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[ESPECIAL] Você é meu melhor amigo

15/02/2013

Mestres que aparecem em formatos inesperadas

A quarta-feira de cinzas foi mais cinza aqui em casa. Logo na madrugada a velha e implacável amiga Morte no fez uma visita e levou meu cachorro pra passear. Agora o Toddy não está mais limitado à um pequeno apartamento e apenas algumas pessoas em seu círculo social. Provavelmente agora ele esteja correndo nos parques e praias celestiais na presença de outros bichinhos igualmente amados. Talvez ele até retribua um pouco do carinho que recebeu com seus colegas menos afortunados. Nesse ponto esse poodle deu sorte. E essa é minha pequena homenagem à sua passagem na minha vida e na da minha família. O som que ilustra não poderia ser outro. É do Queen, lançado em 1975 no disco "A Night at Opera". Segue a letra:





You're My Best Friend
(Deacon)

Ooh you make me live
Whatever this world can give to me
It's you you're all I see
Ooo you make me live now honey
Ooo you make me live

Ooh you're the best friend that I ever had
I've been with you such a long time
You're my sunshine and I want you to know
That my feelings are true
I really love you
Oh you're my best friend

Ooo you make me live

Ooh I've been wandering round
But I still come back to you
In rain or shine
You've stood by me girl
I'm happy at home
You're my best friend

Ooo you make me live
Whenever this world is cruel to me
I got you to help me forgive
Ooo you make me live now honey
Ooo you make me live

You're the first one
When things turn out bad
You know I'll never be lonely
You're my only one
And I love the things
I really love the things that you do
You're my best friend

Ooo you make me live

I'm happy at home
You're my best friend
Oh you're my best friend
Ooo you make me live
You you're my best friend

Vamos à andança...

Toddy não era um cão comum. Imagino que todos os donos de cães falam isso de seus caros animais de estimação. Mas o fato é que cada bicho, assim como cada pessoa, tem suas particularidades. São pequenos detalhes - ora virtuosas qualidades, ora deliciosos defeitos - que fazem cada ser alguém único e por consequência deveras especial. Com o Toddy não poderia ser diferente. Dono de uma voz poderosa, Toddy quase nunca fez uso de sua habilidade de latir. Ele preferia o silêncio, a serenidade. Nesse ponto, quase se parecia com um gato, no melhor sentido da palavra. Se latir era um luxo ao qual ele não se dava o trabalho de praticar, morder quase passou em branco no seu portfólio de proezas. Sorte da família, deve-se acrescentar. Ficou cego cedo. Nem mesmo os veterinários entendiam direito o por quê. O mistério só o tornou mais querido e único. Desprovido da visão, Toddy passou a ser mais caseiro, mais chegado das pernas de quem estava no sofá e passou a dominar com mais destreza seu olfato. Diferente dos homens - em mais um claro sinal de sua posição evolutiva superior à nossa - um cachorro nunca dá ouvidos aos que falam dele, seja bom ou mal. Eles não alimentam o ego. Mesmo sem enxergar, Toddy sempre foi pra lá e pra cá, com a cara - ou o focinho, melhor dizendo - e a coragem. Nunca deixou isso se tornar um obstáculo em sua singela e longeva vida. Afinal, viver 17 anos não é pra qualquer um. Isso o torna ainda mais único. Mas ele também seria único se vivesse até 15 ou 20. Aliás, mesmo se morresse aos jovens 6 anos, ainda assim seria um cão especial - um milagre vivo peludo e orelhudo. Toddy carregava em sua simplicidade e humildade o mesmo que cada pessoa e cada ser vegetal ou animal: a prova de que Deus existe. No seu olhar sempre sério a sabedoria de quem veio ao mundo pra ensinar coisas que nenhum livro ou aula podem fazer o homem entender: que o amor é puro e de graça. Toddy me ensinou a amar e servir do melhor jeito que eu puder. Não por quê queira ser admirado e respeitado. Cachorros não têm vaidade. Para o Toddy, deve-se amar e servir simplesmente por quê é a melhor coisa a ser feita. Toddy sentia o prazer em oferecer sua amizade e presença a qualquer hora, qualquer dia. Como os melhores Guerreiros Pacíficos, esse cachorro oferecia alegria, sempre. Não importa qual sentimento entrava - Toddy devolvia com felicidade e carinho. Um belo discípulo de Cristo, daqueles que põem em prática o que sabem todo dia. Raro de encontrar. O budismo diz que até um animal pode ensinar sobre a iluminação. Está aí o Toddy pra provar. Um mestre e amigo, a quem me despeço apenas materialmente, pois sua gentil centelha certamente está brilhando por aí, espalhando amor incondicional à quem tiver atenção pra aprender. Peço a licença de John Deacon e Freddie Mercury pra oferecer à canção não à uma garota como eles fizeram, mas à um bom amigo de qualquer forma. Ao cachorro que tanto escutou Rock N'Roll nessa casa, uma bela canção na qual Mercury coloca em sua voz toda docilidade e amizade que consegue. Em meio aos acordes tranquilos de Brian May e aos backing vocals sempre incríveis do Queen, o refrão permanece no presente, como sempre será:

Toddy, você é meu melhor amigo ;)



Nunca ouivu?

8 comentários:

Juliana disse...

Lindo.
Você escreve surpreendentemente bem. Amei!

Mara Re disse...

Lindo texto, dá para sentir a presença do mestre Toddy.

Andarilho disse...

Valeu minha prima querida. Obrigado pela visita e pelo elogio. Mara, obrigado também, fico feliz que tenha apreciado o texto. O Toddy é mais que um amigo e vai estar sempre comigo ;)
Bjssss

Anônimo disse...

Linda a homenagem! Parabéns pela escrita e por ter traduzido o quanto esse cachorro foi especial e nos ensinou muito! Foi um privelegio ter passado infancia, adolescencia e parte da fase adulta com esse verdadeiro amigo.
Alias, conviver com vc tambem eh um aprendizado meu irmao.
Um abraço, Fábio

Maria Libania dos Santos Marques disse...

Que sensibilidade Felipe! Expressou o q passamos wdo perdemos um animalzinho de estimação! Parabéns!

Kátia Perazza disse...

Que coisa linda Felipe... A gente vai lendo e sentindo e vendo o Toddy, sem enxergar..., o filme "Perfume de Mulher, o melhor amigo, a música, o aprendizado, a perda, a saudade. Enfim, vc além de lindo é uma maravilha de pessoa. Só para dizer o quanto vc escreve bem e é bom de ler. Bjs. meu querido.

Cláudia C. e Silva disse...

Felipe,
Li o texto para a sua avó e ficamos muito emocionadas... Não só por ver o quanto o querido Toddy foi importante para toda a família com a sua bondade e atitude (ele deve estar em lugal muito especial, com certeza), mas também por apreciar a beleza do seu texto, sob todos os aspectos. Um beijo grande, Tia Cláudia

Andarilho disse...

Oi Pessoal, muito obrigado pelos comentários. Fico muito feliz que tenham apreciado e sentido um pouco do que o Toddy foi pra gente. Todos que já tiveram um animalzinho um dia sabem o quanto são importantes pra gente. Obrigado pelo apoio. Um abração!

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