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Nascido para se mover

05/03/2013

A Estrada que todos nos seguimos

Como muitos sabem, estou de mudança. Cheogu a hora de cair na estrada e embarcar numa aventura. Uma aventura de verdade. Daquelas que deixaria Bilbo Bolseiro Orgulhoso. Como o próprio Hobbit diria, "existe uma grande Estrada que se assemelha a um grande rio: sua nascente está em todas as portas e todos os caminhos são seus afluentes. É perigoso sair porta afora - você pisa na Estrada, e, se não controlar seus pés, não há como saber até onde você pode ser levado". É a minha vez, portanto, de pisar na Estrada. Como o Rock N'Roll não pode faltar em momento nenhum - sobretudo num tão especial - aqui vai uma excelente canção do Creedence que ilustra bastante o que sentimos ao viajar e nos aventurar pelo mundo. Faz parte do disco "Pendulum", de 1970. Segue a letra:




Born To Move
(Fogerty)

Ev'ry day i'm gonna strut that stuff.
When the music's loud i can't get enough.
Singin' hi, singin' hi,
Come on feet, teach yourself to move.

People shuff'lin' up and down again.
Unhappy faces ain't gonna get you in.
Singin' hi, singin' hi,
Come on people, teach yourself to move.

Hey, hey! hey, all right!

Spread the news, we're goin' have some fun.
Let it go, movin' son-of-a-gun.
Singin' hi, signin' hi,
Come on feet, we was born to move.

Hey, hey, lord! come on, move it, now boy!

Vamos à andança...

Tudo muda. Nada é permanente. Nem mesmo a morte e muito menos a vida. Esse é um dos grandes paradigmas do universo. Tudo o que consideramos como bens permanentes são passageiros. Carros, casas, empregos... Tudo está sempre se transformando. Nós mesmos somos completamente diferentes do que éramos há algum tempo atrás. Todo dia traz uma transformação. Muitas vezes as mudanças são para melhor. Às vezes, porém, uma grande mudança pode trazer muita insegurança e o medo do desconhecido por vezes faz com que deixemos de nos mover, numa pequena ilusão de que vamos permanecer no mesmo lugar. Mas mesmo assim as transformações virão e é bom tirarmos o nosso melhor delas. Dessa vez vou mudar de casa. Não uma mudança de bairro ou apartamento. Vou trocar o nosso querido país pela Austrália por tempo ainda indeterminado - algo que só as Três Fiandeiras podem saber. Eu é que não vou estragar a surpresa e querer descobrir, afinal uma das graças da vida é seguir os acasos - é deixar os pés se moverem pela Estrada. Pode ser que eu fique três meses; pode ser que fique dois anos. Prefiro deixar o tempo falar e me mostrar o quão ingênuo eu era por tentar prever qualquer futuro. Nessa experiência sei que encontrarei a felicidade. Na verdade já sou bastante feliz, graças ao bom Deus. Mas com a mudança de vida, de rotina e de país creio que outro tipo de felicidade aparecerá. É um tipo de felicidade que aparece com o movimento, com a energia. Uma alegria máxima por estar vivo, por aprender, conhecer, compartilhar e servir em novos ambientes e novos momentos. Nem melhores nem piores do que os daqui. Diferentes, mas justamente por isso, tão perfeitos quanto os que tenho tido. Acredito que, como bem observou o Creedence nessa canção excelente, um homem nasce para se mover. Deus fez um mundo tão grande e bonito que cada dia em que deixamos de conhecer algo se torna um dia desperdiçado. Há tanto para ver e perceber. Há montanhas, mares e florestas tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes da nossa realidade que podemos passar uma vida inteira sem admirá-los. Há um mundo inteiro aí fora pronto pra nos receber e nos mostrar o quanto somos pequenos, porém ainda assim especiais. Há tantas pessoas diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidas, prontas pra nos mostrar o quão estamos interligados, mesmo com quem pareça um total estranho. Como diria Amyr Klink: "um homem precisa viajar para quebrar essa arrogância que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver". Aprendemos muito dentro de casa, por meio de computadores e imagens. Mas há uma certo aprendizado inexplicável em viver, de fato, aquilo. Há lições que somente a natureza, a solidão ou um completo desconhecido pode nos ensinar. É por isso que, como bom andarilho, pretendo pegar a Estrada. Vou fazer como Creedence ensina, na voz potente de John Fogerty: deixarei meus pés ensinarem eu próprio a me mover. Vou cantar alto, ouvir a música que estiver tocando e ter alguma diversão. Vou ouvir suas guitarras, trompetes e teclados e viajar não só na instrumentação absurda, como também no delicioso absurdo de um outro país. Vou pegar a grande Estrada, encontrar novas pessoas incríveis e descobrir novas formas de servir ao meu mundo - só que agora do outro lado dele ;)


"A estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa
Agora longe já vai indo
Devo seguir, nada me impeça;

Por seus percalços vão meus pés,
Até a junção com a estrada,
De muitas sendas através
Que vem depois? Não sei mais nada."

(J.R.R. Tolkien - O Senhor dos Anéis)

Nunca ouviu?

Mexa-se. Foi pra isso que você nasceu. Escute:

2 comentários:

Daniel Cavalim Duarte disse...

Texto incrível, queria colocá-lo em prática na minha vida, tudo ficaria muito mais fácil e simples! :)
Adorei seu site!

Andarilho disse...

Oi Daniel! Muito obrigado pela visita e pelo comentário. Você pode colocar em prática. basta procurar uma aventura e embarcar nela! A experiência aqui está sendo muito boa, recomendo uma viagem, sempre, pra qualquer lugar ;)

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