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Fora do exílio

08/06/2013

O segredo do trabalho

O primeiro slogan desse blog, logo que ele foi criado, era: "Não importa a situação em que nos encontremos. Se houver uma boa música tocando, nada mais importa". Hoje comprovei essa sensação, há tanto proclamada. Foi ao som de Audioslave, porém presente no único disco deles que ainda não tenho na prateleira: "Out of Exile", lançado em 2005. Segue a letra:




Out Of Exile
(Cornell)

When I first came to this island
that I called by own name
I was happy in this fortress,
in my exile I remained
But the hours grew so empty
and the ocean sent her waves
In the figure of a woman
and she pulled me out to sea

When you come down to take me home
send my soul away
When you come round you'll make me whole
send my soul away

On the altar of a sunrise
was a wedding in the waves
And inside her shown a young light
from her labor I was saved
Though I've traveled long in darkness
in her harvest I'm embraced

When you come down to take me home
send my soul away
When you come round you'll make me whole
send my soul away

Now the spires and the gables
grow in orchards to the sky
And the blessings on my table
multiply and divide

When you come down to take me home
send my soul away
Yeah when you come round you'll make me whole
send my soul away
Yeah when you come down to take me home
when you come round you'll make me whole
Yeah when you come round to take me home
Send my soul away
send my soul away
Send my soul away
send my soul away

Vamos à andança...

Um dos momentos mais interessantes do livro "A Sabedoria do Guerreiro Pacífico" de Dan Millman é quando o autor descreve como percebeu a importância de cada momento ao observar um homem trabalhando na estação de trem. Ele disse que o sujeito tinha como fatídica tarefa limpar com um pano embebido em algum produto todos os adereços de um corrimão que percorria toda a estação. Toda a estação. Eram inúmeros pedaços de metal paralelamente posicionados por algumas boas centenas de metros. Facilmente o número de metais à receberem aquela delicada limpeza beirava o infinito. Mas o que mais chamou a atenção do autor não era a quantidade de trabalho que o pobre coitado teria que enfrentar. O que o Millman percebeu foi o apreço e carinho com o qual o senhor se dedicava ao trabalho que qualquer um teria feito da forma mais rápida e distraída possível. Como quem cuidava da coroa de um rei, o trabalhador polia centímetro por centímetro com esmero e dedicação, parando de momento a momento para admirar ou corrigir seu trabalho - a despeito da quantidade de serviço que ainda tinha por vir. Ali estava um mestre. Como tal, em tudo o que fazem os mestres se dedicam de coração. Para eles, cada ato é uma cerimônia. Cada momento é uma meditação. Não sei ao certo o motivo, mas essa lição nunca me saiu da cabeça. E hoje pude senti-la na pela, graças ao Audioslave. Atualmente, enquanto vivo na Austrália, arrumei um emprego num restaurante. Às vezes lavo a louça do recinto. Toda a louça. Nesses dias, milhões - para não dizer centenas de milhões - de canecas, copos, pratos, pires, cumbucas, vasilhas, colheres, garfos e tantos outros apetrechos gastronômicos que eu nem sei o nome estão à espera de serem lavados. E o mais interessante é que existe um teorema matemático que comprova que quanto mais você lava, mais material aparece para ser lavado. Não fosse a noite chegar para levar os últimos clientes, você provavelmente teria que permanecer no local por tempo indeterminado. Mas, por incrível que pareça, não é desespero nem ódio que você sente, embora ninguém poderia culpá-lo por senti-los. Isso por que o local é abençoado com uma caixinha de som com aquelas entradas que servem em qualquer celular. Hoje, enquanto me aventurava pelo maravilhoso mundo das louças infinitas, coloquei um Audioslave pra me ajudar na tarefa. Enquanto Out of Exile tocava me lembrei do antigo lema desse blog. Me lembrei do mestre que ensinou Dan Millman naquela estação de trem. O som rolava alto: a guitarra de Tom Morello fervia um riff ensandecido e Chris Cornell cantava um refrão ótimo que dizia: "Uuuuuh, quando você vem pra me levar pra casa e levar minha alma embora?". O ritmo, apesar de denso e poderoso, tinha uma levada suave que casava perfeitamente com o clima daquele narrador misteriosamente aprisionado em seu exílio. Em certo momento, a guitarra pára e a bateria anuncia apenas a voz de Cornell repetindo a última frase do refrão com sua voz rouca e absurda. Arrepiante. Nessa hora senti que estava vivo de verdade. Senti que cada caneca suja me oferecia a oportunidade única de limpá-la - enquanto eu próprio limpava minha mente. Meditei enquanto ouvia aquele Rock. Fiz minha cerimônia enquanto trabalhava. E trabalhei com gosto. Logo não havia mais louça e os últimos clientes se foram, satisfeitos. Minha missão estava cumprida. Percebi que trabalhar faz parte da vida. Então por quê não trabalhamos com verdadeiro amor e apreço, seja lá em que for? Cada dia é uma batalha, mas cada batalha traz uma vitória. Amanhã tem mais e não vejo a hora de colocar mais um Rock naquela cozinha ;)

Nunca ouviu?

Sinta-se vivo enquanto vive. Escute:

4 comentários:

Tales Gremen disse...

Perazzinha, meu caro!
Você, como bom andarilho que é (agora mais do que nnunca, né! rs) sabe muito bem como trilhar o caminho, e as palavras para nos mostrar a experiência pela qual passou.
Só te vi lavar louça uma vez na vida, e foi lá na Nilson's... hehehe. Mas me imaginei em seu lugar, aí na cozinha australiana. Eu às vezes me sinto desse jeito, também... aqui em casa, no meu "home-office", se é que posso assim chamá-lo. Prefiro dizer que é meu cantinho... aqui, todo dia que rola trampo, é dia de rock comendo solto nas caixas atrás de mim. O meu trabalho flui mto melhor, com mto mais criatividade e com mto mais prazer.
Acho que o mundo seria diferente se todos fizessem a mesma coisa. Por que se tem uma coisa que salva o momento, o dia, o stress e a vida, essa coisa é a música!

Belo texto... fiquei curioso para ler o livro que vc citou. Vou colocar na lista!

Um grande abraço do seu amigo,
Tales "Papito" Gremen

Danusa disse...

Eu já disse que vc precisa escrever um livro, não disse?!

Andarilho disse...

Valeu meus queridos pelos comentários!! Bom saber que vcs acompanham!

Papito, é isso aí! Trampar com Rock and Roll faz qualquer trabalho prazeroso, por mais prataria que haja pra lavar ou fotos pra tratar no seu caso, hahahah..

Cara esse livro na verdade é mais um aprofundamento do primeiro livro dele chamado "Caminho do Guerreiro Pacífico". Se vc se interessou sugiro ler esse primeiro e depois o "Sabedoria". O livro mudou minha vida, só digo isso!! Se quiser saber mais dá um ligue nesse texto:

http://musicas-andarilho.blogspot.com.au/2012/06/jason-mraz-remedy-caminho-guerreiro.html

Abraços!!

Renato Perazza disse...

Valeu por mais uma lição Mestre.
Já me sinto com mais forças pra enfrentar a batalha de amanhã.

Abraço

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