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Para ninguém

28/09/2012

A dualidade de um homem na música

Sempre considerei Paul McCartney como o maior "músico" dos Beatles. Ele não é meu beatle favorito, nem o considero o mais criativo ou visionário. Mas em se tratando de música em sua forma mais pura, não há ninguém que se equipare a ele. Suas canções têm uma harmonia perfeita, melodias únicas e letras profundas. A canção de hoje é, talvez, o maior exemplo disso. Faz parte do disco "Revolver" de 1966. Segue a letra:




For No One
(Lennon/McCartney)

You day breaks, your mind aches
You find that all her words
of kindness linger on
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't
feel she has to hurry
She no longer needs you

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

You want her, you need her
And yet you don't believe her
When she says her love is dead
You think she needs you

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone
but now he's gone
She doesn't need him
your day breaks, your mind aches
There will be times when all the things
she said will fill your head
You won't forget her

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

Vamos à andança...

Uma vez uma Mestra chamada Marina Fernanda, que por sinal é minha amiga, comentou nesse blog dizendo que sua canção preferida dos Beatles é For No One. John Lennon disse uma vez em entrevista - em meio à fortes críticas às canções do quarteto - que For No One era uma de suas músicas mais queridas do FabFour e de seu antigo parceiro. Essas duas opiniões servem apenas para ilustrar o poder sobre-humano dessa obra. Não é pra menos. Ela foi lançada no disco "Revolver", considerado por muitos, o melhor álbum dos Beatles, ao lado de "Rubber Soul", que chegou ao mundo no mesmo ano. Nesse mesmo disco há outra obra máxima de Paul, Here There and Everywhere. Definir qual das duas é melhor seria o mesmo que comparar Stallone com Schwarzenegger. Nunca haveria um vencedor. Mas ao passo que Here, There é uma canção suave, lenta e romântica, For No One apresenta uma levada mais apreensiva, com um toque triste eu uma poesia profunda tematizada na lado negro do amor. O comparativo entre as duas canções serve para mostrar o quão fascinante e misteriosa é a briga de opostos dentro do homem. Num mesmo disco há um Paul apaixonado, elevando sua amada à onipresença e, apenas algumas faixas depois, há um narrador desolado, porém conformado com o término de um sentimento tão forte. Para acompanhar McCartney nessa balada, há um piano primoroso ao fundo enquanto a poesia é cantada numa métrica mais precisa que cirurgia cardíaca: "Seu dia começa, sua mente dói. Você descobre que todas as coisas gentis que ela disse ecoam, mas ela não precisa mais de você. Ela acorda, ela se maqueia. Ela age com calma, sem se apressar. Ela não precisa mais de você". Mais a frente os versos continuam belos e dolorosos, como em: "Você a quer, você precisa dela. No entanto você não acredita mais nela quando ela diz que seu amor morreu. Você acha que ela precisa de você". Separando as estrofes temos um trecho de sopro tão maravilhoso e emocionante quanto a canção poderia propôr. Logo McCartney avança com a letra: "Seu dia nasce, sua mente dói. Haverá um dia em que tudo que ela disse encherá sua cabeça. Você não a esquecerá". Esse último verso é definitivo. Na voz de Paul, uma certeza renegada, meio triste, meio alegre. No filme "A Última Tentação de Cristo", do Mestre Martin Scorsese, há uma frase do escritor Nikos Kazantzakis que diz que algo que sempre o intrigou foi a dualidade do homem. Crises de consciência e a luta interna entre o bem e o mal sempre mexeram com o imaginário das pessoas e isso levou o escritor a conceber o livro que mais tarde seria transformado em filme. Ele mostra Jesus numa forma mais humana, lutando contra e conhecendo cada vez mais sua parte divina. Tal proposição serve como uma luva para essa canção. Não há como saber se o que se passou entre os personagens foi bom ou ruim. Apenas passou, trazendo alegria e trazendo tristeza. E em ambos os pólos há beleza. For No One é triste, mas é bela. Após cada uma dessas estrofes citadas o piano acelera para um pequeno clímax que apresenta o refrão. Esse refrão mostra por quê Mestres como John Lennon e Marina Fernanda consideram essa música uma das melhores dos Beatles. Eu concordo com eles:

"E nos olhos dela você não vê nada.
Nem sinal de amor por trás das lágrimas
Choradas por ninguém.
Um amor que de deveria ter tido longos anos"


;)

Nunca ouviu?

Chore por ninguém agora ao ouvir. Escute:

2 comentários:

Marina Fernanda disse...

That is really impressive!! :)
Fe meu grande amigo, fiquei muito contente por ter lembrado de mim e de nossas conversas passadas. Recordo de uma delas em que conversamos somente com trechos das letras dos Beatles.. foi demais! No One foi e continua sendo a música mais bonita para mim! E você continua escrevendo muito bem ! Aliás muito melhor do que quando começou a anos atrás qdo te apresentei o mundo do Blogger ;) Bjão vamos marcar uma breja

Andarilho disse...

Oi Mari!! Obrigado pela visita e pelo comentário. Que bomq ue curtiu o texto. Fui inspirado pela vez que vc citou essa canção há muito tempo atras. Graças a Deus tenho uma boa memória quando se trata de música, hahahaha... Nossas conversas beatlemaníacas eram sensacionais tb. Vamos marcar o HH sim, só combinar! Beijao

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