Mais um livro do Andarilho

[Show] Flor Indomável

04/10/2013

Show do The Cult em Perth, Austrália, dia 28/09/13

Cada vez mais eu percebo que não vale a pena reclamar por nada na vida. Qualquer problema que apareça ou situação indesejável pode ter consequências positivas no futuro numa virada misteriosa e inexplicavelmente deliciosa. Foi o que aconteceu comigo e com o The Cult. Há dois anos atrás fui num show da banda de Ian Anderson - o Jethro Tull - em São Paulo. Ao chegar ao local, descobri que outro Ian, estava na cidade. Era o Ian Astbury, com o The Cult fazendo um show naquele mesmo dia. Na verdade, eles estavam há poucos metros do Jethro Tull e alguns roqueiros estavam se decidindo de última hora trocar seus respectivos shows. Não me arrependo de ter seguido firme com o objetivo de ver a clássica banda de Rock Progressivo, afinal, eu estava com meu pai e o cara realmente se divertiu e eu também. Mas nunca me saiu da cabeça a oportunidade perdida de ver o The Cult ao vivo. Adepto da resignação, não reclamei. Dois anos depois, aqui estou, do outro lado do mundo, num show dos caras em Perth que não poderia ter sido melhor. Para aquecer a viagem, aí vai uma canção do disco "Eletric", de 1987. Segue a letra:




Wild Flower
(Astbury/Duff)

Hey you
You're a wild honey child
I'm out of control
Every time you are near me
I'm a wolf child, baby
And I'm howlin' for you
My heart beats faster, hrrrr
Hey hey, and it's overpowered, wow

I'm a wolf child, girl
Howlin' for you
Wild flower
Star of my dreams
The most beautiful thing, yeah

Yeah you
Sweet sensation of a nation
Oh, my soul
You're a perfect creation
You're an angel, baby
And I'm cryin' for you
My heart beats faster, hrrrr
Yea hey, and I'm overpowered

I'm a wolf child, girl
Howlin' for you
Wild flower
Star of my dreams
The most beautiful thing
Wild flower
I love you every hour
Wild flower
Burning down the night
Set the world alight, yeah

Wild flower
I'm a wolf child, girl
Howlin' for you
Wild flower
You're the star of my dreams
Most beautiful thing
Wild flower
I love you every hour
Wild flower
I love you every hour

Crazy 'bout you, yeah
Crazy 'bout you, girl
Crazy 'bout you, yeah
Crazy 'bout
Crazy 'bout you, yeah

Vamos à andança...


Não foi só um show do The Cult que eu vi. Tive uma oportunidade única que eu dificilmente teria vivido se tivesse trocado de show lá em São Paulo, dois anos atrás. Isso por quê a banda de Ian Astbury está realizando uma turnê chamada "Eletric 13" que não por acaso brinda os shows com a execução completa do disco "Eletric", lançado ao mundo, junto comigo, há 26 anos atrás. Esse disco é um dos meus preferidos da banda inglesa e, sem dúvida, é o trabalho mais Hard Rock deles. Daí o prazer enorme em vê-lo tocado e cantado com uma energia ímpar que a banda emana. Um amigo meu uma vez disse que os viu ao vivo há muitos anos atrás e Ian Astbury estava completamente bêbado. Fico feliz em informar que nosso querido vocalista não perdeu esse costume. Bastante alto, o cara fitou com precisão o vazio, cuspia litros de Redbull e manteve sua pose de Rock Style com comentários ácidos para a platéia e óculos escuros de noite. Apesar da leve arrogância e de não conseguir manter o mesmo fôlego em canções aceleradas como King Contrary Man e Outlaw, o vocalista manteve uma boa performance emprestando sua voz carismática e aguda nos clássicos empolgantes como Peace Dog, Aphrodisiac Jacket e Love Removal Machine. O tranquilo Chris Wyse conduziu seu baixo com calma e classe, enquanto John Tempesta arrebentou seus pratos com gosto, formando ambos uma base impecável para o concerto. Mas quem roubou a cena mesmo foi o guitarrista Billy Duff. Principal parceiro de Astbury na maioria das canções do grupo, o músico é o exato oposto de Astbury. Caladão, Duff é do tipo que prefere fazer em vez de falar. Ele manteve sua pose clássica, desfilou seus riffs - ora simples e poderosos, ora rápidos e violentos - e presenteou o público com o melhor de sua técnica em solos incríveis. "Eletric" é um disco potente como uma máquina e a sequência de canções que abre o disco é um espetáculo à parte do guitarrista. Ele abre o disco e o show com um riff à lá ACDC em Wild Flower, conduz Peace Dog com maestria e liberta mais um riff incrível em Lil' Devil. Outro ponto para o guitarrista é a capacidade de dar roupagens novas para solos já consagrados, oferecendo aos fãs a oportunidade de ver algo novo e único, em vez de uma simples cópia do álbum. Além do clássico álbum na íntegra, o grupo ainda dedicou a segunda parte do show à grandes clássicos da banda, como as lentas e viajantes Rain e Sweet Soul Sister, além das aceleradas inesquecíveis de Fire Woman e Sun King. Wild Flower, a canção de abertura do álbum e da noite é o tipo de canção que não sai da cabeça. Quando penso em The Cult, me vem à mente energia e rebeldia e quase sempre recito pra mim mesmo trechos da canção, sem perceber. O refrão, uma virada ligeira de Duff que chama o grito de Ian Astbury é inspirador. Ele diz: "Sou um lobo, garotinha, uivando pra você. Flor indomável, você é a estrela dos meus sonhos. Flor indomável, eu amo você toda a hora". Essa repetição "I love you every hour" é sensacional e nos remete aos antigos instintos que misturam romance e desejo e faz o homem se tornar um lobo enquanto observa sua amada dançando. Enquanto isso, Billy Duff permanece fritando sua guitarra ao fundo, com um solo que só serve pra libertar ainda mais seu lado mais primitivo e delirante. Como eles dizem ao final, enlouqueça por quem te atrai, uive para o seu amor e deixe toda sua energia aflorar ao som dessa banda incrível ;)

Nunca ouviu?

Eu uivo para que você ouça. Escute:

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