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É um erro!

14/05/2013

Mas não é o fim do mundo, convenhamos...

Depois de mais de quatro anos escrevendo nesse blog acho que foi a primeira vez que demorei cinco dias para postar num novo texto. Como diz o título do texto de hoje, isso foi um erro. Mas nem por isso um verdadeiro problema. Já explico. Como o fato da demora para a viagem sair foi por conta da minha nova e movimentada vida na Austrália, peço licença ao leitor para me redimir do atraso trazendo uma das bandas mais importantes daqui do outro lado do mundo: Men At Work. O mais interessante é que essa é uma das bandas de Rock que conheço à mais tempo, mas até agora não tinha sido postada aqui. Essa canção faz parte do disco "Cargo", de 1983. Segue a letra:




It's A Mistake
(Hay)

Jump down the shelters to get away
The boys are cockin' up their guns
Tell us general, is it party time?
If it is can we all come?

Don't think that we don't know
Don't think that we're not trying
Don't think we move too slow
It's no use after crying
Saying

It's a mistake
It's a mistake

After the laughter has died away
And all the boys have had their fun
No surface noise now, not much to say
They've got the bad guys on the run

Don't try to say you're sorry
Don't say he drew his gun
They've gone and grabbed old Ronnie
He's not the only one
Saying

It's a mistake
It's a mistake

Tell us commander, what do you think?
'Cos we know that you love all that power
Is it on then, are we on the brink?
We wish you'd all throw in the towel

We'll not fade out too soon
Not in this finest hour
Whistle your favorite tune
We'll send a card and a flower
Saying

It's a mistake
It's a mistake

Vamos à andança...

Muito, muito tempo antes de eu sonhar em vir pra Austrália, quando eu ainda era pequeno - não só em idade, mas principalmente em estatura - costumávamos viajar em família e era uma banda daqui quem fazia a trilha sonora daquelas longas viagens de carro. Longas no sentido literal, mas sobretudo no sentido hiperbólico. Naquela época, além de eu ainda não ter desenvolvido, digamos, um prazer pelas viagens da vida, eu sofria de terríveis enjoos que faziam viagens de fim de semana à cidades vizinhas parecerem com uma cruzada de um mês no deserto do Saara no lombo de um camelo manco. Mas apesar de tudo, ainda guardo boas lembranças daqueles tempo. Talvez seja por conta do Men At Work que embalava a trilha sonora dos momentos em família tão bem. Ainda hoje quando escuto, é para aquela época que minha mente flui e por isso, o grupo australiano é um dos que mais me lembram meus pais. Ouso dizer que a banda lembra meu pai mais do que Pink Floyd, mesmo ele sendo tão maníaco pela banda do David Gilmour quando eu por Beatles. A música é assim. Não é você que escolhe à que ela será associada. É ela que se associa à algo na sua mente e a faz viajar. Só podemos, como bons passageiros, apreciar a viagem em cada minuto - sejam nas belas paisagens, sejam nos enjoos que exigem paradas para ir ao banheiro. Em It's a Mistake, a obra começa com um reggaezinho ótimo no teclado de Greg Ham. O reggae tem um mistério que até hoje nem Freud e nem o Fantástico Mundo de Beakman conseguem explicar: ele te faz viajar com apenas dois acordes que ficam se alternando repetidamente de duas notas em duas. É uma receita cretinamente simples, mas que só rende se feita por quem sabe. Men At Work sabe. E esse ritmo suave no teclado já te faz cair na estrada desde o começo. Dele surge o baixo fenomenal de Johnathan Rees que por usa vez faz uma introdução pra bateria excelente de Jerry Speiser. Com o ritmo pronto, as malas e os passageiros no carro, só falta o piloto. Colin Hay então aparece apresentando sua voz bacana já em tom alto nos versos interessantes dessa letra que tem um tom sarcástico de crítica à guerra. Após questionar seu comandante várias vezes, o narrador chega ao refrão para concluir sua ideia com a repetição de Hay pelo coro formado pela banda: "Isso é um erro! Isso é um erro". Após um solo de guitarra revigorante, Hay chama o refrão mais uma vez, dessa vez com um agudo ainda mais poderoso do que o que inicia a peça. No final da música, enquanto a canção desacelera, vamos sentindo como se o carro estivesse chegando ao destino final para mais um fim de semana de alegria e bons momentos. E ao fundo os ecos continuam: "Isso é um erro". Louvável a crítica à guerra que, como diria T.H. White, é provavelmente a maior estupidez humana. Mas ao escutar esse som ultimamente tive uma reflexão mais pessoal. Muitas vezes cometemos erros dos quais nos arrependemos amargamente. Passamos dias e mais dias remoendo o passado em pensamentos numa tentativa inútil de encontrar uma absolvição pessoal. Diferente de uma guerra, porém, nossos erros provavelmente não tiram a vida de pessoas inocentes ou fazem milhares de pessoas chorarem. Na próxima vez que errar, em vez de perder bons momentos vagando sobre o que passou, concentre-se no que você pode fazer para consertá-lo. Se houver algo a ser feito, faça. Se não houver, desculpe-se e vire a página. Lembre-se do quão frágil é essa vida. Somos passageiros num universo complexo e gigantesco que reflete o quão somos pequenos. Menor ainda são nossos problemas e erros. Não perca tempo remoendo o que saiu errado. Aceite o erro e aprenda com ele. Foque no presente e faça o melhor que puder. Para ajuda-lo, ouça uma boa música. Men At Work é uma ótima pedida ;)

Vamos à andança...

Isso não é um erro. Escute:

2 comentários:

Fabio CS disse...

É verdade...o Men At Work era e é uma das bandas favoritas da minha juventude e que levei de carona para a vida de casado e por conseguinte nas nossas viagens com nossos filhos. Foi uma trilha dessas viagens. è uma banda fantástica. Boas palavras num excelente texto que nos faz viajar, sem enjôos.

Felipe Andarilho disse...

Hahahaha muito bom o comentário!! Obrigado, padre! Sem vc eu nao teria metade do bom gosto musical e metade da modéstia, hahahahah! Abraços!

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