Mais um livro do Andarilho

[SHOW] O Cigano

21/01/2013

Show do Made in Brazil, em São Paulo, dia 19/01/2013

Comecei os shows de 2013 da melhor forma possível - com uma ótima surpresa - quando meu amigo e mestre Thomas me informou sobre o show que o Made in Brazil faria no Sesc Belenzinho. Shows no Sesc costumam ser maravilhosos em todas as qualidades: das bandas, do som, iluminação e também dos preços. Foi lá, por exemplo, que vi Fernando Noronha e Irmandade do Blues, dois dos melhores shows do ano passado. Agora foi a vez do Made in Brazil, banda lendária do Rock and Roll nacional e da qual sinto tamanho apreço. Para ilustrar, aqui vai uma canção do disco "Jack, o Estripador", de 1975. Os motivos da escolha você confere logoo abaixo, junto com a viagem. Segue a letra:




O Cigano
(Vecchione/Vecchione/Weiss)

Sou um cigano
Há muito tempo na estrada
Tenho muito tempo
As raízes não as plantei
Não dá, não as plantei

Sou jovem e belo
E isso o irrita
Levo na bagagem
Todos os sonhos que sonhei

Compromissos...
Não os tenho
Pois sou um cigano
Há muito tempo na estrada

Com certeza
Só a beleza
Talvez, de morrer
Antes dos trinta

Eu só queria ter tempo
De tocar minha guitarra

Rumo à liberdade que sonhei
Eu sonhei. Eu sonhei.

E vou continuar
Vou continuar
Sonhando!

E vou continuar
Vou continuar
Vivendo!

Vamos à andança...

O show do Made in Brazil marca a abertura de uma exposição de fotos e documentários sobre o Rock and Roll brasileiro dos anos 70. Se você é fã de rock, não pode deixar de conferir. Afinal, como disse Osvaldo Vecchione no show: o rock nacional começou nos anos 70 e não nos 80, como muita gente acredita. A escolha da banda pra iniciar tal evento não poderia ser mais acertada. Made in Brazil é um dos maiores orgulhos nacionais em termos de música, sobretudo do rock. A banda completa em 2013 nada menos que quarenta e cinco anos de estrada, marca pouco alcançada no universo do rock, visto que no meio do caminho - as vezes no começo dele, diga-se - sempre surgem desentendimentos que acabam com promessas que poderiam ir longe. O preço que a banda paga pela longevidade é mais um motivo de orgulho: é a banda com mais formações oficiais do mundo - e reconhecida pelo Guiness Book. Mas, independente da quantidade enorme de integrantes que passaram por ali, a base da banda da Pompéia sempre foi a boa relação entre os irmãos Vecchione e seus amigos. Vendo o show é fácil perceber como a banda completou tantos aniversários. Os caras amam o que fazem e amam uns aos outros. Amizade é o que gruda o Made in Brazil, como fez com as melhores bandas do mundo, como Beatles e Led Zeppelin. Cada convidado chamado ao palco por Osvaldo - dentre eles Tony Babalu e Lucinha Turnbull em ótimas participações - era recebido não só com aplausos do público e da própria banda, mas também com beijos e abraços dos colegas. São heróis que seguem à risca os ensinamentos do Raul Seixas de que "todo homem tem o direito de viver sob suas próprias leis" e assim eles seguiram por tanto tempo trazendo músicas tão boas. Ouvir ao vivo "Jack, o Estripador" na íntegra com direito aos vocais originais do carismático Percy Weiss é uma experiência inenarrável, ainda mais para eu que - como muitos ali - nem era nascido na época em que esse disco estourou. A diferença de público, bastante mista entre jovens e senhores prova que a energia da banda paulistana não diminuiu muito. Talvez o poder místico do rock tenha mantido a juventude do grupo tão bem representada nas tatuagens dos braços de Osvaldo Vecchione. O único ponto baixo é que, devido à execução integral do disco de 1975, outras excelentes canções ficaram de fora, como Todo Dia Rola um Blues, por exemplo. Pra compensar, uma canção extra fechou a noite com chave de ouro e energia em alta: Minha Vida é o Rock, título que a banda e muitos fãs levam como lema de vida, obviamente. Num momento marcante do show, antes de tocar O Cigano, Weiss disse que tal canção já havia feito um senhor chorar em um de seus shows, fato que ele guardou na memória com carinho. Se tal canção não me fez chorar, foi por pouco, pois gerou em mim grandes arrepios e calafrios devido ao solo maravilhoso de Mateus Canali, além da letra que carrega em cada verso muito do espírito andarilho que tanto me inspira. "Cigano" é uma palavra que define aqueles que estão sempre em movimento. Nunca parados, sempre em busca de algo - sejam aventuras ou emoções. No caso desse Cigano, os sonhos são seu combustível. Como ele diz: "Levo na bagagem todos sonhos que sonhei". Pra frisar bem sua imagem de homem errante ele diz: "Sou um cigano há muito tempo na estrada. Tenho muito tempo, as raízes não as plantei" e "compromissos não os tenho, pois sou um cigano há muito tempo na estrada". Percy canta os versos lentos com emoção, acompanhado das ótimas backing vocals na repetição após cada estrofe. A canção evolui e acelera conforme o Cigano caminha, até explodir nos versos finais que ecoam o amor pela estrada e pelas novas experiências: "Vou continuar, vou continuar sonhando. Vou continuar, vou continuar vivendo!" Se o sonho é o que move o cara, que ele continue sempre atrás deles. E a lição fica pra nós. O que te move? O que te faz ir adiante? Amigos, família, adrenalina, cenários incríveis, um belo rock and roll? Então continue nessa estrada, continue vivendo! ;)

PS: Abaixo um momento épico: eu e o Thomas junto com o mestre Osvaldo Vecchione Jr.


Nunca ouviu?

Obrigado Bolívia 57 por ter gravado esse vídeo. Você verá exatamente como foi no show, incluindo a história do senhor chorão. Escute:

2 comentários:

Renato Perazza disse...

Show fodidasso!
Os caras são uma lenda!

Andarilho disse...

São mesmo! Valeu pela companhia e pela foto, mestre! Abss

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...