Mais um livro do Andarilho

Cante às mudanças

20/03/2013

Que Deus abençoe aquele que muda de ideia

Aqui na Australia vai rolar um festival bem bacana chamado "Blues and Roots". Ao que parece o festival encontra-se em sua 23ª edição e este ano contará com atrações como Ben Harper, Jason Mraz, Santana, Steve Miller Band dentre vários outros. Tudo legal, tudo bacana. O preço? Eis aí o problema. Você que mora no Brasil e reclama dos preços dos shows e eventos vai dar risada quando descobrir o que estão pagando aqui para ir à simples um festival: 160 dolares é o preço mínimo. Fazendo uma conta grotesca e rápida chegamos ao número de R$320 para um dia de festival numa pista. E sim, é um simples festival. Não vai rolar Beatles nem Rolling Stones. Não vai ter Led Zeppelin ou Oasis. E não, eu não vou ao "Blues and Roots". Para compensar vou relembrar um pouco de um show que, esse sim valeria a pena pagar o preço de um fígado, principalmente por ter sido o que mais marcou minha vida: Paul McCartney. Pra ilustrar a viagem aí vai uma canção do disco "Eletric Arguments" de 2008. Segue a letra:




Sing The Changes
(McCartney)

Like the sun playing
In the morning
Feel the quiet
Feel the thunder
Every ladder
Leads to heaven
Sing the changes
Draw the picture

Sing the changes
As you're sleeping
Feel the quiet
In the thunder
Sing the changes
Calling over
Feel the quiet
In the thunder

Like the sun playing
In the morning
Feel the quiet
Feel the thunder
Every ladder
Leads to heaven
Colored pencils
Draw the picture

Sing your praises
As you're sleeping
Feel the sense of
Childlike wonder

Sing your praises
As you're sleeping
Sing the changes
Oh as you're sleeping
Feel the quiet
In the thunder
Sing the changes
Calling over

Feel the quiet
In the thunder
Sing your praises
As you're sleeping

Feel the quiet
In the thunder
Sing the changes
Calling over
Everybody has a sense of
Childlike wonder

Vamos à andança...

Desde que me tornei fã dos Beatles nunca fui lá muito com a cara do Paul McCartney. Influência do meu pai. Graças à ele a imagem do baixista dos Beatles ficou marcada como a de um músico fresco, engomadinho e arrogante. Embora meu sábio e velho pai tenha razão em boa parte de sua análise sobre Paul, com o passar dos anos percebi que no fundo, no fundo McCartney era um bom rapaz. Por mais que minhas canções Beatles favoritas fossem quase que exclusivamente de autoria de John Lennon - tais como Hey Bulldog, I Want You e Eight Days a Week - Paul sempre me fez repensar sobre minhas escolhas e decisões da vida. Sem querer competir, Paul deixava sua marca nesse pobre beatlemaníaco de forma sutil e delineada. Era como se o cara soubesse. Sem forçar a barra, sem reclamar: "um dia você vai me entender". E eu finalmente entendi. Há um motivo por trás de tudo. Há um motivo para eu não ter tido a chance de ver ao vivo meus dois Beatles favoritos: Lennon e Harrison. Há um motivo para eu ter ido ao inesquecível show do Paul em 2011. E há um motivo para eu ter percebido isso só agora, do outro lado do mundo. Paul McCartney é um mestre. E como tal ele não obriga seus discípulos à entender. Ele aponta o caminho, e os orienta. Mas a escolha de ver e agir é com cada um. Graças à canção Sing the Changes, posso voltar no tempo sempre que quiser. Sempre que sentir vontade de relembrar o sussurro gigantesco do público. Sempre que quiser sentir o cheiro de materiais usados em eventos de grande porte. Sempre que quiser pensar nas pessoas que estavam ali comigo. Somente quem já foi a ao menos um show inesquecível sabe o que é tudo isso. O clima sempre perfeito - faça chuva ou sol -, a pulsação sintonizada entre todos presentes, a simplicidade das pulseiras para pegar bebida, a maciez do piso de borracha protegendo o gramado. Como diria o narrador do Clube da Luta: um momento é tudo o que você pode esperar da perfeição. Discordando ligeiramente, na verdade não é apenas um momento. São uma série de momentos perfeitos. É como um show. E é na perfeição que eu penso quando ouço Sing the Changes. No ritmo da guitarra suave, nos versos curtos, nos backing vocals emocionantes - cada "Ooooh" permeando um verso vale um sorriso - na frase chave que resume à canção e da nome à poesia, há um momento de perfeição. "Cante a mudança". Paul - sem querer, ou mais provavelmente querendo - nos ensina aqui o poder do momento. Sua música, assim como seu show - eterno, porém momentâneo - nos lembra de que nada é permanente. A mudança é uma constante. Hoje você está aqui. Amanhã está na Austrália. Hoje seu emprego é de sapateiro. Amanhã você trabalha no jardim da cidade. Tudo é uma mudança. Ao fim de um dia ou de uma canção você jamais será como era antes de viver ou de ouvi-la. Não lute contra a mudança. Cante para ela. Comemore-a. A mudança é uma benção. A perfeição não está em apenas um momento, mas sim na própria mudança de momentos. Como minha opinião sobre Paul McCartney mudou ao longo do tempo, eu também mudei. Minha mente mudou e o próprio mundo mudou. Você próprio mudará ao terminar de ler esses versos. "Como o sol brilhando na manhã. Sinta o silêncio. Sinta o trovão. Cada escada leva ao paraíso. Pincéis coloridos criam um desenho". Cante às mudanças. Não reme contra à nova corrente. Aproveite-a. Use-a para ir ainda mais longe. E ouvindo uma bela música... ;)

Nunca ouviu?

Mude assim que der o play. Escute

2 comentários:

Fabio CS disse...

Eu também mudei e ele é realmente um músico fantástico. Fabio

Andarilho disse...

É isso ae padre!! O importante é deixarmos nos surpreender sempre! Paul é foda! Abração e obrigado pela visita.

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