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Em casa de novo

24/01/2014

Belas percepções que só aparecem quando voltamos pra casa

Como os ciganos, andarilhos e vagabundos ensinaram, eu saí pela estrada para ver o mundo. A maior das minhas viagens começou há quase um ano atrás, quando decidi ir morar na Austrália. Depois de tanto tempo, tantas aventuras, chegou a hora de visitar minha terra natal novamente. Se a emoção de viajar e enfrentar o desconhecido é grande, voltar para sua casa tão amada é algo totalmente diferente, mas igualmente incrível. Para descrever essa parte da viagem, nada melhor do Blackmore's Night e uma canção do disco "Fires at Midnight", lançado em 2001. Segue a letra:




Home Again
(Blackmore/Night)

I've been many places
I've traveled 'round the world
Always on the search for something new
But what does it matter
When all the roads I've crossed
Always seem to be back to you…

Old familiar faces
Everyone you meet
Following the ways of the land
Cobblestones and lanterns
Lining every street
Calling me to come home again

Dancing in the moonlight
Singing in the rain
Oh, it's good to be back home again
Laughing in the sunlight
Running down the lane
Oh, it's good to be back home again

When you play with fire
Sometimes you get burned
It happens when you take a chance or two
But time is never wasted
When you've lived and learned
And in time it all comes back to you…

Old familiar faces
Everyone you meet
Following the ways of the land
Cobblestones and lanterns
Lining every street
Calling me to come home again

Dancing in the moonlight
Singing in the rain
Oh, it's good to be back home again
Laughing in the sunlight
Running down the lane
Oh, it's good to be back home again

And when I got weary
I'd sit a while and rest
Memories invading my mind
All the things I'd treasured
The ones I'd loved the best
Were the things that I'd left behind…

Old familiar faces
Everyone you meet
Following the ways of the land
Cobblestones and lanterns
Lining every street
Calling me to come home again

Dancing in the moonlight
Singing in the rain
Oh, it's good to be back home again
Laughing in the sunlight
Running down the lane
Oh, it's good to be back home again

Dancing in the moonlight
Singing in the rain
Oh, it's good to be back home again

Dê o play e comece a viagem...



Vamos à andança...

Sim, Fernando Pessoa estava certo: navegar é preciso. Jack Kerouac também: cair na estrada - mesmo sem destino - é a melhor coisa a se fazer na vida. O Made in Brazil, os Gypsy Kings e Fernando Noronha... Todos eles estão certos: vale a pena ser um viajante nessa vida. Mas todo bom viajante sabe que, acompanhando a emoção de viver o incerto e abraçar o desconhecido está um sentimento igualmente intenso e poderoso que aflora ao regressar para casa. A matemática ajuda na exposição desse sentimento. Quanto maior o tempo fora, proporcional será o tamanho da emoção ao voltar pra casa. Voltei da Austrália após 11 meses e, apesar desse tempo não ser nada comparado às grandes odisséias que tanto me inspiraram, posso assegurar que é tempo suficiente para amar ainda mais meu lar e as pessoas que nele habitam. Seguindo a mesma fórmula podemos dizer que quanto maior o tempo fora, maior a percepção de pequenos detalhes que fazem grande diferença na vida. O equilíbrio é fundamental. Assim como água precisa de fogo e preto precisa de branco, a viagem precisa do lar e o lar precisa da viagem. Uma vida bem balanceada deve colocar em ambos os lados da balança boas doses de paisagens, estradas, pessoas e lugares, assim como velhos amigos, familiares, lugares preferidos e um bom cantinho em casa para descansar. Pude sentir minha casa logo que saí do avião. O próprio ar de São Paulo é único e indescritível, mas só pude percebê-lo ao respirar por tanto tempo um ar diferente que vem dos desertos e dos mares do outro lado do mundo. A partir daí pequenos detalhes, outrora tão banais, foram os responsáveis por abrirem sorrisos largos em meu rosto. Uma cerveja Skol de garrafa grande tão gelada quanto o calor da cidade pede. Um atendente de loja falando a mesma língua que você. Uma televisão ligada num antigo canal raramente assistido, porém tão familiar. A pia do banheiro um pouco mais baixa do que você esperava. Sua velha coleção de CDs, tão grande que até te deixa surpreso por um momento. Isso sem falar no sorriso dos seus pais, no abraço apertado do seu irmão, na voz suave da sua vó. Tudo ao vivo e a cores. Todas essas coisas se ganham um apreço inexplicável quando nos privamos delas por tanto tempo. É como ensinou Braz Cubas: maltrate seus pés, deixe-os em botas apertadas o dia inteiro, pois quando você retirá-las sentirá o maior prazer desta vida. Viaje e, além de tudo o que você aprenderá e descobrirá; além de tudo o que conhecerá dentro e fora de si próprio, fará com que o que já era seu seja ainda mais especial na sua volta. É como diz o Blackmore's Night nessa belíssima canção de ritmo dançante e alegria festiva que só o bom retorno pode propôr. Candice Night diz com sua voz agradável e suave: "Estive em muitos lugares, viajei ao redor do mundo, sempre procurando algo novo. Mas isso não importa quando todas as estradas que eu cruzei parecem me levar de volta pra você". Aqui há uma virada onde o violão do Mestre Ritchie Blackmore, antes dedilhado com suspense solitário agora se junta à outros instrumentos numa virada mais rítmica. Sua amada diz: "Velhos rostos familiares, todos que você conhece, seguindo os caminhos da terra. Paralelepípedos e lanternas permeando todas as ruas me chamando para voltar pra casa". Nesse ponto Night estende a última palavra num convite ao estouro da festa. Nesse ponto todos os bardos da região se juntam, todos os bares se iluminam, todas as pessoas dão risada e dançam em cima das mesas. A voz se torna um coro de uma multidão e a instrumentação o fundo de uma festa encantada pelos deuses. Eles gritam: "Dançando à luz da lua, cantando na chuva! Oh, é tão bom estar em casa de novo. Rindo à luz do sol, correndo pelos becos, é tão bom estar de volta". Após a repetição e mais descrições preciosas do sensível retorno ao lar, há um trecho instrumental que só serve para nos levar para cada pedaço dessa festa cheia de alegria e amor, promovida por aqueles que amam e aguardavam ansiosamente o retorno do viajante. À este, só cabe agora relaxar e se deixar levar por toda boa vibração que flui ao seu redor, admirando com novos olhos o que já lhe era caro, descobrindo o que agora há de novo aqui e percebendo, sob a benção de Deus, que, como disse Dan Millman, "embora tudo tenha mudado, nada mudou" ;)

5 comentários:

Ana Cristina disse...

LIndo texto embalado por esta ótima música!
Seja bem- vindo querido Felipe!

Anônimo disse...

É um encantamento ler os seus textos tão bem escritos, principalmente quando estamos vivendo junto os seus sentimentos. Bjs. meu querido e bom retorno.

Kátia Perazza disse...

É um encantamento ler os seus textos tão bem escritos, principalmente quando estamos vivendo junto os seus sentimentos. Bjs. meu querido e bom retorno.

Paula Alvarez disse...

Sábias palavras e ótimo texto!

BEM-VINDO DE VOLTA!!!

:D

beijãozão :*

Andarilho disse...

Obrigado gente!! A saudade é o que torna a volta pra casa ainda melhor!! Beijao!

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