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Quantas vezes mais?

15/01/2013

Conheça o efeito nirvana momentâneo causado pela música

Ouvi um disco do Blues Etílicos pela primeira vez recentemente. Apesar de conhecer a banda pelo seu criativo nome já há algum tempo, o destino só permitiu que eu os escutasse com apreço agora. Comecei, como de costume com uma banda nova pra mim, por uma coletânea. Depois descobri que essa canção incrível faz parte do disco "IV" que, como o nome sugere, é o quarto disco do grupo, lançado em 1991. Segue a letra:




How many more times
(Guimarães/Rebuzzi/Wilson)

How many more times
You gonna make me drink your swet
How many more times
I'm gonna eat the rest of your bread

You know I love you baby, so bad,
but sometimes love can be something sad
You make me swet, you make me cook baby
You make me realize I'm on your hook

How many more times
You gonna deal my soul
How many more times
I gonna be your steady roll

Vamos à andança...

Tem um quesito em algumas músicas que me faz viajar em estado ômega. Não sei explicar direito exatamente o que é, mas seu efeito é imbatível: uma viagem que atinge rapidamente o mais alto nível de experiência transcendental . Comecei a reparar em canções que faziam isso comigo e descobri que boa parte do efeito decorre de um riff de guitarra ótimo. Mas não é o riff, senão qualquer canção de Hard Rock se enquadraria nessa categoria. É também um balanço hipnotizante e onde o baixo e bateria mantém uma marcação perfeita que se embaralha com o riff de guitarra. Mas também não é só isso. Esse trecho geralmente é uma ondulação que sobe e desce, acelera e acalma, mas mantém a repetição certeira por um bom tempo - suficiente pra fazer sua mente viajar por diversos lugares inimagináveis. Stephen Hawking e outros físicos geniais costumam dizer que o espaço e o tempo são interligados formando uma coisa só. Ao ouvir essas canções, mesmo não tendo um doze avos do QI deles, sinto em discordar desses mestres, pois é notável os milhões de locais que você pode visitar num período que parecem horas, mas no final foram apenas alguns minutos misticamente enfeitiçados pela harmonia sobre humana de uma banda de rock. Como eu disse, não sei explicar direito, mas tal efeito surge em algumas canções como o trecho em solo de Ramble Tamble do Creedence, o riff-refrão de Perfect Strangers do Deep Purple, no solo suave de Drink the Water do Doors e no riff que corta a música Once Upon a Time in the West inteira de Dire Straits. Há ainda muitas outras bandas que já nos fizeram atingir esse nirvana musical, mas a última banda que me fez despertar logo de cara - desde a primeira ouvida - foi Blues Etílicos com How Many More Times. Essa canção já me fazia esperar algo bom, pois achei que era um cover de Led Zeppelin. O engano foi ótimo, pois a obra é ainda mais viajante que a canção-xará do grupo inglês. Desde o começo da música o tal riff matador é apresentado. Aqui ele é acelerado, sendo entrecortado por uma guitarra enfurecida. O riff se mantém firme, mais seguro pelo baixo ótimo de Claudio Bedram, enquanto Greg Wilson canta os versos revoltosos e, assim como o balanço, bastante rápidos. No refrão ele canta, afiado: "Você sabe que eu te amo, baby, amo demais, mas as vezes o amor pode ser algo triste. Você me faz suar, você me cozinha, me faz acreditar que sou apenas um caso seu". A indignação e angústia do narrador casa perfeitamente com o ritmo frenético e louco que a instrumentação mantem por quase três minutos. É um trecho impagável. Além de um solo de harmônica sensacional, as guitarras de Rodolpho Rebuzzi e Otávio Rocha ainda destilam notas semideusas num solo comprido e perfeito. E a todo tempo o riff continua debulhando ao fundo, incansável. Ele te leva pra tão longe quanto o universo permite e tão rápido quanto a velocidade da luz, dada a energia interminável com que é tocado. Por um momento você acha que a música não acabará - e fica feliz com isso. Mas aos poucos o riff desacelera e a canção termina depois de tanto trazer e levar e misturar conteúdos da sua mente. Quando a música acaba é como aquela festa épica que você vai e acorda de ressaca na manhã seguinte sem ter certeza se tudo foi verdade ou não. Esse é o efeito nirvana musical ;)

Conheça mais sobre essa banda brasileira excelente no My Space da Banda e no Muro do Classic Rock.

Nunca ouviu?

Aqui está a chave pro universo. Escute:

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