Mais um livro do Andarilho

Sinfonia Amarga e Doce

01/02/2013

A perfeita combinação entre clássico e moderno em notas

O que seria da música sem os grandes compositores hoje considerados como gênios da música clássica? Certamente não haveria música. Pelo menos não como a conhecemos atualmente. O Rock, mais do que qualquer gênero musical não existiria, visto que as lendárias bandas, responsáveis pelo estabelecimento do estilo estudavam e se inspiravam em ícones como Mozart, Beethoven e Vivaldi para criarem suas obras. Para nossa felicidade, algumas canções atuais podem ser consideradas como obras clássicas, graças à sua harmonia e composição. Essa é um caso. É do The Verve, lançada em 1997 em seu disco mais famoso, "Urbans Hymns". Segue a letra:




Bitter Sweet Symphony
(Richards/Jagger/Ashcroft)

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
You're a slave to money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the veins meet yeah,

No change, I can change
I can change, I can change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
But I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

Well I never pray
But tonight I'm on my knees yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now
But the airways are clean and there's nobody singing to me now

No change, I can change
I can change, I can change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no
I can't change
I can't change

'Cause it's a bittersweet symphony, this life
Try to make ends meet
Try to find some money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places
where all the things meet yeah

You know I can change, I can change
I can change, I can change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
And I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

I can't change my mold
no, no, no, no, no,
I can't change
Can't change my body,
no, no, no

It justs sex and violence melody and silence
It justs sex and violence melody and silence
(I'll take you down the only road I've ever been down)
It justs sex and violence melody and silence
(I'll take you down the only road I've ever been down)
Been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Ever been down
Have you ever been down?
Have you ever been down?
Have you ever been down?

Vamos à andança...

Quando digo que canções de Rock poderiam muito bem estarem incluídas nas Grandes Obras da Música Clássica não estou exagerando. Basta ouvir e perceber o quão magníficas são algumas obras. Deep Purple, por exemplo é uma banda que mesclava como ninguém a música renascentista tocada por orquestras inteiras com as guitarras pesadas e baterias tocadas por seus membros eruditos estudiosos e compositores - ao exemplo do maestro Jon Lord e do grande guitarrista Ritchie Blackmore. Jethro Tull é outro exemplo quando se trata de harmonia numa composição clássica misturada com o que havia de mais atual na época em obras primas como Bungle in the Jungle, para citar apenas uma. Mas quer dizer que apenas bandas de quarenta anos atrás se estruturavam na música clássica? A resposta não poderia ser mais paradoxal. "Sim", por que, infelizmente a música erudita é vista cada vez mais como uma relíquia enterrada em terras ermas, reservada apenas à alguns poucos corajosos o bastante para buscá-las. É como a sensação de procurar um baú de ouro, mas temer que, ao encontra-lo, seu valor bruto tenha declinado com o tempo. Você acha que não vale o risco, sem saber ao certo se vale ou não; embora a viagem certamente será uma experiência emocionante. E "não" por que está aí The Verve, uma banda relativamente atual, com uma sinfonia belíssima facilmente comparável à uma obra de um maestro da música. Sim e não nunca estiveram tão próximos e complementares como agora. Afinal, Bittersweet Synphony é uma canção composta pelo vocalista do Verve, Richard Ashcroft em parceria com ninguém menos que Mick Jagger e Keith Richards, dois dos fundadores dos Rolling Stones, uma das mais lendárias bandas de Rock da história. Daquelas que sabiam o valor de estudar a música do século anterior como quem julga importante aprender a engatinhar antes de andar de bicicleta. Resultado: da mistura do antigo e novo, a sinfonia amarga e doce ganha vida com uma caracterização moderna e profunda. Nela, Ashcroft canta uma reflexão sobre o mundo moderno, acompanhado do riff de violino inspirador, capaz de trazer arrepios às vértebras dos mais apaixonados pela música em sua forma mais pura. Ele diz, logo de início: "É uma sinfonia amarga e doce essa vida. Tentando sobreviver até o fim do mês, você se torna um escravo do dinheiro até morrer". Com uma acelerada na bateria de Peter Salisbury, o refrão se encaixa nos violinos como aquela peça recém-descoberta que faltava no quebra-cabeças e torna a figura completa e bonita: "Sem mudança, eu posso mudar, mas estou aqui em meu molde. Mas sou um milhão de tipos de pessoas diferentes de um dia pro outro. Não posso mudar. Não, não". Mais à frente, como que num momento de confissão e epifania, o cantor liberta: "Eu nunca rezo, mas esta noite estou de joelhos. Preciso ouvir alguns sons que identifiquem a dor em mim. Então deixo a melodia brilhar e sinto minha mente clarear. Me sinto livre agora". O vocal de Ashcroft lembra em muito Liam Gallagher, ex-Oasis, num misto de teimosia com admiração. Tal combinação advém da liberdade e cura atingidos pela música, um dos poucos meios para transformar emoções e encontrar paz quase que instantaneamente. À todo momento os violinos permeiam os versos, até o final da obra, com backing vocals sumindo suavemente. Harmonia é precisa nessa canção, capaz de libertar a mente de qualquer ouvinte atencioso. Em termos de composição instrumental, Bittersweet Synphony obviamente não está no patamar das Quatro Estações ou da Nona Sinfonia, mas onde quer que Vivaldi e Beethoven estejam, certamente lhes incorre um sorriso ao ouvir a Sinfonia Amarga e Doce lançada mais de duzentos anos após suas passagens por este mundo ;)

Nunca ouviu?

Conheça a acanção que mescla o clássico e o novo. Escute:

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