Mais um livro do Andarilho

Atordoado e confuso

26/05/2013

Caos e paixão numa das melhores músicas do Zeppelin

Se tinha uma banda que sabia ser intensa em suas músicas era o Led Zeppelin. Devido à um entrosamento raro entre os quatro integrantes, todas suas canções conseguiam exprimir exatamente o sentimento contido na letra. Peguemos como exemplo uma das melhores canções do primeiro disco deles, "Led Zeppelin", de 1969. Segue a letra:




Dazed And Confused
(Plant/Page/Jones/Bonham)

Been dazed and confused for so long, it's not true
Wanted a woman, never bargained for you
Lots of people talking, few of them know
Soul of a woman was created below

You hurt and abuse, telling all of your lies
Run around sweet baby, Lord, how they hypnotize
Sweet little baby, I don't know where you've been
Gonna love you, baby, here I come again

Every day I work so hard, bringing home my hard earned pay
Try to love you, baby, but you push me away
Don't know where you're going, only know just where you've been
Sweet little baby, I want you again

Been dazed and confused for so long, it's not true
Wanted a woman, never bargained for you
Take it easy, baby, let them say what they will
Tongue wag so much when I send you the bill

Vamos à andança...


Se olharmos a canção You Shook Me, do mesmo disco, ou Heartbreaker do disco posterior, já poderemos observar a intensidade e profundidade das obras do Led Zeppelin. Se na primeira, um blues de devoção pela noite inesquecível, transporta as sacudidas da cama para a letra com um balanço primoroso e na segunda o riff violento conduz toda a fúria e revolta do narrador por ter seu coração partido, aqui em Dazed and Confused podemos sentir toda a confusão e atordoamento que o título propõe. Desde os primeiros segundos, com um aquecimento leve na bateria de John Bonham até a entrada triunfante de Robert Plant nos vocais, somos audiotransportados para um momento de obscuridade - daqueles onde não podemos saber ao certo o que está acontecendo. Aliás, daqueles que não podemos nem de longe imaginar o que está acontecendo. Robert diz, num de suas melhores performances: "Tenho ficado atordoado e confuso por tanto tempo, não é verdade. Quis uma mulher, nunca barganhei por você. Várias pessoas falando, poucas entendem a alma de uma mulher criada abaixo". Como podemos notar, sanidade mental é algo que tirou férias da mente desse narrador. Acompanhando cada milimetro de sua loucura momentânea, a guitarra de Jimmy Page solta uma levada hipnotizante e levemente macabra. Logo após, Plant continua seu devaneio delirante: "Você machuca e abusa, contando todas suas mentiras, corra, baby, Deus, como eles hipnotizaram! Doce garota eu não sei por onde você esteve. Vou amar você, aí vou eu de novo!" Como um bom momento de alucinação tem seus altos e baixos, agora não temos a guitarra de Page conduzindo a hipnose, mas sim uma acelerada absurda na bateria de John Bonham que, com a guitarra em segundo plano, coloca toda a loucura numa segunda potência - mais rápida, mais violenta. Esse trecho é um dos meus favoritos da carreira do Zeppelin, não só por sua revigorante energia, mas por todo esse contexto da confusão sentida pelo narrador. É como Helter Skelter dos Beatles. Nela, o quarteto de Liverpool quis colocar todo o caos numa música que originou um dos primeiros Heavy Metals da história. Aqui o Zeppelin faz o mesmo, transpondo para o som o que é sentido nesses momentos em que nosso cérebro resolve assistir "2001 - Uma Odisséia no Espaço", horas em que perdemos o controle sobre qualquer razão e os pensamentos decidem se desmontar em quebra-cabeças de 5.000 peças. Isso fica claro quando a instrumentação cai e é substituída por efeitos e vocalizações, coisa que o Led faz tão bem, como por exemplo em Whole Lotta Love ou In My Time od Dying. Aqui porém o trecho é mais breve e logo dá lugar para uma nova acelerada agressiva - dando ainda mais vazão aos altos e baixos do delírio. Geralmente isso acontece com o uso de drogas, mas tem algo que é capaz de criar um efeito ainda mais absurdo na mente de um cidadão comum e não precisa ser ingerido: é o amor, ou mais precisamente, a paixão. Obviamente que o Led Zeppelin deve ter usado ilícito na concepção dessa pérola que é Dazed and Confused, mas não há como negar que a paixão teve papel importante aqui. Esse tipo de amor faz perder a cabeça, faz querer e não querer mais. Faz você subir e voar, faz você cair e se desmontar. Não há nada que combine mais com o título "Atordoado e confuso" do que esse tal amor ;)

Nunca ouviu?

Tome cuidado, a viagem é um pouco atordoante. Segue a letra:

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