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04/06/2013

Um relato frio e doloroso sobre a guerra

De vez em quando comento sobre as injustiças que cometi nesse blog, ao demorar pra postar sobre uma banda ou não dar a devida atenção à uma banda que merecia mais destaque. De todas as injustiçadas, talvez Metallica seja a maior delas. Desde que iniciei esse blog só há uma musiquinha do Metallica, sendo que essa é uma das maiores bandas de Heavy Metal que existe. Embora The Unforgiven seja uma das maiores obras deles, os caras têm muito mais material bom pra ser explorado. Aqui vai mais uma pedrada deles. Daquelas que chacoalha a alma e dói no cérebro. Falando em injustiça, o nome do disco na qual saiu foi "And Justice for All" de 1988. Segue a letra:




One
(Hetfield/Ulrich/Hammett)

I can't remember anything
Can't tell if this is true or dream
Deep down inside I feel to scream
This terrible silence stops me

Now that the war is through with me
I'm waking up, I cannot see
That there's not much left to me
Nothing is real but pain now

Hold my breath as I wish for death
Oh please God, wake me

Back in the womb it's much too real
In pumps life that I must feel
But can't look forward to reveal
Look to the time when I'll live

Fed through the tube that sticks in me
Just like a wartime novelty
Tied to machines that make me be
Cut this life off from me

Hold my breath as I wish for death
Oh please God, wake me

Now the world is gone I'm just one
Oh God, help me
Hold my breath as I wish for death
Oh please God, help me

Darkness imprisoning me
All that I see, absolute horror
I cannot live, I cannot die
Trapped in myself
Body my holding cell

Land mine has taken my sight
Taken my speech, taken my hearing
Taken my arms, taken my legs
Taken my soul, left me with life in hell

Vamos à andança...

One é uma obra-prima. E tem o mesmo nome de uma obra-prima do U2. Apesar disso, o teor da música é completamente diferente, assim como seu peso. O poder das canções como um alerta para o mundo, entretanto, é o mesmo. Isso é o que fascina na arte. A possibilidade de emocionar e chocar com a mesma eficiência. Se na música do quarteto irlandês o tom romântico clamava por uma união mundial simbolizada pelo número "um", aqui o Metallica - como uma boa banda de Heavy Metal - vai pelo lado, digamos, mais agressivo. A letra é inspirada num romance de Dalton Trumbo que conta a história de um soldado que luta na Primeira Guerra Mundial. Gravemente ferido, o personagem perde todos os sentidos - exceto o pensamento. Vivendo dentro da prisão que é seu próprio corpo, o ex-soldado narra toda sua agonia e dor por viver como o único confinado em seu universo. Para dar corpo à essa tão poderosa história, o Metallica criou uma canção longa e viajante que emociona em todas suas progressões, subidas, descidas, instrumentos e vozes. Começa com um riff lento, um dos mais famosos e bonitos da banda. Enquanto ele aquece, a bateria de Lars Ulrich vai aquecendo, como a marcha de um exército pronto para a batalha. Se eles soubessem o que vem por aí, talvez não teriam servido ao exército. Talvez teriam se revoltado e feito como Muhammad Ali que se recusou a servir na guerra dizendo corajosamente que não tinha problema nenhum contra nenhum vietnamita. Mas esses soldados são mais inocentes. Em meio ao ritmo aparentemente suave eles marcham. Eles não percebem o tom sombrio na instrumentação. James Hetfield então começa com sua voz gravíssima e poderosa: "Eu não me lembro de nada. Não posso dizer se isso é real ou se é um sonho. Aqui dentro tenho vontade de gritar, mas esse terrível silêncio não me deixa". Em certo ponto, Hetfield capricha ainda mais na rouquidão pra dar mais peso pro verso que segue. Com ele, a guitarra de Kirk Hammet solta uma distorção densa e suja, como a história pede: "Seguro minha respiração enquanto desejo morrer. Oh, meu Deus, por favor me acorde". A canção ganha uma acelerada, com um solinho simbolizando o início da batalha. Aos poucos, porém, a bateria furiosa de Ulrich vai acelerando, em pancadas repetitivas e rápidas, propositadamente parecidas com uma metralhadora. A semelhança só aumenta enquanto as pancadas ficam mais e mais rápidas. É um massacre. A perícia do baterista te coloca junto com os pobres soldados que à frente só vêem fogos saindo dos fuzis inimigos. Sorte daqueles que morrerem de forma rápida. Não é o caso do nosso narrador. Após um solo agudo e rápido de guitarra, James começa a gritar num dueto preciso com a bateria: "Escuridão me aprisionando! Tudo que vejo é horror absoluto. Não posso viver, não posso morrer. Preso em mim mesmo, meu corpo é minha cela. Mina terrestre arrancou minha visão, arrancou minha fala, arrancou minha audição. Arrancou meus braços, arrancou minhas pernas. Arrancou minha alma e me deixou vivendo no inferno". Bateria, guitarra e baixo, seguem em alta até o final, uma última e definitiva pancada na bateria. O golpe de misericórdia que não veio. Afinal, quantas famílias são destroçadas por questões diplomáticas de engravatados que não têm inteligência suficiente para vencer a violência, assim como não têm coragem suficiente para brigar pessoalmente por seus interesses mesquinhos? Qualquer ato de violência é um erro. A guerra é o maior dos erros, pois quem paga por ela são milhões de inocentes e quem o provocou continua intacto. E pensar que hoje, no ano de 2013 de Nosso Senhor, auge da evolução e civilização humana ainda temos guerras acontecendo. Sinceramente eu esperava mais do tal ser humano. Mas graças à canções como essa do Metallica podemos despertar para o terror com que lidamos ;)

Nunca ouviu?

Você é o único!! Escute:



Outras canções sobre guerra:

Dispatch e o sonho do general
Jack Johnson e a terrível vergonha
Bob Dylan, Eric Clapton e Guns N'Roses batendo na porta do céu

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