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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Fácil

29/11/2013

Uma canção que muda percepções

Engraçado como a sua percepção de uma música muda quando você aprende a tocá-la. É um tipo de prazer misterioso que vem das cordas dedilhadas, da mudança de acordes no tempo exato e na mística passagem de uma ponte para um refrão. Essa percepção te fazer entender algo que não havia sido explicado antes e te faz valorizar o que antes era tão banal. Essa é uma das canções que tive a oportunidade de experienciar antes e depois de aprender a tocar. É do segundo disco do Jota Quest, chamado "De Volta ao Planeta", lançado em 1998. Segue a letra:




Fácil
(Flausino/Sideral)

Tudo é tão bom e azul
E calmo como sempre
Os olhos piscaram de repente
Um sonho

As coisas são assim
Quando se está amando
As bocas não se deixam
E o segundo não tem fim

Um dia feliz
Às vezes é muito raro
Falar é complicado
Quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu e todo mundo cantar junto
Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu, e todo mundo cantar junto

Tudo se torna claro
Pateticamente pálido
O coração dispara
Se eu vejo o teu carro

A vida é tão simples
Mas dá medo de tocar
As mãos se procuram sós
Como a gente mesmo quis

Um dia feliz
Às vezes é muito raro
Falar é complicado
Quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu e todo mundo cantar junto
Fácil, extremamente fácil
Pra você, e eu, e todo mundo cantar junto

Dê o play e comece a viagem:



Vamos à andança...

Não foi só minha percepção sobre a música Fácil que mudou quando aprendi a tocá-la. Minha percepção da própria banda mudou como um todo. Antes, Jota Quest era para mim apenas uma das muitas bandas de Pop-Rock brasileiras que tinha lá suas canções interessantes, mas nada que fizesse valer a pena comprar um disco ou ir a um show. Vivendo do outro lado do mundo, porém, passei a tentar tocar canções brasileiras na minha velha viola para o caso de surgir alguma oportunidade de mostrar o som do meu país para pessoas de outras nacionalidades. Fácil foi uma das canções que me veio a mente justamente pelo motivo que me impedia de apreciar Jota Quest com o devido respeito: o excesso de exposição. Fácil é do tipo de música que todo mundo conhece. Qualquer um já a cantou no karaoke pelo menos uma vez. É o tipo de música que toca em várias rádios e até em novelas - sem falar nos especiais de fim de ano. E isso, como tudo no Brasil, infelizmente quer dizer menos que a banda é competente e mais que alguém está injetando milhões de reais para que eles sejam ouvidos e comprados. Tenho uma certa resistência à tudo que é "sugerido" (para não dizer "imposto") pelos chefões da mídia. Mas Fácil, como o próprio título sugere, se demonstrou não só uma canção fácil de gravar na mente, mas também fácil de tocar. São apenas alguns acordes básicos, numa sequência interessante e aparentemente simples, mas que cria um ritmo inspirador. Na poesia, outro ponto alto da peça, Rogério Flausino descreve em pequenos detalhes coisas fundamentais da vida, do amor e da dor. São os olhos que piscam de repente, as bocas que não se deixam, o coração disparado e as mãos se procurando sós que fazem com que a canção cresça em beleza e importância. Se o ritmo rápido no violão serve para inspirar os ouvintes, a virada para o refrão só faz com que a emoção seja ainda mais poderosa. Ele diz: "Um dia feliz às vezes é muito raro. Falar é complicado. Quero uma canção". Aqui entramos no refrão, mais simples e eficaz impossível: "Fácil, extremamente fácil. Para você e eu e todo mundo cantar junto". Quando minha visão sobre a obra era obscurecida pela barreira anti-midática eu não pude entender. Mas como diria Amyr Klink, quando um homem viaja ele conhece o frio e aprende a desfrutar o calor e vice-versa. Foi assim que, aqui tão longe do meu país, aprendi a desfrutar o Jota Quest. Removi a barreira, esqueci o marketing e a televisão e pude ver que há, sim muita sensibilidade nessa canção. Quem nunca teve um momento na vida ruim o suficiente para que qualquer explicação se torne inútil e apenas uma canção possa tornar tudo claro? É com essa delicadeza que a banda mineira conduz uma de suas músicas mais poderosas, bem-construídas e inspiradoras. Com os acordes se repetindo junto com o refrão fica fácil acreditar no poder de uma música para elimianar qualquer dor a aproximar pessoas que se amam ;)

2 comentários:

Lucas Montenegro disse...

Curti a análise Felipe!
Eu também tenho essa resistência ao que é facilmente oferecido, mas tenho aberto a cabeça e tido boas surpresas com músicas que sempre foram próximas.

Ainda acrescento algo que não sei exatamente se é verdade, um amigo me disse. Ele me falou que o Flausino fez essa música porque a mãe dele disse que o single Onibusfobia, do primeiro disco, tinha letra muito difícil e era cantado muito depressa, então as pessoas não conseguiriam cantar junto. Aí ele fez esse refrão como uma resposta, dizendo que agora seria fácil pra todo mundo cantar junto. Não me parece invenção, e se for verdade, adiciona mais um fator interessante na canção!

Abraço!

Felipe Andarilho disse...

Cara não sabia dessa informação, mas tudo indica que é verdade e isso só torna a música ainda mais especial. Obrigado mesmo pela colaboração! Abração!

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