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[NA ESTRADA] Lá e de Volta Outra Vez

29/09/2013

Aventuras, músicas e aprendizados na Nova Zelândia


Nem mesmo a distância dos Oceanos Atlântico e Pacífico, somados ao país da Austrália e o mar da Tasmânia e nem mesmo o boicote do Google às imagens do layout do meu blog vão me impedir de contar o que eu vi na Nova Zelândia. Demorou, eu sei. Peço desculpas, mas cá estou, com o espírito renovado e a mente fresca para continuar com as viagens musicais pelas estradas da vida que me conduziram àquele pequeno país longe de tudo, mas que se revelou tão grande e tão próximo. E que belíssimas estradas pelas quais passei. O que vi na Terra Média é por demais abençoado para ser deixado de lado, por isso peço licença para dedicar esse post, não à uma canção em si, mas à muitas canções que embalaram essa aventura nos muitos dias em que estive fora. Dê o play enquanto lê o parágrafo seguinte. Ou, se você não gosta da música em questão, coloque a sua própria trilha sonora para esse texto. Assim como a Nova Zelândia, meu texto pretende ser livre de estilos únicos, firmando-se numa mistura de culturas e eventos que resultam na beleza de cada momento. Começo com uma canção tradicional da Nova Zelândia que, orgulhosamente foi tocada no rádio ao menos umas 10 vezes enquanto viajávamos:





Fui nessa viagem com um amigo e mestre, chamado Dori, a quem tive a honra de conhecer na Austrália. Num dia qualquer, Dori me convidou para ir à Nova Zelândia. Eu sempre tive vontade de conhecer àquele país, graças unicamente à minha devoção ao universo e mitologia Tolkeniana. Após assistir os filmes "O Senhor dos Anéis" mais vezes do que Chaves, concluí que visitar às ilhas irmãs da Australia seria um dos meus objetivos na vida desse lado do mundo. Chegou a hora e lá fomos Dori e eu para Auckland, a maior cidade neo-zelandesa e capital financeira do país. Embora, para alguém nascido e criado em São Paulo tamanho seja documento, Auckland se revelou um pouco decepcionante. Além da chuva incessante, Auckland é dominada por um tom acinzentado que permeia não só as ruas, mas o próprio ânimo das pessoas. Elas correm, atravessam as avenidas com seus guarda-chuvas e sapatos molhados em direção ao trabalho. Não parecem se importar com distrações e entretenimento. Fiquei feliz quando partimos para o sul dois dias depois. Ao menos em Auckland encontrei uma coleção com cinco CDs do Santana e mais cinco do Faith No More por apenas 30 dólares. Em termos musicais eu já estava preparado pra encarar a longa e sinuosa estrada.



Seguimos pela estrada que cortava fazendas povoadas de ovelhas. Milhares de ovelhas. Chegamos à uma cidade minúscula, chamada Otorohanga: apenas uma simpática rua com cafés e um supermercado. Seguimos para Taunarunui e depois em Turangi, onde passamos a noite. Turangi era ainda menor que as anteriores, mas pode nos proporcionar uma refeição barata (algo raro de achar) num restaurante para caminhoneiros e uma cerveja no único pub local. A dona do albergue era uma senhora simpática o bastante pra não nos cobrar pelas toalhas emprestadas. Ela disse isso logo que saiu ao frio para nos encontrar, com o penteado resistindo ao forte vento. De lá seguimos para Tongario National Park, local que me proporcionou duas experiência inéditas. A primeira foi a oportunidade de ver neve pela primeira vez na vida - emoção que me fez ignorar aquele que também foi o maior frio que senti na vida. A segunda foi presenciar o primeiro cenário da Terra Média de Tolkien, afinal as pedras e a aparência árida das montanhas desse parque serviram de base para gravação das cenas em Mordor, o local sombrio e apavorante que não por acaso é o destino final da Sociedade do Anel.

