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Inacreditável

09/05/2014

O tesouro que fica depois que o Pop passa

Como tudo na vida tem um lado bom e outro ruim, com as rádios australianas não poderia ser diferente. O primeiro ponto fraco das emissoras daqui é a ausência de uma rádio ou programa que toque um bom e velho Rock and Roll. Até existe uma auto-denominada Rádio Rock - A 96,1 FM - porém as canções antigas e de qualidade que eles tocam são uma minoria permeada entre milhões de canções pop que tocam todos os dias em todas as rádios. Outro problema é o excesso de conversação. Aqui, os locutores gostam de uma boa prosa e ficam lá, dois ou três deles, discorrendo sobre a vida ou rindo das próprias piadas enquanto permanecemos sedentos por uma única musiquinha para nos distrair. O lado bom, porém são as surpresas revividas que eles trazem. Repentinamente, em meio às mais novas modinhas de meninas de cabelo colorido e garotos de franjinha e voz fina, vira e mexe somos presenteados com uma pérola dos anos 80, 90 e 2000. É o caso dessa canção, um marco nos anos 90 que colocou o grupo EMF na história. Segue a letra:




Unbelievable
(EMF)

You burden me with your questions
You'd have me tell no lies
You're always asking what it's all about
But don't listen to my replies

You say to me I don't talk enough
But when I do I'm a fool
These times I've spent, I've realized
I'm going to shoot through
And leave you

The things, you say
Your purple prose just gives you away
The things, you say
You're unbelievable

You burden me with your problems
By telling me more than mine
I'm always so concerned
With the way you say
You've always go to stop
To think of us being one
Is more than I ever know
But this time, I realize
I'm going to shoot through
And leave you

The things, you say
Your purple prose just gives you away
The things, you say
You're unbelievable

Seemingly lastless, don't mean
You can ask us
Pushing down the relative
Bringing out your higher self
Think of the fine times
Pushing down the better few
Instead of bringing out the clues
To what the world and everything anger to
Brace yourself with the grace of ease
I know this world ain't what it seems.

(You're unbelievable)
You burden me with your questions
You'd have me tell no lies
You're always asking what it's all about
But don't listen to my replies

You say to me I don't talk enough
But when I do I'm a fool
These times I've spent, I've realized
I'm going to shoot through
And leave you

The things, you say
Your purple prose just gives you away
The things, you say
It's why I love you more
The things, you say
Your purple prose just gives you away
The things, you say
You're unbelievable

You're so unbelievable

You're unbelievable

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

O cenário Pop é ingrato. Ele seduz à todos com suas promessas audaciosas de fama, dinheiro e sexo, mas guarda para si o preço. Ele só mostra a conta no final. E é implacável na cobrança. Milhares de bandas e artistas sonham em pertencer ao Pop. Deslumbrados com um mundo colorido de possibilidades, esses pobres desavisados arranjam logo um produtor mercenário, um empresário ganancioso e logo deixam de agir por conta própria, passando a serem apenas mais um produto, irresistível com certeza, mas previamente embalado e pronto para consumo e, consequentemente, o descarte. O Pop é rápido. Apaixona e enjôa com a mesma velocidade com que grava milhares de cópias que logo serão discos de platina, minutos antes de serem esquecidos atrás do armário. Não há escapatória no Pop. Se você entrar, vai ter que encarar as consequências. Muitas vezes elas são dolorosas. É preciso ter jogo de cintura para revidar o jogo do Pop. Os Beatles conseguiram. Pagaram o preço de nunca mais se apresentar ao vivo. Mas saíram, de forma geral, inteiros. Outros artistas preferem o caminho mais árduo. Vão pelas beiradas. Conquistam o underground, de onde serão para sempre reis e rainhas do submundo estampados em camisetas e pichados nas paredes. É o caso de Bob Dylan, The Cure, David Bowie. Mas nem todos tem a mesma sorte. Artistas com menos estrutura ou amigos não se saíram tão bem. EMF foi um desses grupos abraçados pelo Pop como se fossem relíqueas de outro mundo, mas que logo foram substituídos por outro grupo similar, mas com um novo hit na carteira. EMF eternizou-se por Unbelievable. Pagou ao Pop o preço pela grandiosidade dessa canção, jamais conseguindo outro êxito na vida. Nós ouvintes sabemos como funciona. Sabemos que, num mundo em que Lady Gaga já é coisa do passado, não vale a pena se apegar. É por isso que aprecisamos Unbelievable como se não houvesse amanhã. Fingimos que o EMF ainda estava no auge. Ignoramos sua triste sina. Convencemos à nós mesmos por dois ou três minutos que eles logo lançarão hits com a mesma potência que o grito que abre essa canção. Sentimos com percepção única o riff de guitarra e o piano selvagem que embaralham nossas mentes e nos deixam com vontade de dançar até cair. Cantamos junto com o vocalista e sua voz suave, pouco condizente com o emaranhado de sons, misturas e ondas que há por trás. Mas quando ele chega no refrão tudo se resolve. O grito "Ooooooow" aparece de novo e o refrão nos sai dos pulmões como se víssemos água pela primeira vez depois de uma semana no deserto. "You are unbelievable" eles dizem e já estamos em puro transe. Ao final da canção, há ainda um solo enfurecido, potencializado pelos efeitos sonoros e remixes. Coisa de quem sabia que estava fazendo. E o grito está sempre ali. O refrão também. Uma exclamação para si própria. A música tem tanto poder para contagiar o ouvinte com energia e felicidade que a melhor descrição que podemos dar à esse soro sagrado é sua própria tradução: Inacreditável! ;)

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