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Linha de fronteira

12/11/2012

A arte inspira a arte

Muito antes de construir esse blog, eu já ouvia músicas que me faziam viajar. Aliás, esse foi o motivo principal que originou a criação do blog. Por exemplo, quando eu ainda estava na faculdade de Design Gráfico, tive a honra de ter aulas de História em Quadrinhos com o grande Luiz Gê e um dos trabalhos que fiz foi inspirado numa canção que me fazia viajar há tempos. O trabalho você confere abaixo e a música é do Alabama, presente no disco "Southern Star" de 1988. Segue a letra:




The Bordeline
(Hanson/Beckham/Gentry/Fowler)

In a cloud of dust cross Texas, south of San Antone
The lawman and the cowboy pushed their horses on
Racin' toward the Rio, running out of time
They had to catch the outlaws before they crossed the borderline

Well, the lawman wanted justice the cowboy revenge
They tracked the outlaws' horses up to the river's edge
And there across the Rio a badge ain't worth a dime
The law was in their own hands once they crossed the borderline

So they ride to the desert wind down a dusty trail
Destiny begins, heroes never turn or look back
They just ride through the sands of time on the borderline

In the safety of the badlands the outlaws stopped their run
The campfire rings with laughter of evil things they've done
How they'd taken all they wanted and killed the cowboy's wife
And knew no one would follow them, cross the borderline

The lawman and the cowboys stepped out of the dark
And it was two against the twenty and every bullet found it's mark
And so goes the legend that out there in the night
The two still ride together somewhere beyond the borderline

So they ride to the desert wind, down a dusty trail
Destiny begins, heroes never turn or look back
They just ride through the sands of time on the borderline

They ride to the desert wind, down a dusty trail
Destiny begins, heroes never turn or look back

They ride to the desert wind, down a dusty trail
Destiny begins, heroes never turn or look back
They just ride through the sands of time on the borderline

Vamos à andança...

Algumas músicas que ouvimos trazem todo um contexto visual cinematográfico. Perfect Strangers, do Deep Purple, por exemplo, nos leva diretamente pra uma planície medieval com exércitos se enfrentando numa batalha surreal épica. Johnny, the Fox, do Thin Lizzy, já nos conduz pra uma viagem maluca e hipnótica nas ruas de movimento noturno, cheia de carros e histórias incríveis. The Bordeline, do Alabama é mais um exemplo que traz enquadramentos e diálogos diretamente saídos dos cinemas pra nossas mentes. Sempre que a escutei visualizei suas cenas de ação e drama claramente numa montagem que misturava Sergio Leone com Quentin Tarantino. Em uma oportunidade de criar uma história em quadrinhos tentei transpôr para o papel tudo aquilo que minha mente figurava ao ouvir essa canção country. Sempre gostei de desenhar, mas nunca dominei tal ofício num nível satisfatório, por isso peço que considerem mais a sequência e o roteiro em vez da arte - afinal a história foi composta pelo Alabama, uma das maiores bandas sulistas dos Estados Unidos. A obra abre com um dedilhado de violão excelente - logo transportando sua mente pras fogueiras e acampamentos do velho oeste, onde cowboys e cavaleiros contavam suas histórias e viviam sob o céu estrelado. Logo após a introdução, Jeff Cook recita os versos rapidamente, numa balada que conta uma história, ao melhor estilo Johnny Cash, a qual resumirei a seguir: "Na nuvem empoeirada do Texas, o Xerife e o Cowboy levaram seus cavalos. Eles tinham que pegar os foras-da-lei antes que eles cruzassem a linha de fronteira". Um detalhe bacana é que cada estrofe termina com a palavra título: "The Bordeline", pois é ali onde tudo se resume. Na segunda, eles cantam em clima de suspense, preparando o campo pra história se desenvolver: "O Xerife queria justiça, o Cowboy queria vingança. Eles seguiram os bandidos até o limite. A lei estaria apenas em suas mãos, depois da linha de fronteira". Como mestres cineastas, eles conduzem o ritmo com maestria deixando os espectadores cada vez mais intrigados, dessa vez com uma virada pro refrão que ganha uma agitação forte no violão e nas batidas: "Então eles cavalgaram para o vento do deserto por uma trilha poeirenta, o destino começou: heróis nunca voltam ou olham pra trás". Essa última frase marcante foi o título que escolhi pra minha obra visual, dada a força que carrega em seu significado. Eles prosseguem, dando tonalidades mais dramáticas à história: "Na segurança das terras ermas, os bandidos param sua corrida para rirem de suas maldades. Eles roubaram tudo que queriam e mataram a mulher do Cowboy. Eles sabiam que ninguém os seguiria após a linha de fronteira". Ao chegar no clímax desse filme, a banda nos apresenta o desfecho emocionante numa cena falada - uma narração que só o Morgan Freeman pode se equiparar em eloquência: "O Xerife e o Cowboy saíram das sombras. Eles eram dois contra vinte e cada bala encontrou sua marca. Até hoje conta-se uma lenda pelas noites do deserto: os dois ainda cavalgam juntos em algum lugar além da linha de fronteira". O desfecho misterioso com margem à interpretações pessoais de cada um é o que dá o tempero extra pro final dessa história épica. A banda ainda mantém a emoção em alta com o refrão repetido incansável, meio que nos fazendo pensar como aquelas canções belas que soam junto com os créditos que sobem. "Heróis nunca olham pra trás". Essa é a lição dessa obra-prima. E abaixo segue a HQ que ilustrei inspirada nessa canção. Espero que gostem ;)

(Abra em uma nova guia para ver em tamanho ampliado)





Nunca ouviu?

Heróis não ficariam sem ouvir. Escute:

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