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Superstição

15/10/2013

Música que te eleva sobre qualquer crença popular


Aqui no meu computador tive que abrir uma pasta chamada "Trilha Sonora - Austrália". São tantas músicas que tenho ouvido direto por aqui - algumas que eu já conhecia, outras completamente novas - que eu sei que, em alguns anos, quando eu escutá-las de novo, terei em minha mente uma viagem completa, com cores e emoções, sobre o que passei por aqui. Uma dessas canções é essa do Steve Wonder, lançada em 1972, em seu disco "Talking Book". O motivo pelo qual essa canção toca tanto aqui na Austrália - 30 anos após seu lançamento - permanece um mistério para mim. Só posso agradecer a Deus por seus misteriosos caminhos. Segue a letra:



Dê o play e comece a viagem



Superstitious
(Wonder)

Very superstitious, writing's on the wall
Very superstitious, ladders bout' to fall
Thirteen month old baby, broke the lookin' glass
Seven years of bad luck, the good things in your past

When you believe in things that you don't understand
Then you suffer
Superstition ain't the way

Very superstitious, wash your face and hands
Rid me of the problem, do all that you can
Keep me in a daydream, keep me goin' strong
You don't wanna save me, sad is my song

When you believe in things that you don't understand
Then you suffer
Superstition ain't the way, yeh, yeh

Very superstitious, nothin' more to say
Very superstitious, the devil's on his way
Thirteen month old baby, broke the lookin' glass
Seven years of bad luck, good things in your past

When you believe in things that you don't understand
Then you suffer
Superstition ain't the way, no, no, no

Vamos à andança...


Nunca esperava viajar com Steve Wonder. Sim, sempre respeitei o músico pela sua determinação. Assim como Jeff Healley, Ray Charles e Sonny Terry, tenho um apreço enorme por músicos que superam suas deficiências com tamanha maestria que elas parecem nunca terem existido. Mas achava que o estilo de Wonder não era para meus ouvidos. Minha concepção sobre ele começou a mudar quando descobri que Higher Ground, gravada pelos Red Hot Chili Peppers, era composta por ele. Minha curiosidade aumentou quando li que seu show em um dos recentes Rock in Rio foi arrasador. Finalmente sua música me fisgou, do outro lado do mundo. Superstitious deve ser alguma espécia de hit eterno na Austrália, e vira e mexe é tocada nas rádios, eventos e festas. Impossível não admirar o balanço e a malícia dessa canção. Torna-se óbvio o motivo pelo qual os Red Hot se influenciaram, e muito, pelo som do músico americano. Superstitious começa com um balanço elétrico, elástico e delirante. É um teclado com uma distorção interessante que cria um ritmo de fazer até os mais sérios pós-graduados-engravatados se sacudirem em uma dança contida, porém não menos corajosa. É um balanço tão estupendo que, caso a canção fosse tocada por engano num funeral, transformaria o evento em uma festa de arromba, como diria Roberto Carlos. Steve entra então com sua voz suave, toda cheia de soul e malandragem: "Muito supersticioso. Escritos na parede. Muito supersticioso, escadas prestes à cair. Bebê com treze meses de vida, espelho quebrado. Sete anos de azar, as coisas boas no seu passado". Enquanto ele apresenta esse cenário cheio de mitos populares que, segundo alguns acreditam, pode determinar seu futuro, a bateria mantem seu passo firme e trompetes aparecem ao fundo dando ainda mais tempero pra esse gingado maravilhoso. Quando chega o refrão, os metais se tornam mais agudos, poderosos. O cantor diz, com aquele ar de quem sabe o que está falando: "Quando você acredita em coisas que não entende, você sofre. Superstição não é o caminho". Conforme a canção avança, Wonder dá mais exemplos de eventos que mexem com o medo e a crença de muita gente. O refrão, sempre um show à parte dos instrumentos de sopro, coloca a emoção da peça em alta. É uma canção de energia positiva tão grande que faz qualquer superstição ir por água abaixo. Após ouvi-la você percebe que evitar gatos pretos, desviar de escadas e bater na madeira são perda de tempo. Enquanto a música toca, aliás, tudo que não envolva ritmo e energia, é perda de tempo. O que vale a pena é ouvir, viajar e dançar. Se quem cantam seus males espanta, eu não sei. Mas cantar Superstitious tentando simular a voz marota de Steve Wonder é um bom exercício de humor. Comprovadamente isso melhorará o seu dia e te fará encarar qualquer problema com mais tranquilidade e sabedoria - mesmo que você não saiba de nada a respeito da solução. Um mestre me disse uma vez: "Não perca tempo tentando entender os mistérios da vida. Você nunca vai compreendê-los". Fato. Então pra quê acreditar em superstições enquanto você pode simplesmente se elevar-se sobre qualquer dúvida com a certeza de uma música boa? Superstição não é o caminho. Ouça Steve Wonder e aprenda com quem sabe ;)

Nunca ouviu?

Você não vai ter 7 anos de azar se não ouvir. Mas vai ter 5 minutos de degustação da mais pura sorte. Dê o play no início do post!

2 comentários:

Fabio CS disse...

A música tem um balanço fantástico em balou e foi o hit dos anos 70...e saudade!!!

Felipe Andarilho disse...

Sabia que vc ia curtir. Valeu padre!! Abração!

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