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Água negra

16/04/2013

Cidades em que a tranquilidade reina

Uma coisa que tenho reparado aqui na Austrália é que os caras apreciam um Country Rock. Antes de eu vir para cá me falaram que aqui é tudo meio como ao no sul dos Estados Unidos, inclusive o sotaque. Não posso dizer se a primeira parte é verdade, pois infelizmente nunca estive nos estados americanos que originaram a Country Music, mas quanto ao sotaque a informação é distorcida. Australianos tem um sotaque diferente, mas é bem mais puxado pro inglês britânico do que pro americano. Mas já que a influência sulista dos EUA ao menos existe na música, hoje vou viajar numa obra dos Doobie Brothers, do disco "What Were Once Vices Are Now Habits" de 1974. Segue a letra:




Black Water
(Simmons)

Well, I built me a raft and she's ready for floatin'
ol' Mississippi, she's callin' my name
Catfish are jumpin' that paddle wheel thumpin'
Black water keeps rollin' on past just the same

Old black water, keep on rollin'
Mississippi moon won't you keep on shinin' on me?
Old black water, keep on rollin'
Mississippi moon won't you keep on shinin' on me?
Old black water, keep on rollin'
Mississippi moon won't you keep on shinin' on me?

Yeah, keep on shinin' your light, gonna make every thing
Pretty mama, gonna make everything all right
And I ain't got no worries 'cause I ain't in no hurry at all

Well, if it rains, I don't care, don't make no difference to me
Just take that street car that's goin' up town
Yeah, I'd like to hear some funky Dixieland and dance a honkytonk,
and I'll be buyin' everybody drinks all round

I'd like to hear some funky Dixieland, pretty momma come and takeme
by the hand, by the hand, take me by the hand,
(I want to honky-tonk) (honky-tonk)
pretty momma, come and dance with your daddy all night long,
I'd like to... (honky-tonk) (with youall night long)

Vamos à andança...

Não sei o por quê do carinho pela música country americana, mas já ouvi nas rádios daqui um pouco de Creedence e soube de um show que o Steve Miller Band fez aqui (e infelizmente os ingressos já estavam esgotados). Já conversei com professor bastante sobre Lynyrd Skynyrd e minha senhoria aqui é particularmente fã de Johnny Cash. Se há alguma explicação para esse fenômeno eu diria que é pelo estilo de vida das pessoas aqui. Geralmente no interior as pessoas são mais tranquilas. Preferem à calma e o sossego do que a agitação e o stress. Aqui os pedestres australianos esperam o sinal verde mesmo quando não há carros passando e raramente ouve-se uma buzina na rua. Eles sobem as escadas fixas, mesmo quando a escada rolante está livre e apreciam ficar nas praças seja fazendo um churrasco com os amigos, seja sozinho lendo um livro. Australianos terminam o trabalho cedo para aproveitar o resto do dia, não são vaidosos e não julgam pelas aparências. Não há espaço para perturbação na mente dos australianos. Isso é muito bom. E o melhor: não estou numa cidade do interior, mas sim na capital da costa oeste, uma cidade com mais de 1 milhão e meio de habitantes. E se pararmos para pensar, o melhor estilo que se encaixa nesse consciente coletivo bastante sossegado é o Country. Pare e escute Black Water, clássico dos californianos Doobie Brothers. Só os segundos iniciais, regados à uma viola dedilhada com calma e liberdade, somada à voz anasalada de Patrick Simmons já te transporta pro interior. Com o ritmo gostoso e viajante sua mente logo irá se infiltrar no calor do interior, em suas estradas limpas cercadas por grandes fazendas e por seus habitantes tão simples e agradáveis. Quando entra um violino discretamente o enredo está pronto e só há sensações boas ao seu redor. Da simplicidade de um bar na esquina com o letreiro pintado à mão à uma fogueira no sítio: tudo traz conforto e a natureza é seu maior abrigo. Conforme a canção avança, a instrumentação vai crescendo, com uma percussão adicionada aos poucos e mais à frente um pequeno solo do delicado violino, tão suave quanto à vida no campo. Simmons acelera aos poucos os versos principalmente no refrão que invoca a água negra do título: "Velha água negra continua passando, lua do Mississipi você vai continuar brilhando sobre mim?" Logo temos um dueto ótimo entre o violino - agora bastante marcante - e a viola, um dos momentos mais agradáveis da música. Só não é o melhor, pois logo que ele acaba a canção se transforma e somos invadidos por um jogo de vozes à capella, exatamente como os cowboys costumam cantar nas noites de festa. Eles dizem, alternando vozes, tons e volumes: "Eu gostaria de ouvir um ritmo do sul, bela garota venha e me pegue pela mão" e ao fundo: "Eu quero um hony-tonk, garota bonita venha dançar com seu par a noite inteira". Esse trecho é não só criativo, como bão dimais de ouvir, como diria um mestre interiorano. Dadas às proporções esse encerramento lembra bastante Bohemian Rapsody do Queen, porém totalmente country e bem mais breve. Logo a instrumentação volta para acompanhar as vozes, mas para nossa tristeza ela dura pouco e a canção logo acaba. É como viajar pro interior: tudo é tão tranquilo e reconfortante que não dá vontade mais de ir embora ;)

Vamos à andança...

Sinta como os australianos se sentem todos os dias. escute:

2 comentários:

Fabio CS disse...

Como vc sabe eu adoro os Doobie Brohers desde meus 14 anos e essa música é fantástica de ritmo.. vocais fantásticos. Muito boa a analogia dela com a tranquilidade dos australianos. Parabéns Fabio

Andarilho disse...

Obrigado Padre, pele comentário e por ter transmitido os Doobie Brothers pra mim! Abração!

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