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Filho do Leiteiro

04/09/2012

Um paradoxo de identidade musical

Certo dia há um tempo atrás, um amigo que trabalhava comigo me indicou uma banda. O engraçado é que ele achou improvável que, na época, eu nunca tivesse sequer ouvido falar do Ugly Kid Joe. Ele tinha razão. A banda é tão boa que eu devia ter conhecido antes, assim que fosse possível. Curti tanto que vira a mexe eles dão as caras no meu player. Essa foi uma das que me fez viajar recentemente. Faz parte do disco "Menace to Sobriety" de 1995. Segue a letra:




Milkman's Son
(Crane/Fortman)

Let the burning bridges tumble down
Let the water come and flood ground
Burn a hole into this auburn sky
I only wanna be walking by your side

When I see tomorrow I see you there
When I look around I'll see you everywhere
Your face is etched into my mind
When it's all said and done
Well I'm feeling like the milkman's son

Let your dark spirits fly away
Come again but you won't come today
Spend the last of my worthless life
I only wanna be walking by your side

When I see tomorrow I see you there
When I look around I'll see you everywhere
Your face is etched into my mind
When it's all said and done
Well I'm feeling like the milkman's son

Ending Bit
I'm feeling like the milkman's son
Said I'm feeling like the milkman

Vamos à andança...

A primeira coisa que notei quando escutei Ugly Kid Joe a fundo foi uma semelhança excelente com a fase mais Heavy do Skid Row. As datas batem. Enquanto a banda de Sebastian Bach lançava seu terceiro disco, numa sucessão de trabalhos cada vez mais pesados, Ugly Kid ganhava o mundo com seu segundo disco, o que contém essa pérola de hoje. Analisando mais a fundo, a fase pós Bach do Skid Row tem ainda mais semelhanças com a banda do Garoto Feio. Algumas canções do disco "Thickskin" possuem uma característica sensacional calcada numa guitarra suja e densa, altamente delirante. Parece que o guitarrista Dave Fortman, do Ugly Kid, bebeu na mesma fonte que Snake Sabo e Scotti Hill, além de beber no som dos próprios guitarristas do Skid Row, é claro. Tanto melhor. Se ouvirmos Milkman's Son percebemos logo no começo a tal da guitarra crua com um riff pesado e empolgante engrandecido pelo baixo de Cordell Crockett. Paralelamente, um solo enfurecido de guitarra acompanha o peso com notas agudas. Trabalho excelente de Klaus Eichstadt. Pra completar a peça com harmonia precisa, o baterista Shannon Larkin não deixa a peteca cair com pauladas ferozes. Logo Whitfield Crane dá as caras no vocal. Seu jeito escrachado e sua voz meio rouca, meio cuspida dão a esse Hard Rock todo um quê divertido. Ele canta uma declaração de amor pouco comum ao espírito malicioso e irônico da banda. Logo entenderemos o motivo. Ele começa num ritmo empolgante: "Deixe as pontes queimadas caírem. Deixe a água inundar a terra. Queime um buraco nesse céu avermelhado. Tudo que eu quero é estar andando ao seu lado". Aqui uma virada inspirada traz o refrão, com um novo balanço ótimo, onde ele diz: "Quando eu vejo o amanhã, eu te vejo lá. Quando olho ao redor, te vejo em todo lugar. Seu rosto está gravado na minha mente. Quando tudo já foi dito e feito, eu me sinto como o filho do leiteiro". Essa expressão, Milkman's Son, entrega que a banda não deixou de fora seu lado sarcástico e crítico, pois o amor obsessivo aqui descrito causa uma perda na personalidade do narrador. Isso o faz se sentir como o "filho do leiteiro". A força desse refrão é impulsionada pelo riff que não cessa nunca e mais um solo destruidor de Eichstadt. Ironicamente a canção é personalidade pura do Joe, o Garoto Feio: viagem pesada, riffs potentes e "não levar nada a sério". Pedrada muito boa ;)

Nunca ouviu?

Não perca sua identidade. Escute:

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