Mordor, ou melhor Tongario National Park

Lá também é lar do Monte Ngauruhoe que fez uma ponta nos filmes do Anel como a Montanha da Perdição. Como fã de Tolkien e viajante da vida não pude esconder minha admiração ao presenciar tamanha magnitude e beleza destes cenários. Voltamos ao carro - nosso próprio Scadufax - que nos guiou para Ohakune, depois Taihape, outras duas cidadezinhas pequenas, porém agradáveis. Seguimos a direção do sul passando por Bulls e Levin rapidamente e então chegamos em Wellington. Se Auckland ficou abaixo da minha expectativa, Wellington a superou, e muito. Na verdade eu não sabia o que esperar da capital da Nova Zelândia e o que encontrei foi uma grande e charmosa cidade à beira de um porto imponente e recheada de restaurantes, cafés e energias. Aqui as pessoas eram felizes, riam da vida como quem não leva tudo tão à sério. Sábias. Wellington nos proporcionou uma feira de comidas típicas internacionais onde pude degustar uma empanada tradicional chilena. Num dos bares que passamos, lembro que estava tocando Oasis. Isso sim é som ambiente para um bar!



Queria ficar mais em Wellington, mas a certeza de que voltaríamos para aquela cidade em breve no caminho de volta me fez seguir em frente com tranquilidade. Pegamos o ferry e, após quatro horas em alto mar, finalmente chegamos à Ilha Sul da Nova Zelândia. É lá que todos diziam que estava guardado o melhor do país. E eu queria conferir. O ferry nos deixou em Picton e de lá seguimos imediatamente para outra cidade pequena e aconchegante. Nelson também é praieira, mas as praias, por incrível que pareça, são o fraco da Nova Zelândia. Talvez seja a temperatura sempre fria, talvez seja a falta de costume das pessoas, mas as praias lá são apenas um adereço das cidades. Diferente de um local de lazer e tranquilidade, na terra das ovelhas e alpacas, as praias são quase desértas e muitas vezes nem oferecem acesso apropriado. Uma pena para quem ama olhar o mar como um cabrito encara o vazio como se fosse o verdadeiro significado da vida.

Nelson: pequena e aconchegante

Após uma noite em Nelson, seguimos por Reefton até Greymouth, outra cidade pacata com menos habitantes do que qualquer bairro de São Paulo. Continuamos rumo ao sul até Hokitika, cruzamos Ross e chegamos à Franz Josef Glacier que mais parecia um complexo turístico do que uma cidade propriamente dita. Lá fizemos uma trilha em direção à geleira que dá nome à cidade. Essa experiência foi mais uma das que comprovou que a jornada é mais importante do que o destino em si. Exatamente como a vida, a caminhada se mostrou um passeio maravilhoso ao longo das montanhas que serviram de Gondor na cena dos faróis que anunciam a Guerra do Anel. A geleira em si, ao final da trilha, não tinha nada de espetacular. Seu espetáculo foi nos propiciar a caminhada sob o sol quente e o ar frio num cenário incrível.

Franz Josef Glacier

De Franz Josef seguimos para Fox Glacier, outra cidade ao pé de uma geleira. Dessa vez fomos mais atraídos por um lago chamado Lake Matheson, que nos proporcionou uma vista inacreditável das montanhas nevadas da geleira refletidas nas águas calmas do lago. Eu vinha escutando Chuck Berry ao longo dessa estrada e me lembrei das palavras de um amigo, devoto do guitarrista: "Pra mim, Deus mandou um raio no Chuck Berry e deu à ele o poder supremo da guitarra". Foi isso que pensei ao ver aquelas montanhas. Deus mandou um raio de energia e beleza que explodiu e resultou em montes pontiagudos, gelados, circundados por florestas e lagos. Uma obra de arte única, como a música tocada pela guitarra.



Descendo por Haast, pegamos a Road 6 em direção à Queenstown. Tal estrada, em certo ponto, passou ao longo de um gigantesco lago chamado Wanaka que trazia ao fundo montanhas imponentes saídas das águas como resquícios de um universo diferente que outrora predominou naquele local. Tal vista, posso assegurar, foi a mais bela visão que tive a oportunidade de ver até agora. A estrada ainda seguiu por outro lago, Hawea, igualmente incrível e inesquecível.

Road 6, só a mais bela paisagem já vista em vida

Chegamos à Cardrona uma aldeia à beira da estrada que tinha um hotel fundado em 1895 com um calhambeque na porta. Entramos para tomar uma cerveja, mas o local estava lotado. É provavelmente um marco daquela área e, de qualquer forma, não haviam muitas opções de entretenimento por um raio de muitos quilômetros. Passamos por Frankton e chegamos finalmente à Queenstown, a tão famosa cidade das aventuras neo-zelandesas.

Isto é Queenstown...

