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Cabe a mim

08/10/2012

Apresentar-lhes uma canção que tira maus pensamentos

Às vezes brinco com meus amigos sobre aquelas situações hipotéticas - que jamais acontecerão, mas que não deixam de ser divertidas. Uma das perguntas que faço é: "Se você fosse preso por 10 anos, mas pudesse escolher alguns discos pra escutar nesse meio tempo, quais você levaria?". Isso desperta nosso apreço pelos álbuns mais importantes de nossas vidas. Um dos que eu levaria nesse momento de reclusão seria "Aqualung" (1971) do Jethro Tull com toda certeza. Essa canção faz parte do seu lado A. Segue a letra:




Up to Me
(Andarson)

Up To Me
Take you to the cinema
Leave you in a wimpy bar
You tell me that we've gone to far
Come running up to me

Make the scene at cousin Jack's
Leave him to put the bottles back
Mends his glasses that I cracked
Well that one's up to me

Buy a silver cloud to ride
Pack the tennis club inside
Trouser cuffs hung far too wide
Well it was up to me
Tyres down on your bicycle
Your nose feels like an icicle
The yellow fingered smoky girl
Is looking up to me

Well I'm a common working man
With a half of bitter--bread and jam
Well if it pleases me I'll put one on you man
When the cupper fades away

The rainy season comes to pass
The day-glo pirate sinks at last
And if i laughed a bit too fast
Well it was up to me

Vamos à andança...

Jethro Tull é uma das bandas que possui um oceano gostoso de navegar. São tantos discos tão pouco conhecidos que explorar cada um deles é uma tarefa deveras prazeora. Mas por mais que eu conheça discos excelentes como "Benefit" (1970) ou "Heavy Horses" (1972), cada vez que escuto "Aqualung" tenho mais certeza de que esse último é o álbum definitivo do Jethro. Ali há uma sequência de canções poderosas - ao mesmo tempo complementares, ao mesmo tempo competidoras - que não se encontra facilmente em nenhum outro disco do mundo. É nele que está a viagem infantil e medieval Mother Goose, por exemplo. É dele também a crítica rítmica Hymn 43, sem falar na hipnótica potência de Locomotive Breath e na percepção do universo e um instante com Cheap Day Return. A música de hoje, Up To Me, está no mesmo nível dessas citadas. Não é melhor, nem pior e pega um pouco do que há de melhor em cada uma. Tem um balanço gostoso e inebrainte, criado a partir de um riff da flauta de Ian Anderson e o piano de John Evan. Esse ritmo é delicioso de ouvir e você fica esperando pelo riff no fim de cada estrofe. Depois dele, há uma pequena queda que apresenta a poesia, mas cada verso contém ao fundo notas alongadas e suaves da flauta de Anderson, marca registrada da banda. Ouvir esse instrumental é se transportar mentalmente para terras medievais. Uma festa alegre sob o sol da Escócia ou Inglaterra, com direito a torneios entre guerreiros, almoços com javalis assados e bardos animando os trabalhadores são imagens que ganham vida com os sopros de Anderson, as cordas de Martin Barre e as teclas de Evan. Curiosamente, a letra não fala sobre esse período, então se você - como eu - é fã da Idade das Trevas talvez seja melhor não investigar a letra para não estragar as imagens. De qualquer forma essa parte não é a mais importante da obra. A poesia reúne frases soltas de observações do cotidiano que Anderson, um excelente cronista, tomava como inspiração. "Te levar ao cinema", "Conserte seus óculos quebrados" e "Uma garota com os dedos amarelados de cigarro" são alguns exemplos. Mas vale lembrar que a musicalidade das palavras é perfeita e cada estrofe cai na frase título: "It was Up to Me..." (Isso cabia a mim) de forma espetaculante. O take final da peça ficou com umas risadas no início, logo que damos o play. Essas risadas servem pra te avisar do que vem a seguir: uma viagem formidável, alegre e divertida num balanço que não permite cara feia ;)

Nunca ouviu?

Agora cabe a mim te apresentar. Escute:

3 comentários:

Anônimo disse...

O pouco que te conheço já sei o quanto gosta
destas perguntas em que temos que selecionar ou dizer quais são os melhores, os preferidos, qual disco você levaria para prisão foi mais criativo!
Já tinha ouvido falar de Jethro Tull e este albúm "Aqualung" , agora lendo seu blog pude conhecer um pouco mais desta banda e dizer que tem uma sonoridade incrível. Acabei de ouvir "Up to me" e deu vontade de ir a algum lugar, a um bar discontraído, imaginando poder ouvir um som desse tocando ao vivo. Putzz...muito bom!!
Apesar de não gostar de escolher os melhores, os mais isso e aquilo, porque sempre sinto que estou renegando ou esquecendo de algo, provavelmente este seria um disco foda para ter por perto. Talvez não na cadeia! Escutar Jethro Tull, com este ritmo que da uma sensação de liberdade, de dancar, de curtir, de sair por ai...não ia combinar com a cela , seria bem sufocante. Acho que teria que ser outra pedida para esta pergunta, o que acha?

Anônimo disse...

*descontraído.

Andarilho disse...

Com certeza! Tem total razão. A pergunta sobre a cadeia foi uma tentativa de pensar numa situação extrema. Mas Jethro nao combina com prisão e sim com campos verdes medievais, festas ao ar livre e amigos por perto bebendo cerveja. Obrigado pela visita e pelo comentário!! Espero que tenha curtido o blog. Volte sempre ;)

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