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O Beco

23/03/2013

Pequenas constatações sobre o Brasil

Ultimamente tenho ouvido muito as músicas da terrinha brasileira. Mesmo com a Austrália cheia de brasileiros, nossa música aqui é praticamente desconhecida. Apesar de famosos na Europa, parte da Ásia e América do Norte, parece que a bossa nova e a MPB não conseguiram atravessar o oceano inteiro... Rock brasileiro então, nem pensar. Pra compensar aqui vai uma canção de uma banda ainda inédita no blog, mas dona de um portfólio riquíssimo: Paralamas do Sucesso. Essa obra faz parte do disco "Bora Bora" lançado em 1988. Segue a letra:




O Beco
(Ribeiro/Vianna)

No beco escuro explode a violência
Eu tava preparado
Descobri mil maneiras de dizer o seu nome
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada

No beco escuro explode a violência
Eu tava acordado
Ruínas de igrejas, seitas sem nome
Paixão, insônia, doença
Liberdade vigiada

No beco escuro explode a violência
No meio da madrugada
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada

Mas nada perturba o meu sono pesado
Nada levanta aquele corpo jogado
Nada atrapalha aquele bar ali na esquina
Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado
Nada!

Vamos à andança...

Várias vezes me refiro ao meu pai ao falar de alguma banda específica. Forte influência na minha vida musical, geralmente seu nome está relacionado aos clássicos setentistas como Pink Floyd, Doobie Brothers e Creedence. Entretanto dessa vez quem merece o crédito pela inserção do Paralamas do Sucesso na minha vida foi minha mãe. Sim, minha querida mãe, embora tão apreciadora de samba e MPB também teve suas fases de Pop Rock nacional. Com ela aprendi a ouvir Skank, por exemplo. Como retribuição a ensinei a gostar do Rappa. E é graças a ela que conheci Paralamas do Sucesso quando, na minha juventude, ela tocava coletâneas do grupo carioca enquanto eu jogava Nintendo 64 no quarto durante as férias escolares. É esse momento exato que me vem à mente quando ouço os trompetes iniciais tão poderosos e viajantes de O Beco. A introdução tem um ritmo gostoso, calcado num ska divertido que assim com o o Skank fazia tão bem, mistura com bom gosto o Rock tranquilo com sonoridades praianas brasileiras. O resultado é uma obra que tem muito da nossa identidade tupiniquim num balanço empolgante. É o tipo de som que eu mostraria aos australianos caso eles me pedisses para mostrar um som da minha terra. Todos iriam se contagiar, rir e dançar gostosamente com a bateria lenta e marcante de João Barone que, com o baixo de Bi Ribeiro dão toda a base viajante pra canção. Herbert Vianna mantém o ritmo delirante com sua guitarra suave e contribui mais ainda com a obra com sua voz carismática. A letra é outro ponto que muito traz do Brasil. Só que pelo lado negativo. Fala das ruas escuras e violentas onde "insônia, doença e liberdade vigiada" imperam devido à alta criminalidade. No final da canção, Vianna diz, agressivo: "Nada mais me deixa chocado". Essa é uma frase que todo brasileiro provavelmente já utilizou um dia. Infelizmente esse é o lado ruim do nosso país. Somos acostumados com muita coisa ruim no nosso dia a dia, e a pior delas é a violência. E se você me pergunta se eu traduziria a letra pros australianos que me pediram pra toca-la, eu diria que sim. É o nosso país, fazer o quê? Não dá pra esconder. Não por muito tempo. Por mais que sejamos vendidos com "O País do Momento", uma hora a máscara vai cair. Seja na Copa ano que vem, seja nas Olimpíadas ou talvez até alguns anos depois. Mas uma hora o mundo descobrirá nosso problema e como ele é grande. Ok, tudo tem um defeito. Nada é perfeito, nem mesmo a Austrália. Aqui há muitos problemas, como excesso de regras para controle do governo. Mas o nosso problema é mais embaixo. Muita violência, muita desigualdade. Como diria a Súplica Cearense, outra música fenomenal: "Roubo demais, política demais, tristeza demais, interesse tem demais". Graças à boas bandas como Paralamas do Sucesso, nossa crítica pode falar mais alto e, quem sabe um dia, atingir os manda-chuvas que tem o poder de mudar tudo na hora que quiserem. Enquanto isso não ocorre, vamos ouvindo, viajando e dançando no beco escuro ;)

Nunca ouviu?

Não vá até o obeco. Apenas ouça. Escute:

4 comentários:

Anônimo disse...

Texto muito bacana Felipe sobre a nossa realidade, infelizmente o Brasil ainda precisa melhorar muito. Saudades, bjs Mama !

Anônimo disse...

Fala Feliponey! É meu amigo, Brasil é um país de uma penca de qualidades, mas como qualquer outro lugar inúmeros defeitos. Adoro e acredito que no país, mas sei que precisamos evoluir muito em diversos aspectos culturais, sociais e econômicos. O que importa é sempre fazermos nossa parte que uma hora a coisa vai! Rs
Saudades bródi !!!

Abs,

Fabio Brother

Andarilho disse...

Querida Mama e querido Brother, muito obrigado pela visita e por seus comentários. Com ctz temos q fazer nossa parte pela nossa casa, e estar aberto as mudanças de qqr lugar! Abraços!

Anônimo disse...

Felipe, é sempre muito bom ler os seus textos; vamos continuar torcendo pela nossa terra, bj, Tia Cláudia

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