Queenstown é, provavelmente, a cidade mais bonita que já vi. E estou incluindo aí, sim, a minha tão querida Rio de Janeiro. Queenstown é uma cidade de médio porte, à beira de um lago límpido e protegida em boa parte por uma cordilheira nevada, os famosos Remarkables que fazem jus ao nome por sua majestosa presença que oferece à cidade um cenário de fato memorável. Queenstown é o local para os aventureiros de plantão. Quem vem para a Nova Zelândia pensando em pular de para-quedas, bungee jump, escalada, esqui, passeios de barco, e milhões de outras atrações, veio ao lugar certo. Mas é bom que venha preparado, pois cada passeio desse sai por uma média de 150 dólares, o que me fez ter de adiar meu desejo de fazer paraquedismo. Acabei jogando dinheiro fora num passeio de lancha pelo rio Shotover que não foi tão radical quanto eu esperava, mas me deu a oportunidade de ver as montanhas por outro ângulo. O melhor mesmo foi subir num monte que permitiu ver a cidade toda no mesmo esquema do Pão de Açúcar do Rio. É em Queenstown também que temos acesso à Milford Sounds, local que, segundo dizem, é um dos mais bonitos do mundo. Dori queria ir, mas a estrada estava fechada devido ao mau tempo. Nem de avião foi possível ver essa maravilha e tal frustração acompanhou meu colega de viagem até o final. Antes de deixar Queenstown fomos à Glenorchy, uma vila literalmente no meio do nada, e fim da linha para quem viaja por aquela estrada. Esta, por sinal, é outro dos maravilhosos caminhos pelo qual passamos com montanhas enormes ao longo de um rio que as faz parecer com titãs de outras eras adormecidos semi-cobertos pelo mar trazido pelos milênios. Parte desse lago serviu como o Rio Anduin pelo qual a Sociedade do Anel embarca em direção à Mordor.



Orishas é a banda que mais me acompanha durante este ano e, é claro, não pode faltar na Nova Zelândia. Meu apreço pelo trio cubano é tamanho que nem a precária internet da maioria dos hotéis e albergues foi suficiente pra me afastar deles no Youtube. Ao som dançante e viajante deles cruzamos do oeste para o leste da ilha sul. Cruzamos as cidades de Arrowtown, Cromwell e Clyde em direção à Alexandra. A paisagem mudou completamente. Saímos do gelado vento do oeste e em poucos quilômetros estávamos numa paisagem árida e seca, cercada por montanhas não mais verdes, mas sim marrons. Tais cidades, apesar de pequenas ofereceram explorações e estruturas interessantes. Seguimos viagem passando por Roxburgh, onde comi um dos Fish & Chips mais agradáveis e com o preço mais justo do país inteiro.

Cromwell, diz a lenda que o povo daqui vive 200 anos. Eu que não duvido...

No mesmo dia cruzamos a pequena Lawrence, a primeira cidade do país à oferecer internet de graça aos habitantes - e de uma velocidade de dar inveja à muitos dos hotéis que ficamos. Finalmente, depois de algumas horas e muitas centenas de quilômetros, chegamos à Dunedin. Me surpreendi com a cidade justamente por não esperar nada. Encontramos uma cidade grande, organizada, estruturada. Seus prédios quadrados e imponentes lembram castelos medievais. Aliás, em Dunedin existe de fato um castelo, mas não pudemos conferir devido à tempo e dinheiro. Foi por dinheiro também que deixamos de visitar a Fantástica Fábrica de Chocolates da Cadburry, empresa gigante que fabrica alguns dos chocolates que mais tenho comido por aqui. Gastamos nosso tempo passeando pelas ruas retas que saem da praça octogonal que marca o centro da cidade. Dunedin foi o ponto mais ao sul que chegamos e logo foi chegada a hora de retornar, dessa vez pela outra costa da ilha sul. Fomos ao Som de Sam Cook. Em uma das lojas de discos de Dunedin achei um CD triplo do mestre do Soul pela bagatela de 15 dolares.



