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De bar em bar pela noite

04/04/2013

O Brasil tem muito o que ensinar

Pois é amigos. No post sobre a canção Australia dos Kinks comentei um pouco sobre as primeiras boas impressões que tive ao viver do outro lado do mundo. Já tive muitas experiências agradáveis aqui e tenho que admitir que há coisas na Austrália que o nosso país jamais vai conseguir realizar - como ninguém para cobrar o seu bilhete no trem, ou pedreiros ganhando tão bem quanto os engenheiros, por exemplo. Mas como tudo que está no alto é como o que está embaixo, como diria Hermes Trismegisto, a terra dos cangurus também tem seu lado negro. E dedico o texto de hoje ao que o Brasil têm de melhor e deixa essa tal de Austrália no chinelo. Tem a ver com bar e cerveja, então não podia ser outra banda que não os paulistas Velhas Virgens. Essa canção é do disco "Foi Bom Pra Você", de 1995. Segue a letra:




De bar em bar pela noite
(Carvalho)

Nada que eu possa dizer
Vai te fazer entender
Que esse papo de trampo nunca foi pra mim
O que eu quero na vida é somente viver

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Nada que eu possa fazer
Vai te fazer me seguir
Tenho o destino marcado e o corpo fechado
Só quero estar vivo, só quero viver

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Tudo aquilo que eu disser
Pode mudar amanhã
Não sou dono da verdade não quero seu ódio
Não quero piedade nem o seu perdão

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

De bar em bar pela noite
Cada um escolhe o que quer
De bar em bar pela noite
Curtindo tudo que vier
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Nada de vestibular
Nada de preocupação
Tudo que a vida me ensina é a grana, a amizade
Curtir, a verdade e amar meu irmão

Curtindo o que a vida me dá
De presente
De bar em bar pela noite
Atrás de cerveja e mulher

Vamos à andança...

Pra começar com aquela voadora do Sub-Zero no peito, aqui na Austrália você não pode beber na rua. Para poder apreciar sua querida cervejinha gelada só se você estiver dentro de casa ou dentro de um bar. Fora isso, é tudo proibido e você pode tomar uma multa se for pego com a latinha na mão. Dá pra imaginar? Um país com praias paradisíacas, um mar mais azul que o Dr. Manhatan e um calor que beira os 33º diariamente e você não pode tomar nem um golinho de frente pro mar ou com seus amigos na calçada... Aliás aqui não existe latinha de cerveja (eu pelo menos não encontrei nenhuma) e adivinha? - também não existe garrafa de 600mL! É sério. Se você quer beber, tem que pedir um chopp ou uma long neck. É muito egoísmo, creio eu. Cerveja é feita para interação, pra dividir com os amigos, mas aqui esse conceito passa longe: é cada um com a sua. Outro problema é o preço. Como aqui não existe boteco ou bares simples, você é obrigado à ir num dos muitos Pubs espalhados pela cidade e cada chopp sai por volta de 10 dólares. Não é exagero, mas é melhor você nem fazer as contas ou vai entrar em depressão ao saber que pagou 20 reais num copo de cerveja. Quando menos esperar você gastou todo seu dinheiro e nem bem começou a beber. Pra pagar menos, só comprando no mercado pra beber em casa, mas aí parte da graça se perde no caminho. Mas pior do que não poder beber na rua, não poder dividir com os camaradas e pagar caro - muito pior do que tudo isso - é o serviço prestado nos Pubs. Eu já tinha ouvido falar que os garçons brasileiros são considerados os melhores do mundo e nunca duvidei disso, afinal quase sempre sou bem tratado nos bares de São Paulo, mas agora tenho o embasamento científico pra falar. Nós estamos acostumados com um garçom simpático e prestativo pronto para limpar sua mesa e trazer quantas garrafas forem necessárias. Isso nem se compara com o país de primeiríssimo mundo, membro do Império Britânico no qual estou morando agora. Ao ir à algum pub é você quem se vira. Terá que ir ao caixa, enfrentar fila, pedir e pagar seu chopp diretamente com barman. Se tiver sorte você pega uma mesa, mas ela vai continuar suja com os restos de quem quer que estava lá antes até o fim da noite. Pra dizer que eles se preocupam com seu bem-estar eles tem um funcionário que tem como uma função recolher os copos, mas na verdade ele faz isso pra que eles possam continuar vendendo os chopps. E para os fanboys dos países desenvolvidos aqui vai a bomba: a cerveja não tem nada demais - tirando o preço, é claro. Tenho bebido cervejas diferentes, importadas da Europa, algumas com nomes difíceis de pronunciar, mas nada que supere a nossa querida Original. E pra encerrar um desabafo pessoal: num pub aqui de Perth, chamado Mustang Bar, uma garçonete não quis dar 10 dólares de troco de um amigo, nos acusou de querer enganá-los e quando pedi pra falar com o gerente, o bonitão me disse educadamente: "Se vocês não estão felizes, dêem o fora do meu bar". Pode não soar tão grave lendo assim, mas no inglês truculento do cara foi: "Get the fuck out of my bar". Epa! Tem um "fuck" ali. Já vi essa palavra em vários filmes americanos e sei que boa coisa não é. Logo eu, vindo do nosso querido Brasil, onde os garçons são nossos amigos, e os gerentes fazem de tudo pra cultivar seus clientes... Saudade de casa! Pra matar a falta que me fazem os amigos e as noites paulistanas, só mesmo com os Velhas Virgens. A energia contida em De Bar em Bar Pela Noite é exatamente o que podemos achar em São Paulo, numa saída qualquer. São infinitas possibilidades e aventuras. Você pode descer a Rua Augusta e andar pela Paulista ao som de Paulão de Carvalho cantando: "O que eu quero na vida é somente viver curtindo o que a vida me dá de presente. De bar em bar pela noite, atrás de cerveja e mulher". Mais à frente, com o balanço da guitarra e as pancadas da bateria rápidas e potentes, além da ótima participação de Marcelo Nova em alguns versos, Paulão encerra: "Nada de vestibular. Nada de preocupação. Tudo que a vida me ensina é a grana, a amizade, curtir a verdade e amar meu irmão. Curtindo o que a vida me dá de presente". Com Velhas e com os bares brasileiros é só alegria, amizade e momentos únicos. É por essas e todas as outras citadas acima que nosso querido país tem muito o que ensinar ;)

PS: Anote aí, o nome do Bar é Mustang e se você, viajante, um dia vier para Perth, não vá para lá ou poderá receber uma frase nada simpática dos caras pra quem você está dando dinheiro...

Nunca ouviu?

Ouça e vá pra um bar comemorar! Escute:

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