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Bom bom bom

13/04/2013

Música que inspira à desvendar o novo

Há algumas décadas atrás quando os jovens queriam compartilhar suas músicas com os amigos eles gravavam fitas K7 com as canções escutadas no rádio ou retiradas de algum vinil, um trabalho árduo porém esmerado. Hoje em dia com a internet tudo perdeu um pouco de graça, mas eu e meus amigos ainda mantemos o antigo costume de trocar canções, só que em vez de uma fita, usamos um pendrive. Foi numa dessas trocas que meu primo me apresentou The Living Things. Logo que ouvi pela primeira vez alguns dias depois, viajei de forma profunda no som dessa banda relativamente nova dos Estados Unidos. Essa canção faz parte do disco "Ahead With the Lions", de 2005. Segue a letra:




Bom Bom Bom
(Berlin/Berlin/Becker)

We're gonna wake this city tonight
Oh, watch it burn into the twilight
I said hey, hey, hey this is our birthright
To be bought and sold, shipped off ready to die. We're
ready to fight.

We're going bom bom bom. Bom bom away bom.
Bom bom, bom bom.
We go bom bom, bom bom away bom. Bom bom, bom bom.

I can't drink or drive a tank at nineteen
So I set off to join the U.S. Army
The first time I left my country
I felt the desert sand marchin' under my feet. Come
march with me.

We're going bom bom bom. Bom bom away bom.
Bom bom, bom bom.
We go bom bom, bom bom away bom. Bom bom, bom bom.

We're gonna take this city tonight
We're gonna shake this city 'til 4th of July
We're gonna take this city tonight
We're gonna shake this city 'til 4th of July
Shake it. Oh shake it.

I said: No NYC, Los Angeles
No Saint Louis, no New Orleans
No you and me, no you and me, no sympathy
Cause we're gonna bring them, bring them to their
knees

We go bom bom bom, bom bom away bom. Bom bom, bom bom.

We go bom bom, bom bom away bom. Bom bom, bom bom.

We're gonna take this city tonight
We're gonna shake this city 'til 4th of July
We're gonna take this city tonight
We're gonna shake this city 'til 4th of July
Shake it. No brights lights, no more big city.
Shake it. No brights lights, no more big city.
Shake it. No brights lights, no more big city.
Shake it. No brights lights, no more big city.

Vamos à andança...

Gostei de cara dos "Living Things" por que senti o peso. Rock and Roll tem que ter peso. Não necessariamente o peso de guitarras distorcidas e pauladas violentas. O peso à que me refiro é a densidade e profundidade das músicas. Não me sinto atraído pela maioria das bandas de rock modernas - principalmente o que chamam de Indie Rock por que não sinto esse peso. Não há densidade nessas músicas. A maioria me parece criativa, mas um tanto transparente e repetitivas. Do tipo que deixam uma leve marca no mundo, mas que provavelmente daqui ha alguns anos poucos vão se lembrar. Bandas de peso não deixam marcas. Deixam uma cicatriz profunda como uma fissura na terra provocada por um meteoro. Isso nunca vai ser apagado. E essa qualidade Living Things tem. Suas canções são viajantes, inspiradoras, dão vontade de pegar a estrada literalmente ou mentalmente. Dá pra ver boas referencias ali, desde uma empolgação de ACDC até uma molecagem do antigo Green Day. E dá pra ver também modernidades como os efeitos na voz do vocalista Lillian Berlin ou os efeitos sonoros misturados aos solos frenéticos. Mas se eu fosse associar os Living Things à uma banda lendária seria ao Thin Lizzy. A forma despretensiosa de cantar que soa delirante a altamente chapada de Berlin lembra em muito o grande Phill Lynot, sem falar nos riffs rápidos que conduzem letras inteligentes e simpáticas, como o antigo trio irlandês costumava fazer tão bem. Em especial a letra de Bom Bom Bom lembra uma das obras primas do Thin Lizzy, The Boys Are Back in Town. Se naquela época, Lynot e seus comparsas prometiam chegar à cidade pra tocar o terror - no bom sentido, é claro - e aproveitar ao máximo a noite, aqui Living Things repete à premissa, mas com um tom mais sério e agressivo, outra marca interessante da banda americana. Aqui, em meio à um riff agudo ótimo de Cory Becker e uma bateria simpática e forte de Bosh Berlin, Lillian começa a descrever a premissa da noite: "Nós vamos acordar essa cidade hoje à noite. Oh, veja ela queimar na madrugada. Eu disse, hey, isso é nosso por direito. Ser comprado e vendido, enviado e pronto para morrer. Nós estamos prontos pra luta". É interessante o timing perfeito da banda. Em alguns versos, é a bateria e o baixo de Eve Berlin os únicos à falarem. Em alguns momentos, no entanto, a guitarra volta à aparecer estrategicamente. Logo à frente há um dos melhores momentos da obra quando o cantor diz: "Nós vamos bom bom bom bom" e a guitarra surge exatamente no primeiro "bom". Perfeito não só o entrosamento mas sobretudo o uso da onomatopéia pra descrever o que não pode ser dito numa palavra normal. "Nós vamos bom bom bom" é muito mais do que "Vamos curtir, vamos arrebentar, vamos pirar". É por isso que o título da obra é esse. A guitarra aguda logo se transforma numa distorção densa e imponente quando a música chega no refrão e é declarado o objetivo da missão dos camaradas: "Nós vamos tomar essa cidade hoje à noite. Vamos sacudi-la até 4 de julho". Esse é o pensamento provável de quem sabe que vai encontrar momentos e experiências incríveis e absurdas na cidade para onde se dirige. Você já viajou com seus amigos para uma cidade nova para você e sentiu toda a empolgação e energia crescendo em seu corpo conforme se aproximavam do local? A sensação é essa aqui. "É tudo nosso". Vamos curtir, vamos sacudir e vamos ouvir um excelente rock and roll ;)

Nunca ouviu?

Adentre essa cidade nova e incrível com seus amigos e irmãos. Escute:

2 comentários:

Anônimo disse...

Descritiva muito interessante. Abraço

Andarilho disse...

Muito obrigado pela visita!! Abração

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