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Louco

09/01/2014

Deus me livre de ser normal

A canção na qual viajaremos hoje é parte importante da trilha sonora da minha vida na Austrália. Ironicamente, assim como os Orishas, a canção é latina e cantada em espanhol. Não posso deixar de sorrir e olhar pra cima ao imaginar como canções geograficamente tão próximas do Brasil só vieram aparecer na minha vida aqui do outro lado do globo. É parte da vasta discografia de Andres Calamaro, músico argentino pouco conhecido no nosso país e, portanto, sua aparição é ainda mais honrosa. O disco que carrega a canção chama-se "Alta Suciedad" e merece uma audição completa. Além de um ótimo ritmo a obra de hoje põe na mesa uma reflexão importante sobre a vida. Me foi apresentado pela minha pequena Alexita e, desde então, não fica uma semana sem ser tocada pelo menos uma vez. Segue a letra:




Loco
(Calamaro)

Voy a salir a caminar solito
sentarme en un parque a fumar un porrito
y mirar a las palomas comer el pan que la gente les tira

Y reprimir el instinto asesino delante de un mimo de un clown
hoy estoy down violento down radical
Pero tengo aprendido el papel principal

Yo soy un Loco
que se diò cuenta
que el tiempo es muy poco

Na na na na na, na na na na na
A lo mejor resulta mejor asì

Na na na na na, na na na na na
Na na na na na, na na na na na
A lo mejor resulta mejor asì

El tiempo es muy poco...
El tiempo es muy poco...

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Os maiores professores que tive na vida compartilhavam de um mesmo pensamento: "Não tenha medo de perguntar: por quê?" Os mestres sabem que o real aprendizado vem da livre capacidade de pensar e agir de cada aluno. Um discípulo que apenas aceita o que lhe é imposto sem um mínimo de reflexão não se sairá tão bem nos testes da vida quanto aquele que questionar, duvidar e, quem sabe até, cultivar um ponto de vista diferente do de seu mentor. Não há verdade absoluta. Ninguém sabe com certeza o que há no espaço e muito menos o que há dentro de nós. A vida é um mistério e não existem respostas concretas para a maioria das perguntas que temos. Portanto é, no mínimo, tolice achar que existe apenas uma forma certa de ver as coisas; ou que há apenas uma religião correta e apenas um caminho até Deus; apenas um partido decente; apenas um jeito de fazer - o meu jeito. Infelizmente a nossa sociedade é moldada em dogmas e "verdades" impossíveis de serem comprovadas, mas consideradas corretas pela maioria e isso faz com que aqueles que vêem furos no roteiro ou possíveis caminhos alternativos como insanos. Uma grande professora que tive na vida nos advertiu em seu último dia de aula: "Vivemos num mundo igual ao do filme Matrix. Somos condicionados desde pequenos a sermos os melhores na escola e a entrar numa boa faculdade para em seguida arrumar um bom emprego, casar, ter dois filhos e um cachorro numa bela casa. Todo aquele que pula ou muda alguma dessas etapas é considerado louco". Se você não quer ser considerado desajuízado pelos outros, evite perguntas como: "Por que devo buscar uma promoção no emprego todo ano?", "Por que devo me considerar velho aos 40 anos?", "Por que devo parar de sair com meus amigos quando estiver casado?", "Por que devo ter filhos?", "Por que não posso fazer uma tatuagem no rosto?", "Por que não posso aprender japonês em vez de inglês?", "Por que não posso morar na Zâmbia por 6 meses?". Tais questionamentos te tornam automaticamente desajustado aos olhos daqueles que, no alto de suas gloriosas carreiras e roupas engomadas, se consideram "normais". Esse assédio é tão poderoso que faz minar boas doses de criatividade que o mundo ganharia. Pessoas tímidas passam a vida inteira reprimindo sua loucura, enquanto os de gênio forte gastam sua energia brigando por sua autenticidade, sendo assim taxados como rebeldes sem causa. Para esses que, como eu, são considerados loucos, convido à ouvir essa canção de Andres Calamaro. Com um ritmo tranquilo, gostoso, comandado pelo saxofone viajante, o argentino diz: "Eu sou um louco que se deu conta que o tempo é muito curto". Esse cara que lembra o John Lennon e soa como Bob Dylann é louco, mas sabe o que diz. A vida é curta para tentar fazer dela algo que menos do que sensacional. Não disperdice seu tempo sendo o que os outros querem que você seja. Abrace sua loucura. Orgulhe-se dela. Seja feliz por pensar diferente, por ser a ovelha negra e por saborear o gosto de ser livre. O maior dom que Deus te deu é a liberdade - não só a de fazer o que quiser, mas também de pensar o que quiser. O que é ser normal, afinal? Essa é outra pergunta sem resposta que de dissipa nas notas agradáveis e suaves dessa bela canção. Já dizia o mestre Raul Seixas: "Prefiro ser louco num mundo em que os normais constróem bombas". Assuma sua loucura e viva a vida que você nasceu para viver. Não aceite menos do que o melhor, pois o melhor nas mãos de um louco é ainda mais emocionante. Não dê ouvidos ao que os outros consideram certo - certo é apenas o que está no seu coração. Seja um louco, mas acima de tudo, seja feliz. Com os backing vocals repetindo ao fundo "Na na na na na" é fácil ser seduzido pela canção e então começar a dançar na rua e ser catalogado como insano. Só que agora você dará graças a Deus por isso ;)

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados loucos por aqueles que não podiam ouvir a música."
(Frederich Nietzsche)

Einstein. Mais um louco que o mundo viu.

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