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Você poderia fazer as paredes chorarem

02/12/2012

Quando há algo mais do que notas e vozes

Ainda fico impressionado quando paro pra pensar no que é uma banda de Rock. Para quem já teve a chance de ver uma apresentação qualquer, ou mais especificamente, um ensaio ao vivo, e fácil notar que o trabalho em equipe de uma banda é algo inacreditável. Cada integrante tem seu papel e há algo além do que os olhos mostram fazendo com que seu som saia daquele jeito. Há uma energia invisível que serve se cola para fazer com que cada nota, cada batida, cada palavra saia precisamente dentro da harmonia. Alguns chamam essa energia de arte - um nome digno de sua função. Quando bandas decidem fazer um dueto, é ainda mais impressionante o poder dessa matéria. É o caso dessa canção dos Zutons, de 2008, presente em seu disco "You Can Do Anything". Segue a letra:




You Could Make The Four Walls Cry
(McCabe/Pritchard/Payne/Harding/Molloy)

If the world was oblong-shaped
Then you would make it square
Just to let the whole world know
That you were standing there

If I had a chance all week
To tell you how I feel
You would make the four walls cry
To let me know you're real

It's a good job that I love you, girl
And hold you close to me
To let you think that I'm OK
And never show I'm weak

The time I spend in discontent
And never leave your side
Sometimes I can hold it down
I can never hide

The fact that I love you
Oh, I love you

You know I've been a friend of yours
For God knows how long
And all the stress that we've been through
And still we carry on

But when we get together, boy
I'm nothing but a spark
I've been right down that road you know
I've tried it once before

It's a good job that I love you now
And hold you close to me
To let you think that I'm OK
And never show I'm weak

The time I spend in discontent
And never leave your side
Sometimes I can hold it down
I can never hide

The fact that I love you
Oh, I love you

Now I'm magnetized again
I'm filling up with blue
It only ever leaves my paws
When I'm close to you

You make me start on everything
If everything should stop.
At least I know I've got you now
And this thing can go on.

Cuz I love you
Oh, I love you

Vamos à andança...

Um dos ensinamentos budistas que mais me inspiram é aquele que diz para compartilharmos as dores e alegrias de nossos semelhantes. Compartilhando a dor de outro, você ajuda a diminui-la. Compartilhando a alegria de outro, você a multiplica. Acredito que a música de uma banda nada mais é que alegria exponenciada por estar sendo compartilhada. Algumas bandas possuem uma harmonia compartilhada tão grande que parece que o som que elas produzem é uma massa só, e não uma combinação de instrumentos diferentes. Especialistas chamam de sinergia a capacidade de combinar fatores de modo que seu resultado seja superior às partes separadas somadas. Existe um baixo, uma bateria, uma guitarra, uma voz e, eventualmente, algum outro instrumento. Mas da mistura sai algo muito maior do que tais apetrechos. É como se um espírito superior envolvesse o grupo quando ele estivesse tocando e acrescentasse milhares de pequenas pitadas de outros sons. Um bom dueto é, talvez, a forma de deixar isso o mais claro possível. São dois cantores, duas vozes completamente diferentes. Únicas. Eles compartilham não só a letra da canção, encarnando personagens separados, mas também dividem um momento supremo de emoção e arte. Nessa canção dos Zutons, isso é claramente visível - ou seria audível? Primeiro por que trata-se de uma banda de qualidade sonora impecável. O grupo de Liverpool, cria um balanço gostoso, perfeito, com um riff de piano conversando com a bateria e o baixo. O vocalista Dave McCabe logo adentra a obra com sua voz bacana e afinada - diferente do que costuma acontecer em bandas atuais do indie rock. Ele assume o papel do personagem masculino nessa conversa em forma de poesia: "Se o mundo fosse achatado, você o faria quadrado só pra deixar o mundo todo saber que você estava ali". À frente, uma virada ótima, traz uma ponte onde ele acelera e canta ainda mantendo o ritmo agradabilíssimo: "É um bom negócio eu te amar, garota, e te manter perto de mim. Assim eu deixo você pensar que estou bem e nunca demonstro fraqueza". Após mais um trecho da ponte, a bateria acelera e conduz uma queda onde ele diz, com a ajuda dos maravilhosos backing vocals: "O fato é que eu te amo". Esse trecho soa com uma graciosidade ímpar. Se o cara fosse ator, seria indicado ao Oscar, tamanha a sinceridade com que se entrega à frase: "The fact that i love you". A repetição desse refrão simples e eficaz transforma a serenidade do refrão de volta para o balanço gostoso dos versos. Só que dessa vez a cantoria fica à cargo da bela Abi Harding, a saxofonista do grupo. Sua voz é potente e igualmente divertida como a de McCabe. Ela agora vive sua personagem na conversa e responde: "Você sabe que tenho sido sua amiga, por sabe Deus quanto tempo. E todos os stresses que passamos ainda carregamos. Mas quando estamos juntos, garoto, não sou nada além de uma fagulha". Os dois, homem e mulher, amigos ou amantes, agora cantam juntos a ponte e o refrão, sempre inebriante com a guitarrinha esperta ao fundo. É arrepiante ouvir os dois dizendo juntos a famosa frase "Ooooh, I love you". A fato de o refrão na voz dela ser igual ao dele é sinal de que ambos sentem o mesmo. Apesar de qualquer diferença, no final o que importa mesmo é o amor. Com as vozes combinadas precisamente, soa ainda mais bonito. Tal harmonia é difícil de aparecer. Quando surge, deveria ser filmada, ou registrada de alguma forma para que fique eternizada. Essa música cumpre seu papel. Ela prova que existe arte, sinergia, espíritos ou o que quer que faça com que escutemos muito mais do que instrumentos sendo tocados. É mais do que um dueto, mais que uma banda tocando. É Deus, ali, na música ;)

Nunca ouviu?

Entenda o que é uma emoção compartilhada. Escute:

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