Mais um livro do Andarilho

Ciumento de novo

29/05/2013

Ensaio sobre o ciúme

Já que sigo a página dos Black Crowes no Facebook é natural que eu, vez ou outra, acompanhe alguma novidade da banda. Vira e mexe os caras colocam o setlist dos próximos shows que irão realizar para o público ir se preparando. Bacana na parte deles. Só que não é bacana com nós, pobres mortais! Pô... Fico sabendo que o pessoal de Los Angeles, Springfield, Missouri, Texas e tantos outros cantos dos Estados Unidos estão recebendo os Corvos Negros e nada de Brasil! Nada de Austrália! Já está mais que na hora desses pássaros voarem mais longe. Mas enfim, enquanto eles não se animam de enfrentar outros públicos de outros países, nós seguimos viajando em suas canções sempre excelentes! Essa é do primeiro disco deles, "Shake Your Money Maker" que saiu em 1990 e trata de um assunto recorrente no dia-a-dia do cidadão comum: o ciúme. Bom... Segue a letra:




Jealous Again
(Robinson)

Cheat the odds that made you
Brave to try to gamble at times
Well I feel like dirty laundry
Sending sickness on down the line
Tell you why

'Cause I'm jealous, jealous again
Thought it time I let you in
Yeah, I'm jealous, jealous again
Got no time, baby

Always drunk on Sunday
Try'n to feel like I'm at home
Smell the gasoline burning
Boys out feeling nervous and cold

'Cause I'm jealous, jealous again
Thought it time I let you in
Yeah, I'm jealous, jealous again
Got no time, baby

Stop, understand me
I ain't afraid of losing face
Stop, understand me
I ain't afraid of ever losing faith in you

Never felt like smiling
Sugar wanna' kill me yet
Find me loose lipped and laughing
Singing songs ain't got no regrets

'Cause I'm jealous, jealous again
Thought it time I let you in
Yeah, I'm jealous, jealous again
Got no time, baby

Stop, understand me
I ain't afraid of losing face
Stop, understand me
I ain't afraid of ever losing faith in you

Don't you think I want to
Don't you think I would
Don't you think I'd tell you baby
If I only could
Am I acting crazy
Am I just too proud
Am I just plain lazy
Am I, Am I, Am I, ever

'Cause I'm jealous, jealous again
Thought it time I let you in
Yeah, I'm jealous, jealous again
Got no time, baby

Vamos à andança...

Pode-se dizer que eu aprendi uma coisa nessa vida. Uma única coisa, mas já valeu a pena ter vivido para aprendê-la. Demorei alguns anos e nem todas as aulas que tive na faculdade foram suficientes para me ajudar nessa árdua tarefa. Nem todas as manhãs nas sessões de cursos extra-curriculares; nem todas as conversas filosóficas com os diversos mestres da vida; nem os milhares de livros, filmes e quadrinhos que li; nada disso foi suficiente para me ensinar algo que apenas a vida e a experiência propriamente dita me ensinaram: que todo o ciúme é idiota. Essa frase não é minha. Li numa das "Crônicas Saxônicas" de Bernard Cornwell, mas a sentença me marcou bastante. Depois de tanto tempo, percebi como ela era verdadeira. Para que serve o ciúme? Ciúme é algo tão útil quanto aquele papel higiênico barato e quase transparente. Mesmo que você use e tente fazer o melhor com ele, no fim das contas você percebe que a coisa certa a fazer é deixar pra lá. Há quem persista no ciúme, alegando que tal sensação "faz parte do amor" e serve para mostrar à outra o pessoa que ela é querida. Quem pensa assim normalmente se esquece que a maior forma de amar é a liberdade e que quando há bom senso suficiente, o ciúme torna-se por si próprio completamente impotente - como um penetra que se retira da festa quando percebe que o clima das pessoas está bom demais para o gosto dele. Ciúme é idiota. É uma das maiores besteiras que sua mente pode criar para te enganar. Como diria Dalai Lama, emoções que perturbam a mente - como o ciúme - são ilusões. E como toda ilusão, podemos desmascará-la e mostrar sua falta de substância. Não é difícil. Se eu consegui, então até um caramujo pode se libertar do ciúme. Para começar podemos ouvir os mestres. Em Getting Better dos Beatles, por exemplo, temos o resultado glorioso dessa superação. Aqui, em Jealous Again, no entanto, os Black Crowes ainda estão em um passo anterior: a fase de reconhecimento do problema. Começa assim. Logo nos primeiros segundos, a guitarra feroz de Rick Robinson solta um riff potente que se mistura com um pianinho fenomenal lá do Southern Rock americano tocado por Chuck Leavell. Ambos criam um ritmo agradável e dançante, marcado pela bateria ótima de Steve Gorman. Chris Robinson logo adentra a peça com sua voz em ótima forma, afinal, essa é uma das primeiras faixas do primeiro disco. Como adeptos da Turma do Primeiro Disco Avassalador, os Black Crowes arrebentam aqui, colocando toda a alma nas canções. Chris encarna um personagem que sofre pelo ciúme, esse veneno que atrapalha boa parte dos romances, e coloca na voz em cada verso um pouco dessa dor e angústia. Como bom vocalista ele também adiciona um pouco de sarcasmo e alegria ao tom, talvez por antever que logo essa nuvem negra será dissipada e nunca mais o iludirá. Num dos melhores momentos da canção, a instrumentação cai e fica apenas a guitarra, soltando notas hipnóticas em que Chris diz: "Pare, me entenda! Eu não tenho medo de cara de perdedor. Não tenho mesmo de perder a fé em você". O refrão traz o começo da libertação com o reconhecimento da situação. Chris e seus backing vocals emocionantes repetem "Ciumento, ciumento de novo! É hora de deixar você ir. Ciumento, não tenho tempo pra isso, baby". Ciúme é como bebida - quem faz uso em excesso não gosta de assumir. Se você sabe que é ciumento já é um bom passo para eliminá-lo de sua vida. Abra sua mente, ouça os mestres. Ame e dê o seu melhor sem esperar nada. Como recompensa por seu amor único nesse mundo a outra pessoa naturalmente te devolverá amor e fidelidade. Se não devolver, talvez seja melhor se dedicar à quem mereça mais. Não esquente a cabeça. Não é preciso imposição. Amor e liberdade estão interligados. Pare de tentar mandar e mudar os outros. Pessoas não são propriedades. A vida é tão curta que nem objetos que compramos podem ser considerados "nossos" realmente, quanto mais um ser humano! Enquanto o solo incrível e essa música maravilhosa dos Crowes fluem, deixe seu ciúme e qualquer outra emoção negativa se esvair - para sempre e para longe ;)

Nunca ouviu?

2 comentários:

Tia Cláudia disse...

Felipe, gostei muito das suas reflexões neste texto e das citações. Sou sempre fã do Dalai Lama. Ótimo, mesmo, parabéns!

Andarilho disse...

Oi tia!! Muito obrigado pelo comentário. Fico muito feliz q vc esteja acompanhando!! Bjs!

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