Imponente Dunedin Railroad Station

Após dois dias em Dunedin, na exata metade da nossa jornada, pegamos à estrada rumo ao norte novamente. O constante frio do sul me animou à retornar para o norte. Assim, passamos pela singela Oamaru e por uma praia famosa por seus Boulders, que são pedras grandes e redondas escavadas da terra pela própria força do mar. Ao invés de seguir pela costa, pegamos um desvio mais longo em direção ao centro da ilha para atingir o famoso Lago Tekapo. O esforço não foi em vão. A estrada ao longo do lago, com o Monte Cook ao fundo foi mais uma das maravilhas que meus olhos puderam apreciar. A água ali é de um azul impressionante que eu jamais tinha visto e provavelmente não voltarei à ver. O azul é celeste, mas é misturado ao verde esmeralda que com o azul do céu forma uma paisagem cheia de luz e paz. Foi com o espírito revigorado por esse belo cenário que passamos por Fairlie até chegarmos em Geraldine. Essa minúscula cidade só nos serviu para nos reabastecer e nos preparar para o dia seguinte de viagem, quando chegamos à Christchurch.

Lake Tekapo. Sem palavras.

Se eu não esperava nada em Dunedin e fui surpreendido positivamente, em Christchurch a sensação foi inversa. Ouvi falar muito bem da cidade que traz o nome de Cristo, mas infelizmente a cidade sofreu um terremoto à alguns anos e hoje está praticamente toda em obras. Seu centro parece mais uma cidade fantasma com todos os prédios vazios e poucas pessoas rondando suas ruas que outrora foram tão atraentes. Ao menos fomos à um novo centro, criativamente criado com containers coloridos que dão um novo charme e nova esperança pra cidade.

Revitalização de Christchurch. Eu acredito

De volta à costa leste, subimos por Ashburton, cortamos Cheviot e chegamos à Kaikoura. Aqui há um passeio interessante, porém mais uma vez caro que permite aos viajantes observar baleias de perto em alto mar. Dori quis eu. Eu preferi ir à um bar e tomar umas cervejas. O fiz na companhia de um americano e uma garota da República Checa que, como nós, estavam viajando pelo país e passavam alguns dias em Kaikoura. Como disse antes, as praias da Nova Zelândia não são seu ponto mais forte - seja por falta de costume do povo, seja pelo frio agudo. Mas nem por isso é difícil de achar praias maravilhosas. Kaikoura é um exemplo que traz um mar azul incrível e pedras cinzas em vez de areia. Foi olhando esse mar que me deitei, levemente bêbado e viajei ao som de Faith No More, mais uma vez.



No dia seguinte subimos até Blenheim e de lá de volta até Picton, a cidade portuária da ilha do sul. Quando passamos lá da primeira vez nem olhamos na cidade, mas agora pudemos ver como ela, apesar de pequena, também tem seu charme e bares interessantes. Foi lá que comi nachos deliciosos num pub irlandês e tomamos uma cerveja sensacional. Pegamos o ferry novamente e chegamos de volta à Wellington, a cidade que tanto me atraiu da primeira vez. Dessa vez pudemos andar com calma e explorar suas ruas agitadas e seu grande centro comercial. Cheguei à conclusão que Wellington foi a cidade que mais gostei na Nova Zelândia. Foi triste ter de deixá-la, dessa vez para sempre, mas a estrada segue e ainda tinhamos mais alguns dias e algumas cidades à explorar. Seguimos o norte, cruzando Shannon e uma interessante cidade cheia de influência nórdica, chamada Dannevirke. Mais alguns quilômetros nos levaram até Napier.

Napier, a capital retrô

Wellington quase perdeu o posto de melhor cidade neo-zelandesa na minha opinião. Napier é a capital mundial do Art Deco e suas ruas são enfeitadas com praticamente todos os prédios construídos no estilo cheio de retas e quadrados dos anos 30. Sua praia também foi a mais agradável que passamos. Finalmente um local onde é possível sentar e observar o mar, embora ainda, ridiculamente proibido de consumir qualquer bebida alcólica. O problema de Napier, assim como a maioria das pequenas cidades da Nova Zelândia é a falta de movimento noturno. Pudemos explorá-la por duas noites, mas não encontramos praticamente nenhum lugar para apreciar uma boa cerveja na noite. Após muitas fotos de seus belos prédios, pegamos a estrada novamente e passamos por Taupo, onde pude finalmente adquirir meu tão procurado disco do Daft Punk, o novo "Random Access Memories", comprado por um preço justo de 12 dolares. Ao som do duo francês, chegamos em Rotorua.



