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Paraíso

01/04/2013

Música com perfeição dos céus ou de uma pessoa

Após conhecer tudo dos meus queridos Beatles - desde seus discos oficiais até os bootlegs lançados apenas na Ucrânia -; depois de ler dezenas de livros à respeito de seus integrantes; depois de conhecer todas as músicas de trás pra frente e até aprender a tocar algumas na viola; após decorar até os nomes dos cachorros de Paul McCartney ou as bandas anteriores que Ringo Starr fez parte; depois de tudo isso, creio que chegou a hora de conhecer um pouco mais os Rolling Stones. Essa canção faz parte de um disco adquirido há alguns meses, mas lançado há muitos anos (1981), chamado "Tattoo You". Segue a letra:




Heaven
(Jagger/Richards)

Smell of you baby, my senses, my senses be praised
Smell of you baby, my senses, my senses be praised

Kissing and running, kissing and running away
Kissing and running, kissing and running away
Senses be praised
Senses be praised

Your my saving grace, saving grace
Nothing will harm you
Nothing will stand in your way
Nothing, Nothing
Nothing will stop you
And nothing will stand in your way
No one will harm you
No one will stand in your way
No one will bar you
Nothing will stand in your way
Nothing
There's nothing

Vamos à andança...

Não é que eu desprezava Rolling Stones enquanto ainda tinha material dos Beatles a ser conferido. É que simplesmente não tinha vontade de ouvir seus discos. Tentei há alguns anos, mas não era a hora certa de ouvi-los. Como diria o mestre Vaz, me contentei com uma coletânea dupla deles. Ali estava tudo que eu precisava de Rolling Stones na vida. Afinal, com tantos discos dos Beatles pra quê Rolling Stones? Mas eis que, alguns anos se passaram e me senti como se tivesse visto o final do filme "Beatles". Bateu aquele vazio: "e agora?" como quem demora seis penosos meses pra terminar um livro e depois se vê sem seu velho companheiro diário. Não que não vão lançar mais nenhum material do quarteto ou algo do tipo - na verdade ainda há muito a ser explorado e muito dinheiro de beatlemaníacos à ser recolhido. Mas depois de ouvir mais de duas mil setecentas e quarenta e nove vezes o "Rubber Soul" e o "Beatles for Sale" a ponto de saber até onde estão as respiradas dos vocalistas e as viradas precisas, chegou uma hora em que me senti impelido à desvendar um pouco mais do universo do qual Beatles fazia parte. E logicamente Rolling Stones foi a primeira coisa que me veio à mente. Na primeira loja que fui determinado à desvendar essa nova banda (pra mim, é claro), achei o tal do "Tattoo You". A experiência não só se revelou bastante proveitosa - pois é um disco excelente - como me trouxe uma das mais viajantes canções da vida. Heaven é uma daquelas músicas que você pode colocar no repeat por uma hora sem enjoar. Na verdade você não vai enjoar porquê vai viajar tanto que nem vai saber que passou uma hora. Será impossível até mesmo ter uma noção de quantas vezes a música tocou. Heaven está ao lado das Grandes Viagens Musicais como Visions do Living Colour, Ramble Tamble do Creedence e Drink the Water do Jack Johnson. Se você observar essas obras perceberá que elas não são apenas músicas, mas um fluxo constante de vibração e energia em forma de notas e ritmos. São músicas que te transportam pra dimensões ocultas aos olhos, mas tão reais quanto nosso mundo. Heaven faz isso, com um ritmo inebriante criado principalmente pela guitarrinha de Keith Richards, a bateria acelerada de Charlie Watts e pelos efeitos na voz de Mick Jagger. O vocalista solta a voz em uma variação aguda totalmente enfeitiçada e alucinante, que descreve uma pessoa cara comparando-a a nada menos que o Paraíso. A analogia soaria exagerada e imprecisa não fosse o talento da banda em conduzir-nos à uma experiência sonora tão fantástica e poderosa como a própria morada dos anjos e santos. Se lá é um lugar de paz, amor, criatividade e emoção como dizem os sábios e as lendas, então os Stones o retrataram quase que fotograficamente. Jagger diz, em sua voz hipnótica: "Seu cheiro, baby, que meus sentidos sejam louvados". Aqui, já no começo somos capturados com gosto pela palavra esticada: "praaaaaaised". Mais à frente a declaração segue implacável, com versos belíssimos, os quais tentarei traduzir na íntegra: "Você é minha graça salvadora. Nada vai te fazer mal. Nada vai ficar no seu caminho. Nada, nada. Nada vai te parar, nada vai te fazer mal. Nada vai ficar no seu caminho. Nada vai barrar você. Nada. Não há nada". Isso não é nem uma declaração. É um louvor que coloca a pessoa amada no patamar dos céus, um lugar intocável e abençoado. E com essa mesma doçura e beleza foi feita a canção ;)

Nunca ouviu?

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