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[NA ESTRADA] País Tropical

27/02/2014

Férias no melhor lugar do mundo: em casa

É, amigos... Minha passagem por minha terra natal chegou ao fim. Cá estou novamente do outro lado do mundo, na terra dos Cangurus, de arbustos e desestros. De coração partido - metade ficou com a família e amigos - sigo renovado para encarar mais um semestre de trabalho, aprendizado e viagens por essas terras. As férias em casa foram as melhores que tive na vida e por isso o texto de hoje faz uma homenagem à minha casa tão abençoada. Não podia ser com outra canção que não essa do Jorge Ben, lançada em 1969 no disco que lva o nome do músico. Segue a letra:




País Tropical
(Ben)

Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza

Sambaby
Sambaby

Sou um menino de mentalidade mediana
Pois é, mas assim mesmo sou feliz da vida
Pois eu não devo nada a ninguém
Pois é, pois eu sou feliz
Muito feliz comigo mesmo

Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza

Sambaby
Sambaby

Eu posso não ser um band leader
Pois é, mas assim mesmo lá em casa
Todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam
Pois é, essa é a razão da simpatia
Do poder, do algo mais e da alegria

Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê
Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê

Do meu Brasil

Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza
Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Até esse ponto da minha vida eu tinha tido poucas férias na vida. O problema daquele que troca de emprego como quem muda de cueca é que se torna difícil sair de férias, já que elas demandam pelo menos um ano e mais algumas negociações para acontecerem. Dessa forma, só tive um período de férias há uns 5 anos atrás. Fiquei tão atônito que nem soube o que fazer. Acabei nem viajando muito. Há, é claro, quem considere a vida na Austrália como férias permanentes no paraíso. Infelizmente não faço parte desse seleto grupo. Estou naquele dos modernos escravos do primeiro mundo. Tirando a escapada que me levou quase que involuntariamente para a Nova Zelândia, esse mês de fevereiro foi o que abrigou as minhas férias depois de tanto tempo. E decidi usá-las da melhor forma. Escolhi o melhor destino possível: minha casa. Depois de um ano fora, chegou a hora de finalmente rever pessoas e lugares especiais. Amyr Klink não poderia estar mais certo quando disse que o homem precisa viajar e sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. A vida na Austrália mudou completamente minha percepção do meu país e da minha casa. Lugares antes tão comuns se tornaram alvo das minhas fotos mais caprichadas. Nunca tinha parado para olhar com a atenção que os prédios do centro de São Paulo merecem. A beleza claustrofóbica dos prédios antigos e das ruas abarrotadas de pessoas finalmente me captou por seus detalhes trabalhados e elegantes. A Avenida Paulista, que sempre teve meu apreço, agora se tornou definitivamente o Melhor Lugar do Mundo no meu coração. Nem Perth, nem Melbourne, nem Auckland, nem Wellington tem alguma avenida com aquele mesmo espírito alegre e apressado, formal e rebelde ao mesmo tempo. O lugar perfeito para um happy hour com os amigos. Várias vezes, foi o que eu fiz. Ali perto, na Augusta, voltei brevemente para minhas tão caras aulas de boxe. As aulas dinâmicas do mestre, somadas ao companheirismo dos colegas tornaram cada soco um novo aprendizado. Voltei para cá não só mais ativo, como também com uma dor na costela - presente do meu irmão - que a cada pontada me lembra que eu estou vivo e pronto para as batalhas. Nem só de agressividade vive o homem. Fui parar em aulas de Ioga e dança ao lado da minha mãe que me alimentaram o espírito e bom humor. Ao lado do pai novas atividades também surgiram como o aeromodelismo e um dia de trabalho no meio das férias, acredite se quiser. O casamento do irmão - e real motivo dessas férias - foi o ápice da felicidade de todos. Tudo eram cores, músicas, choros e risadas. Andanças não faltaram pelas ruas ensolaradas e maltratadas sob um calor forte e delicioso do verão paulista. Como não posso ficar parado, peguei a estrada duas vezes. Ambas em direção ao litoral. Riviera com os amigos e Guarujá com a família ganharam ainda mais olhares dedicados e carinhosos depois de tanto tempo longe das praias brasileiras. Muitas pessoas acreditavam que eu jamais sentiria falta do litoral paulista, devido ao cenário paradisíaco oferecido pelas praias australianas. Não poderiam estar mais erradas. Para todos que perguntaram eu disse o mesmo: de que adianta uma praia maravilhosa com mar azul turquesa e areia branca límpida circundada por uma vegetação de abustos nunca antes pisados se não há pessoas ali para desfrutarem daquilo? A beleza das praias australianas é marcada pela solidão. Se há pessoas, são poucas, espalhadas, isoladas. Não há guarda-sóis aqui. Não há quiosques, nem música alta. Não há cerveja, nem água de côco. Nem mesmo cadeiras de praia. É você e o mar, sem ninguém para atrapalhar, mas ninguém para compartilhar também. Já o bom e velho Guarujá, mesmo banhado por uma garoa insistente, estava lotado de pessoas, sorrisos, cachorros e crianças. A praia é mais feia, sim. Mas é também mais viva, mais alegre. Entre uma companhia linda e apática e uma que é só bonitinha, mas cheia de um espírito aventureiro e enérgico eu fico com a segunda opção. Moro num país tropical, como disse Jorge Ben, bonito por natureza e abençoado por Deus com pessoas felizes ao seu modo simples de ver a vida. Somos guerreiros e dominamos a arte de fazer o melhor com o pouco que temos. Conseguimos ver a vida em sua total beleza, não importando o quão ruim a situação atual possa estar. Nada faz perder a graça. Somos comediantes, prontos à fazer piada com o menor dos problema da vida. Os grandes então, se tornam épicas comédias. Essa é nossa sina - nossa benção e nossa maldição. Rimos porque somos felizes e rimos para não chorar. Temos um governo terrível e a exploração inescrupulosa deles pode tirar até nosso último centavo, mas jamais vai tirar nossa alegria de viver. Essa é a nossa vingança. Ainda assim, depois de tudo, morreremos felizes. "Sou feliz comigo mesmo, pois não devo nada a ninguém", disse o Ben, brasileiro que sabe o que diz. Nessas férias me tornei mais fã do meu próprio povo. Somos um povo amigo e como finaliza Jorge Ben: "Lá em casa todos meus amigos me respeitam. Pois é, essa é a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria" ;)


Salve o Brasil. Nos vemos em breve!

5 comentários:

Fabio CS disse...

É isso mesmo e que alegria nos deu com sua presença, atenção e carinho, já estamos com saudades. Um beijo e um abraço. Sucesso.

Ieda Dias disse...

Falou bonito Felipe...bjos bjos e virei freguesa
ieda
http://www.oquevivipelomundo.blogspot.in/

Claudia C. Silva disse...

Felipe, fiquei feliz com as suas reflexões sobre a experiência lá na Austrália e o retorno ao Brasil. Vejo que colocou tudo em perspectiva. Saudades e toda a sorte para vocês nesta 2a. etapa!

Kátia Flávia disse...

Já estamos sentindo saudades, mas podemos nos confortar com seus escritos cada vez mais deliciosos e inspiradores. Salve o povo brasileiro!!! Bjs. meu lindo.

Felipe Andarilho disse...

Obrigado pelos comentários gente!! Muito bom rever vocês e não vejo a hora de curtirmos de novo!!

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