O americano do bar em Kaikoura havia me advertido contra Rotorua. Segundo dele a cidade era sem graça e fedia. Apesar do verdadeiro mau cheiro que domina o ar da cidade, tive que discordar do meu amigo, pois Rotorua é, na verdade, bastante interessante. O cheio de enxofre é devido à um vulcão próximo que apesar do odor incessante, também propõe diversas piscinas de águas termais aos visitantes. Tais águas têm propriedades terapêuticas e pudemos desfrutar um excelente banho numa das maiores piscinas da cidade. Rotorua também é conhecida pela forte cultura Maori, o povo ancestral da Nova Zelândia, equivalente aos nossos índios. Diferente do nosso país, entretanto, aqui esse povo é valorizado e até cultuado por suas magníficas artes e valor histórico. Aliás a Nova Zelândia inteira é devota da cultura Maori, num bonito exemplo de como mesclar a modernidade do mundo europeu com as raízes que predominavam no país antes de ele ser "descoberto".

Cultura em alta em Rotorua

Rotorua foi nossa última principal parada antes de voltar à Auckland. Depois dela passamos apenas numa pequena cidade chamada Cambridge. Num dos cafés locais pude ver uma inscrição na vitrine que trazia uma das mais bonitas canções dos Beatles escrita. Ainda num sebo de Auckland encontrei o lendário disco "Throwing Copper", do Live, mas foi ao som dos meus queridos Beatles que peguei o avião de volta para Perth, Austrália. All You Need is Love é uma canção que espalha amor e clama pela união. Não à toa foi a primeira música à ser transmitida via satélite no mundo e combina exatamente com o que vi na Nova Zelândia. As ilhas irmãs da Austrália são um lugar pacífico, tranquilo como os acordes de George Harrison. É um país de beleza suave como a voz de John Lennon. Fui até lá e, como Bilbo Bolseiro, estou de volta outra vez - diferente de quando saí, embora ainda seja eu mesmo. Vim com novos aprendizados e uma crença renovada da vida. Se há algo que essa aventura me ensinou é o quanto estamos interligados - todos no mundo inteiro. Afinal, nesse pequeno país tão distante do meu, encontrei coisas tão novas, mas tão familiares, como por exemplo dois restaurantes brasileiros, um deles gerenciado por um rapaz iraniano e dono de um português invejável. Também descobri, graças ao meu parceiro Dori, que o cenário neo-zelandês é bastante parecido com o Chile, ironicamente tão perto do nosso Brasil. Lá ouvi músicas do mundo inteiro. Nos 4.123 quilômetros rodados em 25 dias, comprei um CD mexicano, vi discos do Jorge Ben à venda e comi comida italiana. Ouvi falarem inglês, maori, japonês e espanhol. Vi gente do mundo todo: japoneses, árabes, indianos e não posso deixar de registrar com o orgulho o DVD do filme Tropa de Elite à venda com o pomposo título de "Elite Squad". Percebi, na Nova-Zelândia que não há separação entre ninguém e nada nesse mundo. Tudo é conectado por uma energia mística e maravilhosa que eu gosto de chamar de Deus. Pude ver Deus em cada lugar que passei, inclusive nos Maoris, fiéis aos seus próprios deuses e tótens, mas que nem por isso deixam de ter sua própria igreja católica em Rotorua. Deus estava ali. Estava em cada montanha, cada rio e em cada canção ;)


3 comentários:

Silvana disse...

Nossaaa demorei mais li seu texto mais que apaixonada pela Nova Zelandia, assim como você sou super fã do Tolken e desde o primeiro filme, coloquei a NZ como meu sonho de consumo em viagens e aventuras.
Não vejo a hora de começar minha jornada por lá e só de ler seu texto viajei e me senti conectada com NZ.
Mais uma vez parabéns vc escreve bem pacas, e adorei a trilha sonora.

Felipe Andarilho disse...

Valeu Silvi!!! Fico muito feliz com seu comentário!! Te desejo uma viagem maravilhosa e sei q vc vai aproveitar e curtir muito. Depois quero ver as fotos e saber qual foi a SUA trilha sonora. Ah e se prepara pra essa "Sailing Away" pq toca toda hora, hahahaha.. Beijao!!

Anônimo disse...

Fefe, amei o texto. Parabéns!!! Tudo anotadinho. Estou mega ansiosa e super animada pra conhecer a Nova Zelândia. Thanks a lot. Beijos Soraia :)

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