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[LANÇAMENTO] Daft Punk's Ramdom Access Memories

27/07/2013

Dance com tudo o que você tem

O leitor fiel deve ter percebido que o blog passou por alguns dias de férias. Peço desculpas, eu deveria ter avisado antes. Tirei uma semana de folga da vida sem rotina na Austrália para um espaço de descontração e meditação na Indonésia. Aprendi muito nesse país, tão novo e diferente para mim quanto os deuses da religião hindu - a principal crença da ilha de Bali e parte fundamental do dia-a-dia de todos aqueles cidadãos tão alegres e simples. E já que as diferenças merecem um brinde, aqui vai uma viagem à muito adiada, sobre música eletrônica - algo inédito aqui no blog. Trata-se do novo álbum do Daft Punk, "Random Access Memories", lançado em abril deste ano. Segue a letra:




Lose Yourself to Dance
(Homem-Christo/Bangalter/Williams)

I know you don't get chance
To take a break this often
I know your life is speeding
And it isn't stopping
You take my shirt
And just go ahead and wipe up all the
Sweat, sweat, sweat

Lose yourself to dance
Lose yourself to dance
Lose yourself to dance
Lose yourself to dance

Lose yourself to dance
Lose yourself to dance
Lose yourself to dance
Lose yourself to dance

Lose yourself to dance

I know you don't get chance
To take a break this often
I know your life is speeding
And it isn't stopping
You take my shirt
And just go ahead and wipe up all the
Sweat, sweat, sweat

Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)
Lose yourself to dance (Come on)

Everybody dancing on the floor
Can't do any more anymore
Everybody on the floor
Yeah, come on

I know you don't get chance
To take a break this often
I know your life is speeding
And it isn't stopping
You take my shirt
And just go ahead and wipe up all the
Sweat, sweat, sweat

Lose yourself to dance

Everybody dancing on the floor
Can't do any more anymore
Everybody on the floor
Yeah, come on

Vamos à andança...

Daft Punk sempre foi para mim sinônimo de respeito. Conheci a dupla de robôs com os clipes animados de One More Time e Aerodynamic - partes do disco "Discovery" de 2001. Inspirado pelo mangá que servia de ilustração para tão boas músicas logo resolvi comprar o disco. Na verdade, resolvi pedir de presente, pois eu era um garoto de 14 anos ainda. Foi um dos primeiros CDs que tive na vida e até hoje ele tem seu lugar de honra na minha prateleira. Foi apenas o primeiro passo nessa relação duradoura. Em 2006 fui a um show deles em São Paulo, o que se revelou um dos maiores espetáculos audiovisuais que já tive a oportunidade de presenciar. Até então eu já tinha conhecido seus outros trabalhos, tão fenomenais quanto o disco de 2001 e minha relação com a banda era calcada no respeito mútuo. Eu era um cara do Rock. Abri uma exceção para a música eletrônica pelo respeito à qualidade daquelas músicas e o Daft Punk me retribuía com canções sempre tão bem trabalhadas quanto um bom e velho Rock and Roll. Em alguns casos eles até colocavam algumas guitarras e solos empolgantes como que para fidelizar aquele fã estranho no ninho. Em "Human After All" de 2005, me presentearam até com o riff robótico de Robot Rock. Eu não tinha do que reclamar. Daft Punk por muito tempo era tudo que eu conhecia de música eletrônica, mas eu estava satisfeito. Não havia maldade da música da dupla. Assim como Beatles, tudo era sobre amor e amizade, com pitadas de crítica e muita modernidade. Quando saiu, portanto, "Random Access Memories", oito anos após seu último disco, eu sabia que o material era bom, mesmo antes de ouvir. O single Get Lucky dá a letra. Ali estão músicas para curtir e dançar - daquelas que não vão desgrudar da sua mente tão cedo. Em contraste com o último disco, porém, aqui estão músicas mais orgânicas e suaves. Se "Human After All" era uma odisséia eletrônica com pulsações poderosas e tecnológicas, "Random Access Memories" procura sua diferenciação em canções dançantes inspiradas no dance dos anos 80, no funk dos 70 e no soul dos 60. É de fato uma mistura de memórias musicais aleatórias, mas tão bem costuradas pela dupla que entregam o real apreço do grupo: o amor pela música - independente de gênero ou classificação. O começo com Give Life Back to Music não deixa mentir: "deixe a música tomar sua vida". A faixa-entrevista com o icônico músico Georgio Moroder só aumenta ainda mais o nível de respeito e admiração da banda. Na já citada Get Lucky, o lema é ficar acordado até tarde para dançar e trazer sorte. Há momentos de viagem e transgressões mentais como a bela Touch, que lembra um musical da Broadway, e Fragments of Time. Mas o ponto máximo do disco - seja em seu conceito de retrô, seja em seu amor à música - aparece em Lose Yourself to Dance...


Há muito tempo recebi um daqueles e-mails de Lições Filosóficas e de Sabedoria Superior de Power Point que me ensinou: "Dance como você dançaria se ninguém estivesse olhando". Nunca esqueci daquilo, tamanha a verdade que me fora jogada na cara. Afinal, nos clubes noturnos e shows sempre fui o tipo de dançarino contido, preocupado em não chamar à atenção demais por minha falta de habilidade em conciliar o que estou ouvindo com os movimentos à serem executados. Me sinto à vontade nos shows de Rock, onde a dança se resume à balançar a cabeça e os ombros, mas qualquer ambiente que exija uma evolução e criatividade maior sempre me soou intimidador. Sozinho em casa, porém, a coisa é diferente. Quando coloco um som ali, me torno o rei da pista. Sou capaz de colocar John Travolta e Michael Jackson no chinelo. Bem... Ao menos no chinelo em minha mente. É isso que importa. Quando vi aquela frase no e-mail pensei: por quê não? É o que o Daft Punk diz aqui. Perca-se na dança. Entregue-se à música. Pelos minutos que carregam aquela canção, esqueça de tudo e deixe seu corpo se mover como ele bem entender. Dance com todo seu ser, com cada pedaço do seu corpo sentindo as notas musicais e nada mais importará. Com participação de Pharrell Williams nos vocais e uma guitarrinha maravilhosa de Nile Rodgers, Lose Yourself to Dance te convida a dar o melhor de si, sem perder tempo preocupando-se com o que os outros pensam. Apenas dance. Dance como você dançaria se ninguém estivesse olhando. Com toda aquela energia e empolgação que a sua sala de estar permitem. Não tenha medo ou vergonha. Tudo é passageiro, principalmente qualquer conclusão que alguém possa tirar sobre a sua pessoa. Então para que se preocupar? Para que se segurar? Ele diz: "Eu sei que você não tem a chance de ter uma folga de vez em quando. Eu sei que sua vida está acelerando e não vai parar. Então pegue minha camisa e enxugue todo o suor". Aqui o vocalista puxa uma crescida ótima que diz: "Soe, soe, soe" até explodir no título da canção. Este repete à frase-chave: "Perca-se na dança" e vem acompanhado de palminhas convidativas. Mais à frente a dupla adiciona efeitos ao ritmo já incrível e vai dando uma cara mais moderna ao funk que a guitarra mantém, incansável, ao fundo. Graças ao bom Deus a música dura tempo suficiente para finalmente convencer qualquer um a sair da zona de conforto, a levantar e ir dançar - sem medo, sem dó. Soe, soe, soe. Soe por que você dançou e deu o melhor neste momento. Perca-se na dança e você se encontrará desperto naquele momento ;)

Nunca ouviu?

Perca-se apertando o play. Escute:

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