a paixão pelas estradas da vida do que com esses versos rápidos, emocionantes em uma canção que te fará cantar e acreditar na beleza do mundo. Os ciganos são um povo que, diferente do restante da humanidade, ainda encontram milagres divinos na simplicidade de uma canção, na amizade incondicional e no batuque de um violão. Por onde sopra o vento, eles vão. E quando vão acontece o mesmo que quando acaba essa obra do Gypsy Kings. Fica um vazio amargurado e uma vontade de segui-los, para onde quer que seja ;)

2 comentários:

Claudia C.Silva disse...

Lindo texto, Felipe! A música é maravilhosa! Bj

Felipe Andarilho disse...

Que bom que gostou tia! Fico feliz!

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