Mais um livro do Andarilho

À Noite

30/12/2012

Chegamos ao fim de mais um ano com muita música boa

Como de costume, pra registrar nos anais do blog, no final de cada período eu escolho uma música de uma das bandas que me foram mais caras no ano. Em 2012 a disputa foi árdua, visto a quantidade de bandas incríveis que conheci, além das bandas de cabeceira que continuaram tocando alto no meu player. Mas no fundo, no fundo, eu já sabia que falaria da nossa querida banda carioca, O Rappa. O grupo foi, sem dúvida, o que mais escutei nesse ano sensacional que muitos acreditavam que fosse o último. Graças ao bom Deus Salvador não foi e muitos anos ainda virão trazendo boa música e muitas viagens. Essa em questão faz parte do primeiro disco da banda, auto-intitulado, lançado em 1994. Segue a letra:




À noite
(Falcão/Xandão/Yuka/Meirelles)

À noite, quando o calor se mistura
Com a luz da tv preto e branco
À noite, eu quieto dentro de casa
Ouvindo rajadas de bala
À noite, fatos ruins do jornal
Se unem ao meu cansaço
À noite, o mesmo corpo cansado
As vezes se perde de frente a saída

Mesmo assim eu paro e agradeço
Por eu não fazer do rancor minha vida
Por eu ainda acreditar no poder
Do amor revolucionário e salvador
Amor que me tirou a arma da mão
E me deu mais essa canção

Vamos à andança...

A predominância de O Rappa nos meus ouvidos em 2012 se deu, principalmente, por causa do show deles que assisti em setembro, um dos melhores shows do ano, com certeza. Já que o ingresso havia sido comprado meses antes do evento, tive um bom tempo pra preparar o aquecimento. Nessa onda de ir conhecendo o trabalho deles mais a fundo pra aproveitar melhor o show, comprei o disco "Rappa Mundi". Embasbacado com o que conheci ali, fui tomado de vez pelo amor à essa banda carioca. Tal CD foi o melhor que adquiri em 2012 e foi, provavelmente, o que mais escutei também. Dono de canções como Tumulto, Pescador de Ilusões e A Feira, o disco logo me fez procurar os trabalhos anteriores da banda. Foi quando cheguei a À Noite. Depois que a ouvi pela primeira vez, num dia na praia, percebi o quão essa banda é fenomenal. Desde o primeiro disco acertaram em tudo. À Noite vale-se não só pela instrumentação, mas principalmente pela mensagem, uma das mais nobres lições que se pode aprender com o som. Se Jesus Cristo fosse músico, teria cantado À Noite. De certo modo é Ele quem canta, nas vozes da banda, pois a letra é, em muito, inspirada em Sua Sabedoria Eterna. Munidos de uma abertura meio reggae com um solinho de sopro pra preparar terreno, a banda cria um ritmo gostoso e suave. Marcelo Falcão então começa a descrever como são as noites desse humilde narrador, desde já influenciado pelas diferenças sociais que tanto movem o grupo até hoje. Ele diz: "À noite, eu quieto dentro de casa ouvindo rajadas de bala. Fatos ruins do jornal se unem ao meu cansaço". Numa virada emocionante pra ponte ele entra na próxima estrofe, um refrão maravilhoso que diz: "Mesmo assim eu paro e agradeço por eu não fazer do rancor minha vida. Por ainda acreditar no poder do amor, revolucionário e salvador". Como se não fosse o suficiente demonstrar tamanha grandeza de espírito, o narrador ainda diz, numa puxada rasgada e arrepiante de Falcão: "Amor que me tirou a arma da mão e me deu mais essa canção". Dá pra entender o por quê dessa ser uma das mais belas mensagens musicais já gravadas? Repare no personagem. Um cara acuado pela vida, vivendo nas sombras do lado pobre da cidade em meio às balas e explosões da violência diária. Sem oportunidades, sem perspectivas. Ele tinha tudo pra ser mais um deles. Tudo o direcionava para o caminho mais fácil: o crime. Mas esse mestre sabe que o caminho mais fácil nem sempre é o mais certo. Assim como Paul McCartney disse uma vez, ele sabe que "um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer". E a atitude de um homem honrado não é responder com ódio. Não é desistir e se entregar ao que é errado. Como dito no filme "Cruzada", ele sabe que não poderá chegar diante de Deus e falar: "A virtude não era conveniente naquela ocasião". Ele sabe que um homem sensato não pode, jamais, fazer nada que prejudique outra pessoa. Então ele age com amor. Não há rancor suficiente que domine sua mente e suas ações. Ele é um Guerreiro Pacífico e como tal, sua espada é o amor. "Onde quer que ela corte trará vida e não morte". O amor supremo e revolucionário que o move, inspirado nos grandes mestres da vida como Jesus, Buda, Ghandi, Martin Luther King, John Lennon é o único capaz de transformar morte em vida. Só esse amor é capaz de transformar armas em canções, como é o caso dessa ;)

Que 2013 traga muita luz e amor à todos. Feliz Ano Novo!

Nunca ouviu?

À noite, ouça e ame. Escute:

2 comentários:

MasterSonicTH disse...

Ei cara, sei que é meio tarde pra isso, mas, eu queria lhe desejar um ótimo 2013, de coração.

Continue com seu excelente conteúdo.

Abraços.

Andarilho disse...

Opa, muito obrigado pela msg, brother!! Muito sucesso e felicidades pra vc tb!! Aquele abraço ;)

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