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[SHOW] Homem de Ferro

05/05/2013

Show do Black Sabbath, em Perth, Austrália, dia 04/05/2013

Desde que cheguei em Perth percebi o quanto a cidade é alvo de grandes excursões de bandas lendárias de Rock. O aperto financeiro que a maioria dos estudantes sofre, entretanto, me fez me segurar ao máximo para não gastar os preciosos dólares que valem mais que o dobro do nosso real. Com isso deixei de ver Guns N'Roses, Santana, Steve Miller Band e Robert Plant que já passaram pela cidade nesses dois meses em que estou morando aqui. Porém, quando soube que o Black Sabbath viria, não pude me conter mais. Para viajar nesse show épico, vamos ao som de uma famosa canção do disco "Paranoid" de 1970. Segue a letra:




Iron Man
(Osbourne/Iommi/Ward/Butler)

I am Iron Man

Has he lost his mind?
Can he see or is he blind?
Can he walk at all,
Or if he moves will he fall?
Is he alive or dead?
Has he thoughts within his head?
We'll just pass him there
Why should we even care?

He was turned to steel
In the great magnetic field
When he traveled time
For the future of mankind

Nobody wants him
He just stares at the world
Planning his vengeance
That he will soon unfold

Now the time is here
For iron man to spread fear
Vengeance from the grave
Kills the people he once saved

Nobody wants him
They just turn their heads
Nobody helps him
Now he has his revenge

Heavy boots of lead
Fills his victims full of dread
Running as fast as they can
Iron man lives again!

Vamos à andança...

Quando foi anunciada a nova reunião do Black Sabbath milhões de fãs abriram um sorriso com a possibilidade de ver Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Gezzer Butler e Bill Ward tocando juntos novamente. Afinal, foi com essa formação que o grupo de Hard Rock conquistou o mundo com suas guitarras pesadíssimas e letras macabras. Muitos dos fãs jovens que o grupo tem hoje se deliciaram com a possibilidade de ver pela primeira vez o tão poderoso quarteto. Contudo, poucos meses depois de anunciada a reunião, uma má notícia surgiu: Bill Ward, o baterista original do grupo, ao que parece, desistiu do retorno por "questões contratuais". Ruim, mas até aí tudo bem. Podia ser pior: podia ser o Tony Iommi. Ou ainda pior: podia ser o Ozzy, o lendário Príncipe das Trevas, quem não daria as caras. Mesmo sem Ward, a expectativa ainda era grande. Um bom amigo, David - talvez o maior fã de Black Sabbath que existe - disse que se precisasse, ele venderia o carro pra ir no show. Justo. Foi com esse pensamento que decidi comprar o ingresso, mesmo estando desempregado e pagando em dólares. Afinal, qual a chance de ver a reunião do Sabbath original (ok, 3/4 original sem Bill Ward) na Austrália? Provavelmente zero chances em 1 milhão. E o sacrifício valeu a pena. Óbvio que valeria. Se Ozzy Osbourne apenas subisse no palco e ficasse parado - o que já exigiria um considerável esforço físico e mental do vocalista - já valeria a pena. Mas além disso ele correu com seu jeito zumbi pra lá e pra cá, pulou, agitou o público, se ajoelhou e venerou a platéia e cantou quase tão bem quanto sempre fez. O carisma do frontman no show faz entender porque seu nome é um dos mais queridos no mundo do rock e somado às presenças discretas, porém absurdamente habilidosas do guitarrista Tony Iommi e do baixista Geezer Butler mostra porque o grupo atingiu o patamar de lenda. Se Bill Ward fez falta para os mais saudosistas, tecnicamente o músico foi muito bem representado pelo jovem monstro Brad Wilk (Rage Against The Machine e Audioslave) que brindou o público com solos que me fizeram pensar se James Kotak (Scorpions) ainda seria o melhor baterista que já vi ao vivo. Butler comanda o baixo como poucos no mundo e seu ápice chega com a introdução da pavorosamente empolgante N.I.B. O Mestre Tony Iommi desfia sua guitarra suja e densa com maestria e oferece solos incríveis como os que constam em Snow Blind, War Pigs e Fairies Wear Boots. Já o grande Ozzy demonstra seu lado dramático e sombrio com a canção que intitula a banda, Black Sabbath, além de seu lado enérgico com o encerramento obrigatório de Paranoid. Iron Man foi um show à parte, pois a introdução da guitarra que apresenta o título da canção já fez o público entrar em transe. Quando o conhecido riff de Iommi passou a dominar o ritmo, todos os fãs já se encontravam dentro da história do tal Homem de Ferro. Diferente do nosso herói dos quadrinhos e filmes, entretanto, o personagem dessa letra é, como de costume no Sabbath, um monstro - uma criação maligna que espalha medo e morte por onde passa. Encarnado muito bem por Osbourne, o personagem tem sua história contada com ritmo poderoso e agressivo, talvez como ele próprio. A combinação entre refrão e o solo de Iommi é um dos pontos mais altos da carreira da banda inglesa. Ozzy diz: "Ninguém quer ele. Ele apenas olha o mundo planejando sua vingança que em breve será completada". Nisso a guitarra já emenda suas notas agudas, altamente distorcidas e enérgicas. Talvez seja isso que define o Black Sabbath: distorção e energia. Provavelmente é por isso que o grupo ainda tem fôlego pra cruzar o mundo com suas canções icônicas que ecoam na mente e coração dos fãs há mais de 40 anos. O Brasil que se prepare para o Sábado Negro em outubro ;)

Nunca ouviu?

Conheça o Homem de Ferro poderoso e destruidor. Escute:

3 comentários:

Anônimo disse...

Putz, meu velho, parabéns pela descrição!!
Lendo o seu post me senti totalmente na atmosfera da missa negra do Sabbath e tenho certeza que depois de viver essa experiência aí abençoado pelas ondas distorcidas saídas do trio Iommi, Butler e Ozzy o mundo vai ficar pequeno pro Andarilho! Do caralho essa trip!
Abs
David

Silvana disse...

Oi Felipe muito legal seus posts, realmente merece ganhar a atenção dos leitores... até quem não curte o rock pesado do Black sabbath consegue ter uma ideia da atmosfera empolgante de um fã.

Andarilho disse...

Valeu meus queridos pelos comentários. Fico feliz que tenham sentido um pouco do que foi ver essas lendas ao vivo, ainda mais aqui do outro lado do mundo!! Abraços e bjos!!

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