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Nunca é suficiente

23/04/2013

Descubra onde está o que está faltando

Já considerada um clichê a frase que diz: "o homem nunca está satisfeito". O próprio bluesman Nuno Mindelis abordou esse tema em Grass is Greener com uma lição de moral bastante eficiente. Verdade ou mito, o fato é que podemos observar por nós mesmo que em cada situação em que estamos, frequentemente sentimos que há algo faltando. Algo que poderia ser melhor. Pra viajar nesse tema, vamos ao som de Papa Roach, do disco "Infest", de 2000. Segue a letra:




Never Enough
(Shaddix/Horton/Esperance/Buckner)

Life's been sucked out of me
And this routine's killing me
I did it to myself, again I said this would not be
Somebody put me out of my misery
Expression, stimulation hallow sense of myself
I did it to myself again
Somebody put me in my place

Never enough, never enough
Do I deserve what I got?

Now everything's ok,
There's nothing wrong with me
This seems unnatural to me
I'd sick in everyway
Somebody kick me in the face

Now something's wrong with me
I'm bleeding profusely and
This seems natural to me
A fuck up everyday
Somebody put me in my place

Never enough, never enough
Do I deserve what I got?

Never enough, never enough
Do I deserve what I got?

what I got, what I got, what I got

I feel as if I'm running back to where I started
Ask what's wrong with me
And I say nothing
Is everything ok? Is something wrong with me?
Pushing and pulling feelings eternal
My heart is yours
I feel as if I'm running
I feel as if I'm running
I feel as if I'm running
Run! Life will knock me down!

Never enough, never enough
Do I deserve what I got?

Never enough, never enough
Life will knock me down!

Vamos à andança...

Como é de se esperar quando se trata de Papa Roach a viagem aqui é pesada. Vamos ao som de guitarras distorcidas entrecortadas por pauladas tão fortes na bateria que devem ter causado hérnia nos cotovelos do baterista Dave Buckner. Há também a guitarra mais aguda que sola enfurecida durante todo o riff introdutório e dá as caras de vez em quando pra tornar a viagem ainda mais poderosa. Por se tratar de Papa Roach podemos esperar também uma letra agressiva, cheia de ira explosiva e questionamentos. Diferente de Last Resort, entretanto, canção que desperta uma energia agressiva, porém construtiva, aqui a auto-crítica é pesada - própria de alguém encurralado, desorientado e solitário, mas que busca na raiva e na explosão um pequeno e momentâneo alívio. Embora pessimista, a letra serve pra uma reflexão bastante útil. Enquanto grita o refrão, o vocalista Jacoby Shaddix coloca a questão no ar: "Nunca é suficiente! Eu mereço o que eu tenho?" Pare pra pensar a respeito. Quantas vezes reclamamos da vida? Sempre há algo faltando. Nunca é o suficiente. Quando um emprego não tem um chefe legal, você arranja o chefe legal, mas o salário é baixo. Quando você acha que se livrou da namorada possessiva, acaba namorando outra que é cleptomaníaca. Quando não é o pé que está com aquela velha antiga dor, é a barriga que resolveu digerir os alimentos, digamos, rápido demais. É fato conhecido que o homem nunca está satisfeito com o que tem. A grama do vizinho é sempre mais verde e o jardineiro dele é mais barato! Mas por que pensamos e agimos assim? Creio que essa forma de pensamento está ligada ao pensamento imediatista. Tendemos à agir levando em conta apenas um ponto do presente. De que importa que meu pé está bem se agora minha barriga é que dói? De que adiante eu ter um chefe legal se agora eu ganho pouco? Na verdade, tudo é uma questão de ponto de vista e, nesses fatídicos momentos, tendemos a olhar apenas um dos pontos - geralmente o pior - e aumentá-lo de modo que ele se torne o maior problema do mundo e nada mais importe - seja o chefe legal ou a dor no pé que passou, para citar apenas duas das inumeras coisas boas que temos. Pelo que tenho lido sobre filosofias e principalmente sobre budismo, esse modo de visão é ilusório. Somos constantemente enganados porque achamos que estamos vendo as coisas como elas são, mas talvez a verdade seja bem diferente. Talvez tudo esteja conectado. Talvez não haja passado, nem presente, nem futuro e tudo seja uma coisa só, como uma música. Uma canção tem começo, meio e fim, mas tudo é a mesma canção. Todos os versos, todos os instrumentos e ritmos são a mesma canção. Não há passado para uma canção, pois mesmo no final, ela ainda é a mesma música. Acho que devemos viver como uma música. Sem ficar nos comparando com outras pessoas ou com outros momentos ou pior ainda: com o que gostaríamos de ser. Seja o que você é. Viva a sua música. Como uma boa composição, há altos e baixos, mas tudo é parte do mesmo. Não coloque obstruções em sua mente. Você é parte do todo e tão completo quanto qualquer ser vivo. Quando pensar que não tem o bastante, lembre-se que você já tem tudo. Você já é o tudo, e tudo já é suficiente. Como diria Fernando Noronha & Black Soul: "Tudo o que você precisa saber é que o poder já está dentro da sua alma". E por falar em altos e baixos numa canção, um dos melhores momentos de Never Enough do Papa Roach é quando a instrumentação cai, a guitarra é tocada de forma opaca e a Jacoby canta num sussuro até que a guitarra retorna subitamente pra um novo pico, dessa vez ainda mais alto e poderoso. Assim é a vida, assim é você ;)

Vamos à andança...

Isso é o bastante, sim! Escute:

4 comentários:

Anônimo disse...

CARA, NÃO SÓ É UMA LIÇÃO MUSICAL, MAS TAMBÉM É UMA LIÇÃO DE VIDA, APRENDO MUITO COM VOCÊ, QUE ORGULHO DE TÊ-LO COMO UM AMIGO, BLOG CONTINUA SENSACIONAL !!!

JUN

Andarilho disse...

Valeu pelo comentario, mestre!! Eu q agradeço pela sua amizade e pelos ensinamentos q aprendi com vc, hahahah.. Absss!

Anônimo disse...

Uma vez estudando Neurociências, aprendi que o ser humano é realmente imediatista, ele não consegue por exemplo, lembrar-se de detalhes de sua vida passada, nem prever o futuro. O agora é o mais importante. É o que temos e vivemos agora.
Quanto a questão de ser e ter funciona da mesma forma, nós somos seres sociais precisamos de pessoas em todos os momentos e ser excluído socialmente é algo que o ser humano em geral tem "medo". Enfim, é por isso que sempre queremos mais e mais...Para sermos mais 'agora' e ter mais pessoas para dividir.


Vou continuar acompanhando aqui :)

beijos Retta

Andarilho disse...

Aeeeeeeeeeeee Rettinha que surpresa boa! Sensacional a análise Neurocientífica. Realmnete vivemos considerando apenas um ponto mais importante no momento, e na minha opiniao, erramos ao negligenciar o "resto" que já temos de bom. Como a música, temos que nos lembrar de tudo, da obra completa e não julgar por apenas um quesito! Beijao, apareça sempre!

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