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Michelle

14/06/2013

Amor sem linhas imaginárias

Os Beatles eram caras bons. Daqueles que viveram boas vidas, sem arrependimentos. Aposto que os netos de Ringo Starr e Paul McCartney quando pedem pro vô contar histórias perto da fogueira ficam encantados com tantas aventuras vividas pelos ex-beatles. E mesmo que John Lennon tenha morrido tão precocemente, não duvido que em seus 40 anos ele tenha vivido muito mais do que a maioria das pessoas que morre depois dos 90. Prova disso é essa canção do disco "Rubber Soul", de 1965, onde encontramos mais uma situação única, mais um capítulo incrível na saga de McCartney. Segue a letra:




Michelle
(Lennon/McCartney)

Michelle ma belle
These are words that go together well
My michelle
Michelle ma belle
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble

I love you, I love you, I love you
That's all I want to say
Until I find a way
I'll say the only words I know that you'll understand

Michelle ma belle
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble

I need to, I need to, I need to
I need to make you see
Oh what you mean to me
Until I do I'm hoping you will know what I mean

Michelle ma belle
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble

I want you, I want you, I want you
I think you know by now
I'll get to you somehow
Until I do I'm telling you so you'll understand

Michelle ma belle
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble

And I will say the only words
I know that you'll understand
My michelle

Vamos à andança...

Eu nunca fui muito com a cara de Michelle. Pra mim era só mais uma baladinha lenta e romântica; bonita e de valor inestimável, é claro, mas por demais melosa. Nunca a pulei quando o disco tocou, mas também não era com imenso prazer que a ouvia. Até que um dia fui à uma peça de teatro que usava canções dos Beatles em sua trilha sonora ao vivo orquestrada pelo meu amigo e mestre Felipe Thomas. A versão que eles fizeram de Michelle ao vivo me fez mudar minha concepção sobre a música, me fazendo perceber como o riffizinho aparentemente suave da guitarra é na verdade uma progressão arrepiante e singela que combina perfeitamente com o ritmo romântico com o qual Paul McCartney tece sua história. Também graças aquela dupla no teatro, percebi como o violão em Michelle é formidável. Com essa base ao fundo, Paul canta mais uma daquelas histórias que prova como sua vida foi proveitosa e interessante. Pois provavelmente McCartney estava apaixonado por uma garota de outro país - uma francesa que de certo apenas arranhava o inglês e fazia com que o baixista dos Beatles tivesse que se esforçar para expressar tudo o que ele sentia. O problema é que o músico, apesar de ter o poder de ler partituras e curvas sonoras como se fosse um livro infantil, não sabia nada além de duas palavras na "língua do amor". São as palavras que abrem a peça e aparecem no refrão: "Michell, ma belle" que quer dizer, creio eu, "Michelle, minha bela". O mais incrível aqui é o quanto duas palavras podem dizer sobre esse amor. Na impossibilidade de se comunicar, Paul fez uma canção incrível para esclarecer tudo o que a língua francesa tornava complicado. Ele diz, em inglês: "Eu te amo, eu te amo, eu te amo. Isso é tudo que quero dizer. Até eu encontrar um jeito eu vou dizer as duas únicas palavras que eu sei que você entenderá". Repare aqui também no violão com cada nota exatamente dedilhada em cada palavra. Parfait! Aqui ele volta pro francês amador, porém maravilhosamente sincero - afinal é isso que importa: "Michelle, minha bela, essas são palavras que soam bem juntas". Magicamente ele já emenda a próxima estrofe: "Preciso de você, preciso de você. Preciso fazer você entender o quanto você significa para mim. Até eu conseguir eu espero que você saiba o que eu sinto". O refrão vem mais uma vez, suportado pelos backing vocals absolutos de George Harrison e John Lennon. Outro detalhe importante é que esses backings acompanham os versos também, suavizando ainda mais a obra, porém acentuando a progressão que tanto me fez viajar desde aquela peça de teatro alguns anos atrás. Na última parte, McCartney diz: "Eu quero você, eu quero você. Acho que você entende agora. Eu ficarei com você de algum jeito. Até eu conseguir eu vou falar de um modo que você entenderá". Michelle, ma belle. Apenas duas palavras mas que emocionam por toda sua paixão e simplicidade. McCartney canta apaixonado; é possível perceber em cada "I need you" ou "I love you". Encarnando um narrador desprovido da fala, ele faz o possível para se declarar por sua amada. E consegue. Embora a crônica beatle não conte o desfecho, é fácil de imaginar o como a história se encerra. Afinal, aqui prova-se mais do que nunca que a música fala quando as palavras faltam ;)

Nunca ouviu?

S'il vous plaît écoutez. Escute:

2 comentários:

Fabio CS disse...

Maravilhosa melodia . Parabéns.

Andarilho disse...

Obrigado, padre!! Saudades!

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