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[LADO AB] Batendo na porta do paraíso

08/02/2013

Três músicas diferentes, porém uma mesma música

Atendendo a um pedido do meu amigo e leitor Franck resolvi falar sobre essa canção, finalmente - afinal, fazia tempo que queria comentar sobre ela. Abrindo uma pequena exceção na regra dos posts Lado AB, dessa vez farei vou fingir que um vinil tem três lados, e farei pela primeira vez um post Lado ABC, pois há três grandes versões de Knocking on Heaven's Door, cada uma com suas qualidades. Segue a letra:




Knocking on Heaven's Door
(Dylan)

Mama, take this badge from me
I can't use it anymore
It's getting dark too dark to see
Feels like I'm knockin' on heaven's door

knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door

Mama, put my guns in the ground
I can't shoot them anymore
That cold black cloud is coming down
Feels like I'm knockin' on heaven's door

knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door

Vamos à andança...

Kocking on Heaven's Door é uma canção de 1973 escrita por Bob Dylan. Como toda obra que recebe tal assinatura, ela foi regravada milhões de vezes. Tantas que se você escutasse uma por dia, você provavelmente morreria antes de ouvir todas as versões. E, parafraseando Katsumoto Moritsu, "ainda assim não seria uma vida desperdiçada". Afinal, está aí uma belíssima obra musical para ser levada para toda vida. Também, como de costume nas canções de Bob Dylan, várias regravações acabaram saindo ainda melhores que a original. Dois anos depois da original, por exemplo, Eric Clapton a inseriu em seu álbum "There's One in Every Crowd", mesclando à balada de violão de Dylan um ritmo todo inspirado no reggae de Bob Marley, com o qual o guitarrista vinha flertando desde seu disco anterior. Aqui a canção desacelerou e ganhou um balanço viajante todo especial, com direito à sussurros de Clapton e ótimas backing vocals, mantendo a suavidade e emoção criados por Dylan em sua obra original. O guitarrista remodelou à música, tornando-a única - uma daquelas pra colocar no player da sala e dançar seu ritmo jamaicano tranquilamente, sem se preocupar com possíveis vizinhos observando curiosos, porém com uma certa inveja. Como toda boa música é imortal, quase vinte anos se passaram até que o Guns N'Roses transformassem a peça num ícone do Hard Rock. A versão da banda americana começa com a tranquilidade clássica original, mas logo é transformada por um riff pesado de Slash. Axl Rose entra então criando um dos trechos mais caricatos de sua carreira: um dueto consigo mesmo. Dono de duas vozes afinadas - uma aguda ligeira, outra grave, esticada - o vocalista consegue criar uma viagem incrível, tão engraçada quanto deliciosa. Quando ele chega no refrão e diz duas vezes o verso "Knock-knock-knockin' on heaven's door" ("batendo, batendo na porta do paraíso") com uma voz em cada, estamos no ponto máximo da canção. Slash ainda destila um solo agudo, delirante como costuma fazer. É uma pena Clapton não ter solado em sua versão, mas somos compensados - ainda que não à altura - pelo guitarrista amante de cartolas. Interessante ver como bandas e artistas bons conseguem transformar músicas como se fossem seus criadores. Olhando de fora, são três canções diferentes: um folk, um reggae e um hard rock, cada qual excepcional em sua proposta. O fato de compartilharem a letra torna-se aparentemente um mero detalhe. Digo "aparentemente", pois letras de Bob Dylan nunca são detalhes. Ao observarmos a poesia é fácil ver o quão bem feita ela é. Com versos longos e um ritmo intocável, Dylan cria uma poesia que critica a guerra, onde o personagem narrador desiste de usar suas armas e as coloca no chão num último suspiro em que sente-se como se "batendo à porta do céu". Vale lembrar que a peça é parte de seu disco que serve de trilha sonora pro filme western "Pat Garrett and Billy the Kid", fazendo ainda mais jus à dualidade entre matar ou morrer. Se a versão original de Dylan acaba levemente ofuscada por regravações tão boas quanto a de Clapton e dos Guns N'Roses, certamente ela acaba brilhando ainda mais por inspirar tantos artistas à tocá-la eternamente ;)

Nunca ouviu?

[LADO A] A original emocionante de Bob Dylan:



[LADO B] A viagem tranquila na versão de Eric Clapton:



[LADO C] A pesada e icônica regravação dos Guns N'Roses:

2 comentários:

Franck Anderson disse...

Valeu muito pela lembrança neste POST Felipe. Pra variar, muito bom. Realmente eu já tinha dado uma ouvida nessa música na versão do Eric, mas como bom rocker, a que eu mais gosto é a do Guns...
Muito bom! Grande abraço, carioca...

Andarilho disse...

Valeu Franck, eu que agradeço a visita e os comentários. Concordo com vc, minha preferida é do Guns, sou fã da voz grave do Axl, e nessa ele capricha! Hahahaha... Abração de SP.

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